Professor de Direito denunciado por estupro e outros crimes contra 10 mulheres no RS é preso
Investigação contra advogado Conrado Paulino da Rosa também abrange suspeita de delitos de estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado.
1 de 2 Conrado Paulino da Rosa foi preso nesta segunda (2) — Foto: Ronaldo Bernardi/Agência RBS
Conrado Paulino da Rosa foi preso nesta segunda (2) — Foto: Ronaldo Bernardi/Agência RBS
O professor de Direito e advogado Conrado Paulino da Rosa, denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul por doze crimes contra dez mulheres, foi preso nesta segunda-feira (2), em Porto Alegre. A desembargadora Naele Ochoa, do Tribunal de Justiça do RS, concedeu a prisão preventiva após pedido do MP.
A denúncia, feita na última semana, abrange os delitos de estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado.
DE entrou em contato com a defesa de Conrado, que informou não ter tido acesso ao teor da denúncia. “Tão logo o tenhamos, nos manifestaremos”, diz a advogada Fernanda Osorio.
Os casos de abusos sexuais teriam acontecido entre 2013 e 2025. No final de 2025, ele foi indiciado por crimes sexuais que teriam sido cometidos 24 vezes, segundo o inquérito.
Professor de Direito é indiciado por suspeita de crimes sexuais no RS
A investigação policial durou três meses e teve depoimentos de 18 vítimas e 16 testemunhas, além de perícias, exames e provas documentais.
Quatro mulheres que relatam terem sido vítimas de Conrado concederam entrevista à RBS TV. Em 22 de outubro, a Justiça revogou a prisão de Conrado, dois dias antes do fim do prazo da prisão temporária. Ele estava preso desde 26 de setembro.
Mulher procura a polícia após a prisão de professor
Professor de Direito suspeito de crimes sexuais é preso em Porto Alegre
INVESTIGAÇÃO
2 de 2 Polícia apreende computadores e outros pertences de professor de Direito investigado por crimes sexuais em Porto Alegre — Foto: Ronaldo Bernardi/Agência RBS
Por se tratarem de crimes sexuais, a Polícia Civil não divulgou detalhes da investigação, mas diz que a apuração conta com relatos semelhantes entre si e que as possíveis vítimas passarão, também, por perícia psicológica.
Por meio de seu perfil no Instagram, o professor afirmou que “a verdade dos fatos se sobressairá” e que “repudia violência contra a mulher”.
A Justiça do RS já havia determinado medidas cautelares contra ele. As restrições incluíam monitoramento eletrônico por tornozeleira, comparecimento mensal em juízo e proibição de manter contato com vítimas e testemunhas.
Conrado também estava impedido de frequentar instituições de ensino superior, congressos e simpósios. Outras determinações são retenção do passaporte, recolhimento domiciliar entre 20h e 6h e a proibição de deixar a comarca de Porto Alegre.
DEMISSÃO
Conrado Paulino da Rosa trabalhava na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP) de Porto Alegre, de onde foi demitido. A instituição não informa o motivo da demissão, mas a RBS TV apurou que a decisão foi tomada após o início da investigação da polícia.
Ele lecionava para alunos de graduação e mestrado em direito na FMP, onde também coordenava a pós-graduação em Direito de família e sucessão. Além disso, foi presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Seção RS (IBDFAM-RS). Em sua biografia, diz ser autor de 18 obras sobre o assunto.
A FMP disse que “o desligamento foi definido em caráter administrativo”, “sem juízo antecipado sobre eventuais responsabilidades relacionadas a fatos externos à instituição” (leia na íntegra abaixo).
COMO DENUNCIAR CASOS DE VIOLÊNCIA
A vítima deve ir à Delegacia da Mulher ou a qualquer Delegacia de Polícia para registrar um boletim de ocorrência. O serviço também está disponível pela Delegacia Online para relatar agressões sem precisar ir presencialmente à delegacia.
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