Projeto criado por mães de crianças com síndrome de Down vira lei e fortalece rede de apoio no interior de SP
Legislação obriga que hospitais públicos e privados informem sobre o projeto sempre que um bebê nasce com a síndrome em Birigui (SP). Iniciativa começou há 11 anos e reúne 68 mães do noroeste paulista.
Projeto ‘Mães 21’ reúne famílias de Birigui em apoio a filhos com síndrome de Down
Criado a partir da vivência de mulheres que sentiram na pele o susto e a insegurança após o diagnóstico da Síndrome de Down dos filhos, o projeto Mães 21 se tornou lei em Birigui (SP) e garante uma rede de apoio para famílias.
A legislação obriga que hospitais públicos e privados informem sobre o projeto sempre que um bebê nasce com a síndrome, garantindo que os familiares recebam acolhimento desde os primeiros dias de vida da criança.
A medida busca reduzir o impacto emocional do diagnóstico e aproximar as famílias de pessoas que já passaram pela mesma situação. Unidas pela maternidade e pela experiência compartilhada, essas mulheres mostram que o caminho pode até ser desafiador, mas não precisa ser solitário.
Maria Fernanda, filha de Luciana, nasceu com Síndrome de Down em Birigui (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM
A iniciativa começou há 11 anos e atualmente reúne 68 mães do noroeste paulista. Uma das histórias que representam o início dessa trajetória é a da Yasmin, de 13 anos, filha caçula da manicure Andreia.
Alegre e sorridente, a adolescente nasceu com Síndrome de Down, mas o diagnóstico só foi confirmado após o parto, o que trouxe incertezas para a família. Andreia conta que o medo inicial estava ligado principalmente à falta de informação e às possíveis complicações de saúde.
Ao ver o desenvolvimento da filha de Luciana, Andreia se sentiu acolhida e mais confiante sobre o futuro da própria filha. A troca de experiências, que começou de forma espontânea, foi ganhando força e alcançando outras famílias.
Dessa vivência nasceu o Mães 21, nome que faz referência ao cromossomo extra característico da Síndrome de Down. Atualmente, seis mulheres atuam diretamente no projeto, oferecendo escuta, orientação e apoio emocional a mães que recebem o diagnóstico dos filhos.
Os encontros promovem a troca de informações, o compartilhamento de desafios e conquistas e o fortalecimento dos vínculos entre as famílias. A experiência de quem já passou pelas etapas iniciais ajuda outras mães a compreenderem o diagnóstico de forma mais positiva e a estimularem o desenvolvimento das crianças desde cedo.
Projeto fornece rede de apoio para mães de crianças com Síndrome de Down em Birigui (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM
Além das mães, os próprios filhos participam ativamente do projeto. Maria Fernanda, por exemplo, acompanha a mãe em visitas, envia mensagens de áudio e faz questão de ajudar a tranquilizar outras famílias.
Segundo a psicóloga Loraine Cortelazzi, o apoio recebido logo após o nascimento faz diferença não apenas no desenvolvimento da criança, mas no bem-estar emocional da família. Ter um canal direto com pessoas que já vivenciaram a mesma situação ajuda a reduzir o desgaste emocional e a construir uma rede de suporte contínua.
Exemplos como o do Antônio, de cinco anos, filho da Renata, reforçam a importância do grupo. Ela conta que o convívio com outras famílias ajudou a enxergar além do diagnóstico e a focar na criança, em suas potencialidades e nas oportunidades que podem ser construídas ao longo da vida.




