Projeto que obriga compostagem de lixo orgânico em Goiânia, é vetado

Segundo especialista, falta de investimento em infraestrutura e consciência ambiental são principais fatores para veto

Reconhecendo a importância da compostagem, recentemente postagens nas redes sociais celebram um Projeto de Lei aprovado em maio de 2021, na Câmara Municipal de Goiânia. O projeto que obrigaria compostagem de lixo orgânico na cidade, no entanto, foi vetado pelo prefeito Rogério Cruz e teve o veto mantido no início de setembro, pelos parlamentares da cidade.

Segundo a proposta, áreas deveriam ser destinadas para a compostagem dos resíduos coletados, com o incentivo de iniciativas comunitárias e práticas de compostagem doméstica. O veto, porém, alega não ser de competência do titular dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos.

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A compostagem é uma prática de reciclagem de resíduos orgânicos que transforma a matéria em adubo natural. A partir daí, então, é possível usar o composto para substituir produtos químicos em plantações na agricultura, jardins ou plantas em casa.

Apesar de representar uma derrota, a decisão parece fazer sentido para Mateus Fumes, engenheiro de produção que administra – ao lado de Amanda Kanbay – a Eu Composto, empresa especializada em oferecer serviços de compostagem de resíduos orgânicos a residências e empresas.

“Em aspectos teóricos, é uma derrota, mas a gente já entendia que mesmo aprovada a leia não ia pegar”, explica. “É muito complexo passar todos os resíduos orgânicos coletados na cidade para o processo de compostagem. Antes disso, é preciso formar uma massa crítica para que as próprias pessoas possam exigir o serviço”.

Eu Composto

Mateus e Amanda vieram para Goiânia no início de 2020, em razão do isolamento provocado pela pandemia de Covid-19. Aqui, entraram em contato com o trabalho da Eu Composto, fundada e, até então, administrada por Túlio Salatiel.

Mateus e Amanda / Foto: acervo pessoal.

Na época, a organização prestava o serviço a cinco famílias parceiras e Túlio precisava de suporte para manter o trabalho. Foi aí que Amanda se uniu à organização, trazendo Mateus pouco tempo depois.

“Com a virada para 2021 e a continuação da pandemia, decidimos ficar na cidade e intensificar os trabalhos na organização”, comenta. “Além disso, o Túlio precisou focar em outros empreendimentos e a gente assumiu as rédeas de tudo”.

Mateus também destaca que a principal intenção da organização é promover a transformação por meio da consciência ambiental, como apenas uma das partes da cadeia de desenvolvimento sustentável. Segundo ele, não existe a intenção de tomar o lugar do Estado ou explorar o máximo do mercado (“potencialmente milionário, em suas palavras”, mas sim de oferecer uma contribuição social.

“Estamos ligados a pessoas que estão com a consciência ambiental avançada e tem condição dep agar pelo serviço”, reconhece. “Apostamos em trabalhar com essas pessoas, que eventualmente vão conduzir a mudança para outros espaços, como escolas, universidades e condomínios, além de organizações públicas que vão reconhecer o valor da mudança social e ambiental.”

Serviços

Atualmente, o casal realiza todos os processos dentro da organização, fazendo a compostagem de resíduos orgânicos coletados por 91 clientes. Para isso, os assinantes do serviço pagam uma taxa mensal – R$ 60, para coletas semanais, ou R$ 50, para coletas quinzenais – e recebem um kit contendo um balde de 16 litros, além de sacos compostáveis e serragem, que ajuda a conter a umidade dos resíduos.

Eu Composto (@eu.composto) / Foto: acervo pessoal

A partir daí, os clientes iniciam o processo de separação adequada dos resíduos orgânicos – alimentos não comestíveis ou não utilizados. Após coletados e compostados, eles podem reduzir a dependência de fertilizantes químicos nas plantações. Outros benefícios também incluem a recuperação da fertilidade do solo e a melhora de fatores como retenção de água e entrega de nutrientes às plantas.

O serviço é oferecido a clientes interessados por meio do Instagram da Eu Composto (@eu.composto).

Educação

Segundo Mateus, antes de pensar na aprovação de uma lei eficiente, é preciso fazer alguns investimentos base que permitam o sucesso do projeto. Entre eles estão, principalmente, o foco em educação e infraestrutura. “O primeiro investimento é em educação ambiental.

“Nós precisamos discutir o problema do lixo com os cidadãos”, alerta. “Além disso é preciso ter uma infraestrutura adequada, que entendo que o Estado já tem, em parte, mas precisa adaptar”.

Além disso, Mateus sugere alternativas ainda mais otimistas, como a criação de vários pátios pequenos de coleta e compostagem, ao invés de um único pátio afastado. Em sua visão ideal, “um pátio de compostagem por bairro seria ótimo”. Outro plano eficiente, segundo ele, seria a implantação de projetos pilotos em alguns bairros, para testas as aplicações.

Ele ainda acrescenta que o próprio trabalho atual da Comurg pode contribuir para a realização da compostagem bem feita. “A grama retirada de parques e canteiros, por exemplo, pode ser reaproveitada no projeto”.

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