MA recebe projeto para monitoramento e restauração de corais em parque estadual
na cidade de Cururupu
Projeto SER Corais, com R$ 5,5 milhões do Fundo Socioambiental, terá ações em
Cururupu e ao longo de 2,8 mil km do litoral brasileiro.
O Parque Estadual Marinho Parcel Manuel Luís abriga uma grande biodiversidade,
incluindo espécies ameaçadas de extinção. O litoral abriga mais de 200 espécies
marinhas, como o tubarão dos recifes, e o coral-de-fogo, um falso coral. — Foto: SECOM/MA/Léo Francini
O Maranhão está entre os estados contemplados no primeiro projeto contratado no
âmbito do BNDES Corais, iniciativa considerada a maior já realizada no país dedicada exclusivamente à conservação e
regeneração de recifes de coral. O contrato foi assinado nesta sexta-feira (13)
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e marca o
início da execução do projeto SER Corais, com investimento de R$ 5,5 milhões do
Fundo Socioambiental e duração de 36 meses.
No estado, a área contemplada fica em Cururupu, no Parque Estadual Marinho
Parcel Manuel Luís. A execução ficará a cargo do Instituto Nautilus de Pesquisa
e Conservação da Biodiversidade, organização não governamental criada em 2006,
com atuação na conservação do ambiente marinho por meio de pesquisa científica,
educação ambiental e apoio técnico a projetos voltados ao bem-estar social e à
integração entre comunidades e natureza.
O SER Corais prevê a realização de mergulhos científicos, expedições de campo,
coleta e análise de dados ambientais e produção de mapas técnicos e relatórios
científicos para subsidiar políticas públicas de conservação marinha. O
monitoramento abrangerá recifes rasos distribuídos ao longo de cerca de 2,8 mil
quilômetros do litoral brasileiro, com acompanhamento da cobertura coralínea,
espécies associadas e presença de espécies exóticas invasoras.
Além do monitoramento em larga escala, o projeto desenvolverá protocolos de
restauração recifal e ações práticas de restauração ecológica, incluindo
experimentos de cultivo de corais in situ (viveiros no mar) e ex situ (em
laboratório), testes de diversidade genética e recomposição de áreas degradadas.
Também será criado um aplicativo para acionar o Protocolo Geral de Alerta,
Detecção Precoce e Resposta Rápida (PNADPRR) para espécies invasoras no ambiente
marinho, fortalecendo o sistema nacional de monitoramento e resposta a
bioinvasões.
A atuação será distribuída entre Maranhão, Alagoas (Japaratinga e Maragogi),
Bahia, Ceará, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte,
refletindo a extensão das áreas recifais monitoradas e a relevância ambiental
desses territórios. O projeto apoiará ao menos dez unidades de conservação,
avaliará a distribuição de duas espécies invasoras prioritárias, monitorará 28
espécies e realizará 43 eventos técnicos e oficinas ao longo da execução.
O que é o branqueamento de corais e por que ele é tão grave?
No Maranhão, além do monitoramento ambiental, estão previstas oficinas técnicas,
capacitação e apoio a atividades econômicas sustentáveis associadas aos recifes,
com impacto direto na proteção costeira, no turismo e na pesca. A iniciativa
também deve gerar empregos diretos e indiretos, fortalecer a capacidade técnica
de pesquisadores e ampliar a produção de conhecimento aplicado à gestão
costeira.
O monitoramento contínuo permitirá identificar fatores de estresse local, como
pesca predatória, poluição e urbanização desordenada, orientando medidas de
mitigação e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os recifes de corais são
fundamentais para a biodiversidade marinha, a proteção da costa e as atividades
pesqueira e turística. Ele afirmou que o projeto fortalece a ciência brasileira
e apoia soluções baseadas na natureza, alinhadas às prioridades do governo
federal.
A diretora Socioambiental do banco, Tereza Campello, destacou que o BNDES Corais
foi estruturado para combinar conservação ambiental, produção de conhecimento e
inclusão social, demonstrando que é possível proteger os recifes e, ao mesmo
tempo, fortalecer comunidades costeiras e promover desenvolvimento sustentável.
De acordo com a fundadora do Instituto Nautilus, Fabiana Felix, o SER Corais
amplia a estratégia já consolidada de monitoramento recifal realizada por meio
do projeto Budiões, patrocinado pelo Programa Petrobras Socioambiental e focado
nos peixes, estendendo o acompanhamento aos próprios corais e organismos
bentônicos e gerando dados estratégicos para políticas públicas e ações de
restauração.
A operação está alinhada à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento
Sustentável, à Década da Restauração de Ecossistemas e ao Plano de Ação Nacional
para Conservação de Ambientes Coralíneos (PAN Corais). O projeto integra a
iniciativa BNDES Azul, criada para fomentar o uso sustentável dos recursos
oceânicos, costeiros e hídricos do país, dentro do conceito de economia azul,
que reconhece o papel estratégico do mar — a chamada Amazônia Azul, com cerca de
5,7 milhões de km² — como vetor de inovação, geração de emprego e
sustentabilidade.
Na vertente ambiental, o BNDES Azul também reúne ações como o Planejamento
Espacial Marinho (PEM) nas regiões Sul, Sudeste e Norte; o Edital Manguezais do
Brasil, no âmbito da iniciativa Floresta Viva, em parceria com a Petrobras; o
próprio BNDES Corais; e o BNDES Sustentabilidade: Ilhas Oceânicas, Ninhos
Protegidos.




