SÃO PAULO (SP) — Duas iniciativas no interior do estado demonstram como a união entre escola, comunidade e poder público pode gerar impactos ambientais e sociais de grande escala, evitando a poluição de milhões de litros de água e garantindo segurança alimentar para mais de mil famílias. Os projetos foram destaque no programa Tem Solução e mostram resultados concretos em cidades como Tupã e Birigui.
Gincana escolar evita contaminação de 120 milhões de litros de água
Em Tupã, o projeto “Óleo do Bem” completou cinco anos de atuação e já conta com 21 pontos de coleta espalhados pela cidade. A iniciativa, desenvolvida em parceria com o programa Recicóleo da Unesp local, transforma o descarte correto de óleo de cozinha usado em uma corrente de educação ambiental. Em uma gincana recente na Etec de Tupã, os estudantes arrecadaram 4.813 litros de óleo lubrificante e de cozinha. Cada litro entregue pela população é trocado por uma barra de sabão ecológico, e o resíduo coletado vira matéria-prima para a produção de biodiesel. De acordo com o professor Paulo Barbosa dos Santos, a ação evitou a contaminação de 120 milhões de litros de água e deixou de emitir 57 toneladas de CO₂ na atmosfera. O descarte incorreto do óleo na pia entope a rede de esgoto e destrói mananciais, problema que o projeto ataca na raiz, desde a conscientização dos jovens até a logística reversa.
Hortas comunitárias alimentam 1.300 famílias em Birigui
Em Birigui, a transformação começou com áreas públicas que antes estavam abandonadas. Hoje, a cidade mantém 57 hortas comunitárias e cinco áreas de agricultura familiar, totalizando quase 113 mil metros quadrados de cultivo orgânico. O modelo de gestão é colaborativo: um terço da colheita fica com os moradores que cuidam dos canteiros para consumo próprio; outro terço pode ser vendido na vizinhança, gerando renda extra; e o último terço é doado ao Banco de Alimentos municipal, que abastece 14 entidades assistenciais da cidade. O projeto garante segurança alimentar para cerca de 1.300 famílias. Um dos voluntários, o aposentado Domingos Iezzi, trabalha nos canteiros há 32 anos e define a atividade como uma terapia diária. O motorista Dorival Rantinqueiri, que apoia o manejo há seis anos, destaca o acesso rápido a produtos orgânicos colhidos na hora. Nas cidades do interior de SÃO PAULO, a mobilização comunitária prova que atitudes simples, quando organizadas, geram impactos duradouros tanto para o meio ambiente quanto para a qualidade de vida da população.





