Promotor especialista em PCC diz que fim de apoio da PRF é retrocesso
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, membro do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e especialista em investigar o Primeiro Comando da Capital (PCC), criticou a decisão da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que suspendeu todos os acordos de cooperação técnica com a Polícia Federal (PF) e com os Ministérios Públicos estaduais.
Segundo Gakiya, a medida tomada pela PRF fará com que agentes atualmente destacados para ajudar Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) da PF e os Gaecos estaduais retornem às suas funções originais. Para o promotor, essa atitude é um retrocesso, já que não há impedimento legal para a participação da PRF nessas operações, que visam o combate ao crime organizado de forma integrada.
Gakiya ressalta que as Polícias Militares estaduais também colaboram com os Gaecos em todo o país, assim como as Polícias Penais Federal e Estaduais, que fazem parte das FICCOs, sem exercerem papel de Polícia Judiciária. Ele destaca a importância da coordenação nacional e da integração entre as forças policiais, algo essencial no cenário atual de segurança pública.
A ordem para a retirada da PRF dessas forças-tarefas foi emitida por meio de circular do diretor-geral da PRF. A iniciativa visa adequar os acordos existentes às novas normas estabelecidas, após análise de situações específicas relacionadas à atuação da PRF junto aos órgãos parceiros. Essa decisão tem gerado preocupação nos órgãos envolvidos, que temem prejuízos às operações em andamento.
Em São Paulo, a atuação conjunta da PRF com o Gaeco resultou em diversas operações de grande impacto, como a “Fim da Linha”, que revelou a participação do PCC nas empresas de ônibus da capital, e a “Salus et Dignitas”, contra o crime organizado na Cracolândia. Essas parcerias têm sido fundamentais para o sucesso de investigações e a desarticulação de quadrilhas.
Ao longo dos anos, operações conjuntas entre a PRF, Gaeco, Polícia Civil e outros órgãos têm sido fundamentais para o combate ao crime organizado em São Paulo. A saída dos agentes da PRF dessas operações pode comprometer o andamento das investigações e dificultar o trabalho de desmantelamento de grupos criminosos atuantes no estado.
Diante desse cenário, é fundamental que haja um diálogo entre as instituições envolvidas e que se encontrem soluções para manter a integração e a colaboração no combate ao crime organizado. A atuação conjunta das forças de segurança é essencial para garantir a segurança e a integridade da população, e qualquer retrocesso nesse sentido deve ser avaliado com cautela.