Promotoria pede condenação de ex-diretor do Atlético Mineiro por desvio de R$4 milhões: entenda o caso e suas implicações.

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O Diário do Estado, por meio da 12ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, solicitou a condenação de Carlos Antônio Silva Fabel, ex-diretor financeiro do Atlético Mineiro, pelo crime de apropriação indébita majorada, previsto no Código Penal nos casos em que alguém se apropria de um bem que lhe foi confiado. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (28) e o caso ainda precisa ser julgado. A denúncia aponta que o ex-diretor financeiro usou empresas para desviar cerca de R$ 4 milhões do clube, no período entre 2013 e 2019.

Procurada pelo Diário do Estado, a defesa dele não quis se manifestar (leia mais abaixo). Entre as irregularidades apontadas, constam pagamentos à empresa Consultoria Pontual Ltda. que totalizaram R$ 6.257.893,92, dos quais R$ 3.173.393,92 não tinham respaldo em contratos, aditivos ou prestação de serviços. Também há pagamento de R$ 6.341.974,98 à Art Sports Assessoria Ltda. em contrato de R$ 5.484.720,00, com um excedente de R$ 857.254,98 sem justificativa.

Nas alegações finais do processo, o promotor de Justiça Mauro da Fonseca Ellovitch pede que o ex-diretor seja condenado pelo crime de apropriação indébita majorada. Ele também pede a suspensão dos direitos políticos do acusado e a reparação integral dos danos causados ao patrimônio do Clube Atlético Mineiro. Como os repasses irregulares aconteceram diversas vezes e com o mesmo padrão, o MP pediu que a punição seja aumentada até o limite máximo previsto em lei.

O ex-diretor, segundo o MP, aproveitou o poder do cargo e a limitação das auditorias internas do clube para autorizar os pagamentos. Como as auditorias da época checavam apenas uma parte dos gastos (por amostragem), os repasses para as empresas do dirigente passavam despercebidos. Segundo o Ministério Público, esses repasses foram autorizados diretamente pelo então diretor, que assinava notas fiscais e ordenava pagamentos às próprias empresas, prática considerada “totalmente incomum” pelas testemunhas ouvidas, incluindo ex-presidentes do clube.

Em nota, o advogado Thiago Almeida, que representa Carlos Fabel, informou que “a defesa somente se manifestará perante o Poder Judiciário, a quem confia uma solução justa”. A situação reforça a importância da transparência e da integridade nas gestões de instituições esportivas, garantindo a lisura e a ética nos processos financeiros e administrativos. O desfecho desse caso pode impactar não apenas o âmbito esportivo, mas também o entendimento da sociedade em relação à responsabilidade e prestação de contas no cenário esportivo nacional.

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