Gravações, arquivos digitais, mensagens: as provas reunidas contra Bolsonaro e 7 réus para o julgamento do golpe
Segundo a Procuradoria-Geral da República, a organização criminosa “documentou quase a totalidade” das ações para a ruptura democrática. O julgamento começa nesta terça (2).
O ex-presidente Jair Bolsonaro deu entrevista à agência Reuters após ser alvo de medidas restritivas em 18 de julho de 2025.
A ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus – que vai a julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) – reuniu uma série de documentos que indicam a atuação da organização criminosa em direção à ruptura democrática.
Ao apresentar as conclusões finais sobre o caso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o grupo que participou da tentativa de golpe de Estado em 2022 “documentou quase a totalidade” de seus movimentos. Ele destacou que a organização criminosa usou gravações, manuscritos, arquivos digitais, planilhas e trocas de mensagens eletrônicas para documentar suas ações.
Nesta fase do processo, a Procuradoria-Geral da República solicitou a condenação dos acusados, incluindo Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, além de outros crimes relacionados à deterioração do patrimônio tombado. Segundo as alegações finais, os réus negaram envolvimento com qualquer ação golpista.
O julgamento envolve ainda Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto. Eles respondem por cinco crimes, incluindo tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e deterioração de patrimônio tombado.
Entre as provas reunidas durante a investigação destacam-se gravações de transmissões ao vivo com ataques às urnas eletrônicas, planos de desacreditar o sistema eleitoral, evidências de manipulação da vontade popular, além de registros de convocações do Alto Comando do Exército para apresentar medidas que visavam impedir a posse do governo após as eleições.
Diante de todas essas evidências, a Procuradoria-Geral da República conclui que a organização criminosa agiu de forma coordenada e progressiva, com divisão de tarefas entre seus integrantes, em um projeto autoritário de poder. A existência do crime de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito fica materialmente comprovada pelos atos realizados. As provas também apontam para a existência de uma organização criminosa enraizada na estrutura do Estado.
Todo esse cenário evidencia uma conduta grave e preocupante que precisa ser devidamente julgada para garantir a manutenção da democracia e da ordem constitucional. É necessário que o julgamento seja conduzido com base nas provas apresentadas e que a justiça seja feita em relação aos réus envolvidos nesse processo histórico.