Caso Renata Alves: psicólogo é condenado a mais de 71 anos de prisão por matar administradora com tiro na testa e outros crimes
João Raimundo Vieira foi condenado por homicídio qualificado, violência sexual, lesão corporal em contexto de violência doméstica, cárcere privado e porte ilegal de armas de fogo.
Família e amiga de Renata Alves mostram alívio após condenação a 71 anos de prisão do assassino
Foi condenado a 71 anos, 2 meses e 26 dias de prisão o psicólogo João Raimundo Vieira da Silva de Araújo, que matou com um tiro na testa a namorada, a administradora Renata Alves Costa, de 35 anos. Ele foi julgado por feminicídio e outros crimes num júri que começou na quarta (25) e terminou na quinta (26), no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na Ilha de Joana Bezerra, no Centro do Recife.
O crime aconteceu em 6 de agosto de 2022, no apartamento onde a vítima morava, em Campo Grande, na Zona Norte da capital. O júri, composto por seis mulheres e um homem, decidiu condenar o acusado pelos crimes de homicídio qualificado por feminicídio, meio cruel, motivo torpe e impossibilidade de defesa. Somente por esse delito, a pena é de 29 anos e 22 dias.
Somam-se a esse tempo de prisão os seguintes delitos, pelos quais João Raimundo também foi condenado:
– Sequestro: 2 anos, 6 meses e 11 dias;
– Tentativa de sequestro: 1 anos, 8 meses e 8 dias;
– Estupro continuado: 22 anos e 6 meses;
– Lesão corporal: 6 anos, 5 meses e 15 dias;
– Porte de arma (calibre 40): 4 anos e 6 meses;
– Porte de arma (pistola Tauros): 4 anos e 6 meses.
Na mesma sessão, João Raimundo foi julgado por tentativa de cárcere privado contra outras duas mulheres. Como o processo segue em segredo de Justiça, o nome das duas vítimas não foram divulgados. O DE e a TV Globo tentaram, mas não conseguiram contato com a defesa dele.
No julgamento, a promotora Ana Clézia Ferreira comentou sobre o caso de Renata Alves e disse que foram mais de oito meses de extrema violência diária. Segundo ela, o agressor era extremamente violento e silenciava a vítima até o dia do crime.
A sentença foi proferida pelo juiz…
A resposta da Justiça trouxe esperança, de acordo com Paula Limongi, amiga da administradora e vice-presidente do Instituto Banco Vermelho – projeto de conscientização da sociedade sobre violência doméstica:
“Esperança de ver a justiça ser feita. Esperança de saber aqui de uma condenação de mais de 71 anos. Esperança também de que um dia esse judiciário mude, que não haja progressão de pena para crimes como feminicídio. Então, hoje, a Justiça deu uma resposta que ela precisava dar. É uma sensação de alívio.”
O CRIME
Renata Alves foi morta em 6 de agosto de 2022, no apartamento onde morava. As últimas imagens dela mostram Renata no elevador com o então namorado, que foi preso três dias depois, no aeroporto de Natal. Ao tentar embarcar para São Paulo, ele teve duas armas ilegais apreendidas, incluindo a pistola usada no assassinato. O casal se relacionou por cerca de oito meses e começou a morar juntos no dia 28 de março de 2022.As investigações apontaram que João Raimundo praticava violência física, doméstica e psicológica. Ainda segundo a polícia, ele mentia para Renata desde o início do relacionamento e fazia chantagem emocional.
João Raimundo, em depoimento, afirmou que o tiro foi acidental. Porém, essa tese foi descartada após perícias. Ele já respondia por tentativa de homicídio e usava tornozeleira eletrônica, retirada pouco antes de tentar fugir. Ele foi preso anteriormente por agredir a ex-esposa e balear dois funcionários de hotel, ficando preso de dezembro de 2019 até abril de 2020.
Em resumo, a condenação de João Raimundo Vieira é um marco na luta contra a violência doméstica e feminicídio no Brasil, trazendo esperança para outras vítimas e suas famílias. A punição exemplar serve como alerta para que crimes dessa natureza não fiquem impunes. O caso de Renata Alves reforça a importância da justiça ser feita e do combate contínuo a todas as formas de agressão contra as mulheres.




