A Quarta de Cinzas em Olinda se transformou em um dia de celebração e resistência ao fim do carnaval, com eventos como o Mungunzá de Zuza Miranda e o tradicional Bloco do Bacalhau do Batata, que animam os foliões mesmo após uma semana intensa de festas. O versículo “Ó, quarta-feira ingrata, chega tão depressa só para contrariar” ganha um novo sentido nas ladeiras da cidade, onde a alegria carnavalesca continua pulsando até o último momento.
O Bacalhau do Batata, criado pelo garçom Isaías Pereira da Silva em 1962, foi concebido para oferecer diversão àqueles que trabalhavam durante o carnaval oficial. Hoje, o bloco se tornou uma tradição e transforma a Quarta-feira de Cinzas em uma extensão da festa, com o desfile do estandarte contendo ingredientes reais como peixe, legumes e verduras. Outro destaque é o Mungunzá de Zuza Miranda e Thaís, distribuído aos foliões que se preparam para o desfile do Bacalhau.
A distribuição do mungunzá marca a passagem simbólica dos foliões para o Bloco do Bacalhau do Batata, mantendo viva a tradição há 31 anos. A festa conta com orquestra de frevo, passistas, e bonecos gigantes, tornando a Quarta de Cinzas uma jornada de renovação e celebração. O evento é embalado por um caldo doce feito de leite de coco e milho, que recarrega as energias dos participantes após uma semana intensa.
Diversas personalidades como a presidente do Bacalhau do Batata, Fátima Araújo, e a cantora Liniker marcam presença no desfile do bloco, que conta com a participação de foliões engajados e apaixonados pela festa. A aposentada Maria José Soares, moradora de Casa Amarela, mantém o ritual da Quarta de Cinzas há duas décadas, saindo de casa cedo para não perder o mungunzá e o bacalhau. Para ela, o dia simboliza o encerramento verdadeiro do carnaval, com tranquilidade e alegria.
O Bloco do Bacalhau do Batata atrai pessoas de todas as idades, como a trabalhadora autônoma Vilma Gonçalves, que acompanha a festa há mais de 20 anos. Este ano, ela teve a oportunidade de trazer sua filha Rebeca para desfrutar da magia do evento, tornando a experiência ainda mais especial. Com a participação de novos foliões, como a professora Ana Paula da Silva, o carnaval de Olinda se mantém como uma celebração mágica, criativa e diversa, marcando o encerramento da folia com muita alegria e tradição.




