Quatro em cada dez cirurgias plásticas são reconstrutoras

O mercado de cirurgia plástica tem sempre bastante demanda para intervenções estéticas, mas as reconstruções também são bastante procuradas nos consultórios médicos. Em todo o País, 40% das operações visam esse objetivo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

“A cirurgia plástica é tão antiga quanto a própria medicina e ela foi desenvolvida baseada em reconstruções. Temos exemplos de reconstruções de mama, após tratamento de câncer, destruição de partes da face devido a acidente de carro, ‘correção’ de deformidades congênitas, como ausência de orelha, dedinhos da mão colados ou lábio leporino”, explica o cirurgião plástico Paulo Renato Simmons.

Pequenas correções que podem ter fim estético e reparador simultaneamente também fazem parte da lista, a exemplo da blefaroplastia. É uma intervenção para retirar o excesso de pele sob os olhos que causa a famosa “pálpebra caída” e pode atrapalhar a visão do paciente. Alguns procedimentos no nariz conseguem resolver a aparência e solucionar alterações funcionais nasais, como desvio de septo.

Adultos e crianças vítimas de queimaduras encontram no viés reparador da medicina plástica a esperança para recuperar qualidade de vida e social com a melhoria da aparência física. “Vai depender se será necessário apenas curativo ou se haverá procedimento com necessidade de enxerto de pele, que é a colocação de pele no local, ou retalhos, que é do próprio organismo. Pacientes que ficaram com alguma sequela fazem também o que chamamos de reconstrução. São realizadas cirurgias para abrir esse tecido e melhorar através de enxertos”, ressalta o cirurgião plástico. 

No país vice-líder em cirurgias plásticas no mundo, Goiás é o quarto no ranking nacional de procedimentos estéticos, de acordo com a regional da SBCP. Empresas de vendas de próteses de silicones apontam o estado como um dos que mais têm procura por intervenção na região dos seios. A vaidade e o alto poder aquisitivo da população ajudam a explicar o cenário favorável para o “estica e puxa” estético que aumentou desde o início da pandemia. A exposição dos olhos durante a pandemia levou muitas pessoas ao consultórios pedindo correção nessa região e também na parte do rosto coberta pela máscara de proteção contra covid. O uso de filtros de fotos e popularização de blogueiras ainda estimularem a busca por resultados iguais ou parecidos das fotos de influenciadores digitais.

Turismo médico

Goiânia é reconhecida como um polo da saúde regional e atrai pacientes interessados em  consultas, procedimentos e cirurgias até do exterior. Um quarto dos visitantes (25,7%) que se hospedaram na rede hoteleira da capital desembarcaram na cidade com esse intuito, de acordo com o censo hoteleiro mais recente, feito entre 2017 e 2018. O chamado turismo da saúde é reflexo da infraestrutura e expertise dos profissionais de diversas especialidades, inclusive de medicina plástica. 

Lipoaspiração, aumento de mama, cirurgia de pálpebra, abdominoplastia, lifting de mama e rinoplastia são os preferidos das pessoas. Com milhares de intervenções realizadas anualmente, os brasileiros perdem apenas para os norte-americanos no número de cirurgias plásticas, conforme dados da Sociedade Internacional da Cirurgia Plástica. A popularização ajudou a baratear e a facilitar o pagamento da realização do sonho de muitas pessoas no Brasil, inclusive por meio de consórcios. Entre as principais capitais brasileiras, Goiânia figura como uma das que tem melhor custo-benefício para o paciente.

O número de profissionais vem acompanhando a demanda em ascensão. De acordo com a SBCP nacional, Goiânia tinha 205 cirurgiões plásticos há três anos. O número é um quinto do contabilizado em São Paulo (1.050), a capital com mais profissionais do País, seguido por Rio de Janeiro (666), Belo Horizonte (322) e Porto Alegre (271).

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Agrodefesa apreende 10 mil embalagens de agrotóxicos armazenadas de forma irregular

A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), em parceria com a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Rurais (DERCR), deflagrou, na última terça-feira, 17, em Trindade e Paraúna (GO), a Operação Terra Limpa.

A ação resultou na apreensão de mais de 10 mil embalagens vazias de agrotóxicos que estavam armazenadas de forma irregular, em desacordo com legislações ambiental e de defesa agropecuária vigentes.

As embalagens foram encontradas em diferentes estados de processamento — algumas prensadas, outras trituradas —, e estavam em condições inadequadas de armazenamento. Também foi descoberto um caminhão carregado com embalagens vazias.

Os profissionais envolvidos na operação identificaram que os materiais eram triturados para reciclagem, porém a destinação final das embalagens não cumpria as normas legais de devolução de embalagens vazias de agrotóxicos.

Os materiais apreendidos – que totalizaram seis caminhões com produtos – foram enviados para a Associação Goiana de Empresários Revendedores de Produtos Agropecuários (Agerpa), localizada em Goiânia, e para a Associação dos Distribuidores de Produtos Agrícolas de Rio Verde (Adirv) para pesagem e destinação final.

Essas associações são unidades que representam os estabelecimentos comerciais de insumos agrícolas, autorizadas a recepcionar e dar a correta destinação final das embalagens vazias – que passam por tríplice lavagem pelos produtores -, ou ainda daquelas que podem conter resíduos de agrotóxicos.

Segundo a gerente de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, Daniela Rézio, os fiscais estaduais agropecuários e os agentes da Polícia Civil apuraram ainda que a intenção do proprietário do estabelecimento era desviar as embalagens para recicladoras clandestinas.

“É importante destacar que o processo legal de reciclagem de embalagens vazias de agrotóxicos é de competência do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). A instituição é responsável pela gestão da política reversa das embalagens vazias de agrotóxicos e nós, da Agrodefesa, estamos inseridos nesse processo como responsáveis por orientar os produtores e fiscalizar o cumprimento da obrigatoriedade legal do correto armazenamento e devolução das embalagens vazias”, informa.

Penalidade

Além da apreensão do material, o responsável pelo estabelecimento foi detido pela Polícia Civil e autuado pelos fiscais da Agrodefesa. De acordo a com legislação federal e estadual de agrotóxicos, a previsão é que esse tipo de infração tenha penalidades administrativa e criminal, com multas que podem chegar a R$ 50 mil, além de pena de reclusão, de dois a quatro anos.

O presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, reforça que esse tipo de prática de descarte e armazenamento irregular de embalagens de agrotóxicos vazias, além de ser crime, coloca em risco o meio ambiente, a saúde pública e a economia no Estado.

“Pode trazer sérios danos para a população e afetar toda uma cadeia produtiva. Por isso, casos como esses devem ser denunciados aos órgãos competentes para que as medidas de prevenção e repressão sejam tomadas o mais rápido possível”.

Denúncia

A operação foi realizada a partir do trabalho inicial de apuração feito em Paraúna (GO) por fiscais estaduais agropecuários da Unidade Regional Rio Verdão da Agrodefesa. No município, os profissionais identificaram desvios, processamento e envio de embalagens de agrotóxicos para Trindade.

O coordenador da UR Rio Verdão, Giovani Miranda, destaca que a partir disso foi possível a identificação dos receptadores e a localização do galpão em que o processamento clandestino das embalagens acontecia.

“Essas medidas possibilitaram à Delegacia de Crimes Rurais a apreensão de outras quatro cargas nesse mesmo depósito”, informa.

Participaram da ação fiscais estaduais agropecuários das Unidades Rio dos Bois e Rio Verdão, e da Gerência de Fiscalização Agropecuária, sob coordenação da Gerência de Sanidade Vegetal, além de agentes da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Rurais (DERCR).

Destinação correta de embalagens de agrotóxicos

Em Goiás, são 13 associações credenciadas pelo inpEV, que juntas são responsáveis pela gestão em 27 Unidades de Recolhimento de Embalagens Vazias (UREV), devidamente cadastradas na Agrodefesa, sendo 17 Postos e 10 Centrais, localizadas nos seguintes municípios:

Acreúna, Anápolis, Bom Jesus, Catalão, Ceres, Cristalina, Formosa, Goianésia, Goiânia, Iporá, Itaberaí, Itumbiara, Jataí, Luziânia, Mineiros, Morrinhos, Paraúna, Piracanjuba, Porangatu, Quirinópolis, Rio Verde, Santa Helena de Goiás, Vianópolis e Vicentinópolis.

Os empresários que utilizam agrotóxicos, ao concluírem a aplicação, devem realizar a tríplice lavagem, armazenamento adequado e a devolução das embalagens vazias, suas tampas e eventuais resíduos pós-consumo dos produtos aos estabelecimentos comerciais em que foram adquiridos, de acordo com as instruções previstas nas respectivas bulas, no prazo de até um ano, contado da data de compra, ou da data de vencimento.

A devolução pode ainda ser intermediada por postos ou centrais de recebimento, bem como por ações de recebimento itinerantes, desde que autorizados e fiscalizados pelo órgão competente, nesse caso em Goiás, pela Agrodefesa, com a gestão sob responsabilidade do inpEV junto às suas associações de revendas credenciadas.

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