Ebony esteve no podcast DE Ouviu nesta semana e trouxe à tona discussões relevantes sobre liberdade artística, respeito mútuo entre rappers e a evolução dos shows na cena nacional, temas que têm movimentado o universo do rap e dos famosos recentemente.
Durante a entrevista, a rapper, que lançou a faixa “Espero Que Entendam” em 2023 e ironizou diversos nomes masculinos do gênero, destacou que sua intenção foi abordar com bom humor artistas que já conhecia, como L7NNON. “Fiz músicas brincando com artistas homens que eu já conheço. Eles não responderam porque são inteligentes”, declarou a cantora, contextualizando o cenário em que piadas e provocações muitas vezes são mal compreendidas pelo público.
Segundo Ebony, o trabalho não se enquadra como “diss track” – músicas polêmicas criadas para atacar abertamente outros músicos, diferencial que, segundo ela, ficou claro ao comparar seu caso com o recente embate internacional entre Kendrick Lamar e Drake. Para a rapper, a rivalidade mundial mexeu a fundo com a autoestima dos envolvidos, enquanto sua proposta foi leve e criativa.
Debate sobre liberdade artística e estrutura profissional no rap
Outro ponto ressaltado pela artista nesta entrevista ao DE foi a defesa da liberdade no processo criativo. Ebony reforçou que acredita “na liberdade artística acima de julgamentos morais”, mostrando-se firme quanto à necessidade de garantir que todos os celebridades possam criar sem medo de represálias ou censura – visão que ela deseja ver mais disseminada na cena nacional.
Ela apontou, ainda, a carência de organização para discussões políticas estruturadas entre rappers do Brasil, relatando que já tentou juntar outros músicos para debater o papel do gênero na sociedade. “A gente ainda está aprendendo a se portar, a ser mais empresarial”, afirmou Ebony, mostrando como o amadurecimento profissional é uma meta a ser buscada ao lado do crescimento artístico. Curiosamente, foi ao transitar entre gêneros como MPB que ela sentiu abertura para diálogos mais profundos sobre letras e mercado.
Ebony também aproveitou o bate-papo para expor sua crítica sobre a performance no palco de rappers brasileiros, especialmente homens. Segundo ela, falta investimento visual e performático nos espetáculos nacionais. “Vou me locomover pra ver um cara com um microfone e um sonho apenas?”, questionou, incentivando os colegas a pensarem na experiência do público para além da música.
Encontros com ícones da MPB e colaboração entre gêneros
Durante a conversa no DE, a artista revelou bastidores interessantes de encontros recentes com nomes consagrados da MPB, como Rubel e Caetano Veloso, destacando como a convivência com essas referências de diferentes segmentos ampliou sua visão sobre composição e estrutura musical. “Fiquei conversando sobre lírica com o Rubel”, contou Ebony, deixando claro o interesse em absorver aprendizados além do universo tradicional do rap.
A proximidade com a MPB não para por aí: Ebony revelou que existe possibilidade real de um feat (parceria musical) com Adriana Calcanhoto, que elogiou sua criatividade e aguarda a troca artística. “Sinto que vai vir uma guia quente pra mim. Assim espero, Adriana”, declarou, demonstrando empolgação com futuras colaborações que mesclam gêneros distintos, fortalecendo a ideia de intercâmbio entre gerações e estilos na música brasileira.
Essas trocas mostram o quanto a cena atual do rap está aberta à experimentação e à busca por novos caminhos. Ebony já aponta reflexos diretos desse diálogo amplo em seus trabalhos recentes e vê como positiva a tendência de unir talentos de ramos tão distintos quanto o rap e a MPB. No contexto brasileiro, parcerias assim fortalecem a cultura local e promovem intercâmbios inovadores entre artistas renomados.
Maturidade artística e novas influências no álbum “KM2 (De Luxo)”
Sua recente fase evidencia amadurecimento pessoal e musical. Ebony, que iniciou a carreira no rap aos 17 anos, faz uma autoanálise do próprio desenvolvimento lírico e tem buscado incluir temáticas mais maduras e políticas em seu novo álbum, “KM2 (De Luxo)”, lançado neste ano. “É só minha moleira fechando”, brincou a cantora, fazendo menção ao ditado popular que simboliza crescimento e experiência.
A transformação fica nítida quando ela compara as letras de seu início, consideradas por ela “mais simples” e de humor espontâneo, à complexidade de suas composições atuais. “Agora sou uma mulher de 25 anos. Não foi proposital, mas é um reflexo disso”, pontuou, ressaltando como a maturidade reflete-se inevitavelmente no processo criativo. Ebony se conecta com uma geração de famosos que buscam exercer papel de influência responsável, indo além das provocações superficiais que marcaram fases anteriores do gênero.
O álbum “KM2 (De Luxo)” também desponta pelo feat com Black Alien, um dos nomes mais respeitados do hip-hop nacional. Ebony não poupou elogios: “Ele é o maior liricista do Brasil de qualquer gênero. Ele atravessou todos os gêneros musicais e se manteve rap. Tenho muito respeito sobre ele. Foi só um feat, mas foi O FEAT”, destacou, celebrando o peso da participação em sua consolidação artística.
O que esperar do futuro do rap nacional e dos próximos lançamentos
De acordo com Ebony, a cena do rap nacional ainda está em um estágio de crescimento, mas a expectativa é de que, nos próximos anos, haja maior profissionalização na gestão de carreiras e, principalmente, mais apostas em espetáculos completos para o público. “Os maiores festivais do Brasil têm recebido rappers em line-ups cada vez maiores, mas falta um olhar para o entretenimento além do som”, afirmou, sugerindo que há espaço para inovações e para repensar o formato dos shows, especialmente em grandes centros e festas populares.
Para os próximos meses, a artista promete continuar inovando e reunindo influências diversas, com destaque para a possível parceria inédita com Adriana Calcanhoto e novas experimentações artísticas. Ebony também pretende participar de conversas e fóruns sobre o futuro do rap, defendendo a maior presença de mulheres e de celebridades negras nos palcos e na liderança de projetos.
O que esperar para os próximos dias? Ebony reforça que manterá a busca por autenticidade e criatividade, sem abrir mão da defesa da liberdade de expressão e do incentivo à colaboração entre diferentes gêneros musicais. Seus próximos shows e lançamentos serão marcados por essa mistura e devem fortalecer ainda mais sua presença como voz relevante e inovadora no Brasil, ecoando debates sobre o papel dos artistas na promoção da diversidade cultural.
O episódio completo da entrevista com Ebony no DE Ouviu já está disponível nas principais plataformas de streaming e promete inspirar tanto admiradores antigos quanto novos fãs da artista. O conteúdo inclui não apenas curiosidades sobre suas composições, mas dicas valiosas para jovens talentos que desejam ingressar na cena do rap nacional.
Para quem acompanha os bastidores do universo dos famosos e se interessa por discussões sobre a evolução da música brasileira, vale conferir o bate-papo. Ebony falou abertamente sobre reconhecimento, desafios e sonhos para o futuro, mostrando que a transformação da cena depende desse tipo de diálogo franco e construtivo.
Em resumo, a presença de Ebony no DE Ouviu representa um marco no debate sobre liberdade artística, protagonismo feminino e reinvenção dos espetáculos de rap. Os próximos meses prometem novidades empolgantes para fãs do gênero, enquanto Ebony segue consolidando seu nome entre as vozes mais influentes e provocativas do cenário musical nacional.



