Rashid analisa atual cena do rap nacional: saiba os detalhes

Rashid analisa atual cena do rap nacional: saiba os detalhes

Rashid — O rapper esteve recentemente no g1 Ouviu, onde refletiu sobre a situação atual do rap nacional e as batalhas que enfrentou ao longo da sua carreira, destacando a importância da memória e da tradição no hip hop.

Durante a entrevista, Rashid, que é natural do São Paulo (SP), expressou sua preocupação com o afastamento dos valores que fundamentaram o movimento do rap no Brasil, afirmando que isso pode significar a aceitação do esquecimento. “Parece que estamos nos distanciando de valores que fundamentaram nosso movimento. Isso é assinar nossa permissão para o esquecimento”, disse o artista, que tem 38 anos e se tornou uma voz respeitada dentro do gênero.

A preservação da memória, segundo Rashid, é fundamental para a continuidade do hip hop e a conexão com suas raízes. Ele enfatizou que o rap está intrinsicamente ligado ao território e à mensagem que os artistas desejam passar. “A memória está conectada com a nossa mensagem, com o nosso território”, complementou, abordando a importância de sempre reconhecer e valorizar quem veio antes.

O que diz Rashid sobre suas referências musicais?

Em um momento especial da conversa, Rashid reviveu suas memórias afetivas ao mencionar Milton Nascimento, uma de suas grandes inspirações. “Minha avó materna conheceu ele. Quando eu soube, meu amor virou fanatismo. Não mexe com meu Milton Nascimento!”, contou o rapper, que sempre buscou misturar referências diversas em sua música.

O artista também se lembrou de sua infância, que foi dividida entre São Paulo e o interior de Minas Gerais. Ele destacou as diferenças marcantes entre as periferias urbanas e a vida rural, descrevendo “pobrezas diferentes”. Rashid acredita que essas experiências moldaram sua arte: “A periferia de São Paulo é completamente urbana, cinza, falta de dinheiro. No interior de Minas Gerais, era roça, amigos na plantação de cana e alambique.”

Qual é a importância das batalhas de rimas para Rashid?

Durante a entrevista, Rashid comentou sobre o papel das batalhas de rimas no cenário atual, afirmando que elas “chegaram ao lugar do entretenimento”. O rapper, que já foi potencialmente cancelado duas vezes no famoso festival Lollapalooza devido a questões climáticas, se mostra grato por ter conseguido se apresentar uma terceira vez, após quase recusar o convite.

“Fomos morrendo de medo. Quando subo no palco e vejo aquele público, penso: nenhum daqueles anos teria sido assim, tão cheio”, lembrou Rashid, que se sentiu preparado para o momento – uma apresentação que ele afirma ter sido uma grande conquista em sua carreira. O rapper revela que, após anos de espera e frustração, sair do palco após a apresentação foi uma experiência gratificante, comparando-a à emoção de uma vitória em um campeonato de futebol.

Como Rashid viu sua carreira mudar ao longo dos anos?

O rapper também revisitou os primeiros dias de sua carreira, quando utilizava plataformas como o MySpace para divulgar suas músicas. Ele recordou da competição feroz pela atenção do público e do difícil caminho até alcançar a notoriedade. “Na época, era como colocar uma carta na garrafa e jogar no mar. A gente não sabia onde ia chegar. Hoje sei minha fanbase”, explicou Rashid, refletindo sobre a evolução de sua carreira desde aqueles tempos.

Ele ainda expressou o quanto significava receber 5 mil plays em suas músicas na plataforma naquela época. “Foi meu Grammy. E nem eram plays meus, eram de outras pessoas”, acrescentou, revelando o valor sentimental que isso trouxe para sua trajetória.

Quais são as perspectivas de Rashid para o futuro do rap nacional?

Em meio a reflexões sobre o futuro do rap, Rashid mostrou-se esperançoso, mas alerta quanto aos desafios que confrontam a cena. Ele acredita que é vital continuar essa luta pela manutenção dos ideais que sustentam o movimento e pela valorização dos artistas que trouxeram o rap até aqui. “Se nossa indústria fosse minimamente imagética, já teria sido suficiente para me colocar na gaveta,” observou ele, referindo-se à necessidade de inovação e relevância no cenário atual.

O rapper concluiu a conversa ressaltando a importância da conexão entre o passado e o futuro do hip hop, sem jamais deixar de lado as vozes que pavejaram o caminho. “A gente está sempre falando dos que vieram antes,” finalizou Rashid, reafirmando seu compromisso com a memória e a verdade dentro de sua música.

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