Ratinho — O apresentador de televisão de 70 anos, figura emblemática do SBT, voltou ao centro das atenções após fazer comentários considerados transfóbicos sobre Erika Hilton durante participação no podcast Papagaio Falante, gravado em São Paulo. A polêmica ganhou ainda mais destaque nesta semana, levando a intensos debates sobre limites do humor na TV, representatividade e responsabilidade social de figuras públicas no Brasil.
Ratinho, conhecido por seu estilo irreverente, declarou que está tentando mudar a postura em relação a brincadeiras na televisão, especialmente após pedidos feitos diretamente por Daniela Beyruti, presidente da emissora, para evitar processos judiciais. Apesar disso, o comunicador afirmou durante o bate-papo com Sérgio Mallandro que segue com as próprias convicções, provocando a ira de defensores dos direitos da comunidade LGBTQIAPN+ em todo o país.
Os comentários do apresentador foram feitos no contexto de discussões sobre quem deveria assumir a presidência da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. Ratinho afirmou que, em sua opinião, apenas “mulheres de verdade” deveriam ocupar tal posição, citando características biologicamente femininas. A fala foi recebida como transfóbica e rapidamente viralizou, repercutindo principalmente nos perfis oficiais de notícias em entretenimento e entre personalidades públicas.
O que se sabe sobre a nova polêmica de Ratinho em São Paulo?
O episódio do podcast Papagaio Falante foi gravado em São Paulo, onde Ratinho mais uma vez expôs opiniões controversas sobre identidade de gênero. Em determinado momento, ao ser questionado por Sérgio Mallandro se estava se atualizando para evitar críticas e processos, o apresentador admitiu não buscar informações, mas disse que “procura evitar problemas”. Disse ainda, com tom de lamento, que atender os pedidos da chefia tem sido um desafio: “A Daniela me pediu: ‘Evita, porque você vai levar muito processo’. Então, eu tô evitando, mas é muito difícil”, declarou Ratinho no ar.
Neste mesmo programa, Ratinho reforçou a posição de que presidências de órgãos relacionados à mulher deveriam ser reservadas a quem, em suas palavras, “tem útero e sente dores de mulher”. Essas afirmações foram vistas como um ataque direto à deputada federal Erika Hilton, uma das principais representantes trans do Congresso brasileiro, e criaram ondas de choque no meio político e em São Paulo, cidade natal e base eleitoral da parlamentar.
Além de Erika Hilton, outros nomes ligados à luta pelos direitos humanos reagiram fortemente, pressionando o SBT e o próprio Ratinho para que medidas sejam tomadas em relação ao episódio. Em regiões como o Centro e a Zona Oeste de São Paulo, manifestações e protestos começaram a ser organizados por coletivos LGBTQIA+, pedindo punição ao apresentador.
Como foi a repercussão do caso Ratinho nas redes sociais e na grande mídia?
Logo após a veiculação do podcast, as principais plataformas digitais como X (antigo Twitter), Instagram e TikTok foram tomadas por críticas à postura de Ratinho. O nome do apresentador figurou entre os assuntos mais comentados no trending topics nacional das redes sociais durante mais de 24 horas, impulsionando a hashtag #RespeitaErikaHilton.
Personalidades do entretenimento, jornalistas e representantes políticos se manifestaram publicamente, exigindo retratação ou até mesmo uma punição mais severa por parte do SBT. Segundo levantamento feito pelo DE, somente nos principais portais de famosos, as notícias envolvendo Ratinho somaram mais de 400 mil acessos em um único dia — índice alto, similar ao registrado em polêmicas anteriores envolvendo celebridades do cenário nacional.
Em São Paulo, onde Ratinho possui uma base fiel de audiência em bairros populares, a divisão também ficou evidente. Enquanto parte do público saiu em sua defesa alegando “liberdade de expressão”, outros tantos reforçaram o pedido de respeito, lembrando que comentários desse tipo alimentam o preconceito e aumentam os índices de violência contra pessoas trans no estado.
Quais são as consequências legais enfrentadas por Ratinho após as declarações na capital paulista?
A repercussão negativa fez com que associações ligadas à defesa dos direitos de pessoas trans entrassem com pedidos formais de direito de resposta e representação junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo. Até o momento, conforme informações apuradas pela reportagem do DE, ao menos três entidades já acionaram as autoridades e aguardam a manifestação oficial do SBT sobre o caso Ratinho.
É importante lembrar que, recentemente, Ratinho foi obrigado judicialmente a conceder direito de resposta à deputada Erika Hilton após declarações consideradas transfóbicas na televisão. O episódio anterior resultou em diversas representações legais e, de acordo com advogados especialistas, poderá servir de precedente para possíveis novas punições administrativas e judiciais, caso as falas do apresentador no podcast sejam consideradas ofensivas às regras da emissora e à legislação vigente.
Paralelamente, lideranças históricas do meio artístico de São Paulo, tradicionalmente engajadas em causas progressistas, já se pronunciaram sobre a possibilidade de boicote a programas comandados por Ratinho — situação que pode impactar diretamente os contratos publicitários e a audiência do SBT em uma das regiões mais importantes para o setor de entretenimento no país.
Por que Ratinho é alvo frequente de críticas e processos em São Paulo?
Ratinho, cujo nome de batismo é Carlos Roberto Massa, construiu sua carreira em São Paulo com base em um estilo televisivo direto e por vezes polêmico. Ele já foi protagonista de diversas controvérsias, principalmente relacionadas à forma como aborda questões de gênero e diversidade sexual em seus programas. Episódios anteriores, como quando afirmou ao vivo que o cantor Tiago Piquilo tinha “cara de viado”, também resultaram em amplo repúdio da sociedade civil e de setores do próprio SBT.
Mesmo diante do histórico de advertências e processos — alguns deles já em fase de execução —, Ratinho mantém alto índice de audiência na região metropolitana de São Paulo e continua atraindo públicos das classes C e D, que consolidaram a fama do seu programa. No entanto, em um cenário social de crescente debate sobre inclusão e respeito às diversidades, comentários como os recentes têm tido impacto cada vez mais negativo, fazendo com que o apresentador figure reiteradamente na pauta judicial relacionada à Lei nº 10.948/2001, que pune homofobia e transfobia no estado.
Além do conflito jurídico, as polêmicas também atingem contratos comerciais em São Paulo. Marcas alinhadas com valores de diversidade já sinalizaram o cancelamento de campanhas atreladas à imagem do apresentador, indicando uma mudança relevante na relação entre patrocinadores e comunicadores na televisão aberta.
Como o caso pode afetar a imagem do SBT e de Ratinho no cenário nacional de fama?
A exposição negativa causada pelos comentários de Ratinho sobre Erika Hilton compromete não apenas a imagem do apresentador, mas também do SBT, emissora em que construiu sua trajetória nas últimas décadas. Em São Paulo, praças históricas da emissora, como a região da Avenida Paulista, já registram diminuição no engajamento digital em publicações patrocinadas, conforme dados internos compartilhados com o DE. Se o boicote anunciado por figuras influentes e movimentos sociais ganhar força, o canal pode sofrer queda significativa de audiência e de receita publicitária, especialmente em segmentos voltados ao público jovem e progressista.
Ratinho soma atualmente mais de 7 milhões de seguidores no Instagram. Após a repercussão da polêmica, páginas de monitoramento de redes sociais mostraram queda no número de seguidores e aumento expressivo no volume de comentários críticos. Internautas organizam movimentos de “unfollow” e cobram posicionamento também do elenco do SBT, incluindo outros apresentadores consagrados de programas de famosos e auditório.
Em nível nacional, a situação reacende o debate sobre os limites do discurso em veículos de comunicação de massa. Especialistas em direito midiático consultados pela reportagem afirmam que casos como o de Ratinho resultam não só em ações judiciais, mas também em mudanças nas diretrizes internas das emissoras, que têm buscado alinhar o conteúdo à legislação vigente e às expectativas da sociedade.
O que dizem defensores da comunidade trans e especialistas sobre o episódio Ratinho em São Paulo?
Entidades representativas da comunidade trans do estado, como a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e a Casa Chama, criticaram de forma contundente as falas do apresentador. Em nota, as organizações classificaram os comentários como “desinformativos, preconceituosos e potencialmente criminosos”, lembrando que o Brasil segue liderando o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, com mais de 100 mortes registradas em 2023.
Na avaliação de especialistas em comunicação, como a pesquisadora da USP Lia Varella, o episódio serve de alerta para mídias tradicionais que ainda toleram ou veiculam discursos de ódio sob o pretexto de humor ou opinião pessoal. “Com a ampliação da representatividade e do acesso à informação, figuras públicas já não podem alegar desconhecimento do impacto de suas palavras”, afirma Varella.
Defensores dos direitos humanos e advogados vinculados a organizações internacionais de proteção à diversidade aguardam posicionamento formal do SBT e avaliam levar a discussão para fóruns internacionais de mídia, caso não haja responsabilização adequada. Segundo fontes próximas à deputada Erika Hilton, a parlamentar estuda acionar Ratinho por danos morais, o que pode gerar novo processo nos tribunais de São Paulo.
As próximas semanas prometem ser de grande movimentação para Ratinho e o SBT, com intensa pressão social e potencial para novos desdobramentos jurídicos. Na cena nacional de entretenimento, o episódio marca mais um capítulo do debate sobre os limites da liberdade de expressão e as consequências do preconceito na televisão.



