Recife (PE) — A secretária de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, saiu em defesa dos investimentos na saúde pública após a divulgação de um relatório de deputados estaduais que alegam a existência de um corte de R$ 1,5 bilhão nos últimos quatro anos.
Nesta quarta-feira (27), em uma coletiva de imprensa, a secretária contestou os dados apresentados e afirmou que, entre 2022 e 2025, o governo estadual aumentou em R$ 2,9 bilhões os investimentos no setor. “O investimento na saúde, inclusive, tem os dados públicos que podem ser consultados. Nós investimos R$ 400 milhões a mais, e o investimento no último ano foi de R$ 11 bilhões na saúde, mostrando, de forma progressiva, o aumento desse número, ano a ano”, declarou Zilda.
Qual a origem das denúncias em Recife?
O relatório controverso foi apresentado na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) por um grupo de deputados da oposição, incluindo Sileno Guedes (PSB), Rodrigo Farias (PSB), Diogo Moraes (PSDB) e Eriberto Filho (PSB), na terça-feira (26). A documentação, segundo os parlamentares, baseia-se em dados fornecidos pela própria Secretaria da Saúde.
Os deputados afirmaram que houve uma significativa redução na oferta de leitos, com 226 vagas a menos, o que culminou na superlotação de vários hospitais, como o Getúlio Vargas, localizado no bairro do Cordeiro, e o Agamenon Magalhães, em Parnamirim, ambos na capital. Os parlamentares também mencionaram o fechamento de três hospitais importantes: o Jesus Nazareno, em Caruaru, e o Hospital de Retaguarda em Neurologia, bem como o Hospital Central de Paulista.
Zilda, por sua vez, negou as alegações. “Não houve perda de leito no estado de Pernambuco. […] Com a realocação, nós crescemos em **670 leitos** novos ao longo de todo o estado”, assegurou a secretária durante a apresentação. Segundo ela, esse quantidade equivale à construção de cerca de quatro novos hospitais metropolitanos de forma descentralizada.
Quais foram os argumentos da secretária de Saúde em Recife?
A secretária apresentou dados detalhados sobre os investimentos feitos ao longo dos últimos anos. Segundo as informações fornecidas, os valores investidos foram os seguintes: R$ 8,5 bilhões em 2022, R$ 8,8 bilhões em 2023, R$ 9,9 bilhões em 2024 e R$ 11,4 bilhões em 2025. Essa evolução nos números, argumenta Zilda, reflete um compromisso crescente do governo com a saúde pública.
Além do prometido aumento nos investimentos, a secretária também se manifestou sobre uma denúncia envolvendo o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, onde recipientes plásticos estão supostamente sendo utilizados para a coleta de urina. A secretária afirmou que não tinha conhecimento do fato e pediu que as denúncias fossem formalizadas para que pudesse investigar a situação adequadamente.
“Precisamos ouvir formalmente onde está acontecendo essa prática para que possamos tomar as atitudes necessárias. É uma questão de Vigilância Sanitária, e eu desconheço essa situação”, declarou Zilda.
Será que a saúde pública em Recife está comprometida?
A oposição ainda critica a gestão da saúde pública em Pernambuco e aponta que muitos hospitais estão enfrentando desafios, incluindo a falta de recursos e infraestrutura. Especialistas em saúde pública consultados pela nossa redação destacam que esses problemas são comuns em diversas regiões do estado, onde o número de atendimentos tem aumentado continuamente.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a polarização política em Pernambuco e a importância da transparência nos investimentos em saúde. muitos cidadãos estão preocupados com as condições dos hospitais e a qualidade do atendimento. Os dados apresentados pelo governo podem não refletir a realidade vivenciada por pacientes e funcionários da área da saúde.
O que pode acontecer com as denúncias em Recife?
A situação de crise na saúde pública em Pernambuco colocou pressão sobre os representantes do estado. Para apurar as denúncias apresentadas, a deputada Sileno Guedes afirmou que irá convocar audiências públicas na Alepe para discutir as reivindicações de utilização de recursos na área da saúde.
A expectativa é de que as discussões intensifiquem a pressão sobre o governo, forçando a secretária Zilda a responder às demandas da oposição e dos cidadãos. O problema da falta de leitos e recursos é uma preocupação constante, especialmente com a fluência de informações sobre o impacto da pandemia na linha de frente da saúde pública.
Como a população de Recife está reagindo à situação?
Moradores das áreas afetadas expressaram sua indignação com a situação atual da saúde em Recife. A superlotação, relatos de falta de material adequado e a sensação de descaso têm gerado um sentimento de insegurança e frustração entre a população. “Estamos vendo a saúde se deteriorar”, lamentou uma moradora que preferiu não se identificar, que frequenta o Hospital Getúlio Vargas.
Embora o governo tenha prometido investimentos, muitos acreditam que as promessas não estão sendo cumpridas. “Queremos ações concretas, não somente números!”, completou outro cidadão que esteve na coletiva.
A equipe do Diário do Estado segue acompanhando o caso de perto e trará novas informações assim que forem confirmadas pela Saúde Pública. Com as denúncias ganhando força e as promessas de investimento no setor, a preocupação com a saúde em Recife continua alarmante e o governo terá que responder para a população em breve.



