Claraboia com filtro UV, resgate de pinturas e reconstrução de Luzia: os desafios da recuperação do Museu Nacional
A recuperação do Museu Nacional, destruído por um incêndio em 2018, está sendo realizada em etapas e em diferentes frentes. De acordo com Wallace Caldas, arquiteto responsável pela gestão da obra, a entrega do trecho que inclui a entrada do prédio histórico, prevista para esse ano, está entre as partes mais complexas do projeto.
O grande desafio foi a instalação dessa claraboia gigantesca na área do pátio da escadaria. É uma claraboia quase que horizontal com vidros de alta espessura e muita estrutura metálica. Esses vidros são dotados de filtro UV para diminuir o impacto no acervo que vai ser instalado embaixo, explicou Wallace.
A previsão é que o segmento seja inaugurado no dia 5 de junho. Essa será a primeira parte do palácio reaberta ao público após as chamas destruírem o local. Porém, a maior parte ficará para 2026.
O ponto todo é o seguinte, estamos trabalhando para que em 2026 a gente consiga abrir grande parte da Instituição Museu Nacional e dos arredores, afirmou Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional.
Pela entrada principal, os visitantes encontrarão o meteorito Bendegó, que se tornou um símbolo de resistência da instituição ao passar pelas chamas. A pedra, que pesa 5,6 toneladas, foi achada em 1784 perto de um riacho no interior da Bahia e levou quase 1 ano para chegar ao Rio. O meteorito foi levado para o Museu Nacional a mando do Imperador Dom Pedro II, em 1888, e permaneceu no local desde então.
Logo em seguida, quem entra pela porta principal encontrará a claraboia mencionada pelo arquiteto. Abaixo dela estará o esqueleto de uma baleia cachalote de 15 metros que ficará em uma posição de mergulho. O espaço conta ainda com a escadaria principal do prédio.
O trabalho de recuperação do Museu Nacional envolve vários trabalhadores da construção civil. São de 300 a 400 profissionais por dia circulando nos canteiros. Para garantir a continuidade do trabalho de recuperação, o BNDES anunciou o aporte de mais R$ 50 milhões. Um desafio de quem circula pelos canteiros é o resgate das pinturas decorativas das paredes do prédio, que serão restauradas ou recriadas conforme as originais ao longo do segundo semestre.
Grande parte da edificação danificada pelo fogo passou por reforço estrutural em uma das primeiras etapas das obras. Uma das próximas etapas é instalar acessos verticais para que sejam colocados elevadores, tornando o espaço mais acessível. Outro desafio é a construção de um túnel de serviço que vai ligar o acesso principal ao anexo, onde está o acervo, incluindo um manto tupinambá do século 16 doado pelo Museu Nacional da Dinamarca.
Com a doação de R$ 50 milhões pelo BNDES, o Museu Nacional trabalhará na reconstrução do crânio de Luzia, fóssil humano mais antigo do Brasil, encontrado nos escombros após o incêndio e responsável por mudar a teoria da povoação do continente americano. Esses recursos serão utilizados para restaurar essa brasileira fantástica que é a Luzia, que juntamente com o Bendegó, demonstrou ser uma peça de resistência da instituição.