Rei do Lixo fez R$ 80 milhões em transações suspeitas, diz PF
José Marcos Moura foi alvo na quinta-feira (3/4) da terceira fase da operação
Overclean por suposta obstrução de justiça
Informações coletadas pela Polícia Federal (PF) [https://www.gov.br/pf/pt-br] no
âmbito da operação Overclean
[https://www.DE.com/colunas/fabio-serapiao/overclean-entenda-a-acao-sobre-o-rei-do-lixo-e-contratos-milionarios],
que apura desvios milionários em obras custeadas com emendas parlamentares,
mostram que o empresário José Marcos Moura, conhecido na Bahia como Rei do Lixo,
fez R$ 80 milhões em transações suspeitas.
Moura foi um dos alvos da terceira fase da operação, deflagrada na última
quinta-feira (3/4), por suposta obstrução de justiça
[https://www.DE.com/colunas/fabio-serapiao/pf-apura-obstrucao-de-justica-de-rei-do-lixo-na-operacao-overclean].
A PF apura possível destruição de provas e manipulação de informações. Ele é
apontado, ao lados dos irmãos Fabio e Alex Parente, como um dos líderes do grupo
investigado.
Segundo informação enviada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras
(Coaf) à PF, entre as transações suspeitas está um repasse de R$ 435 mil para
uma pessoa com foro por prerrogativa de função, o chamado foro privilegiado. A
origem da transação nesse caso é a MM Limpeza, empresa de Moura.
A transação é citada na decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo
Tribunal Federal (STF) [https://portal.stf.jus.br/], que autorizou a 3ª fase da
operação, mas o destinatário não é identificado.
“José Marcos Moura movimentou R$ 80, 2 milhões em operações suspeitas. Uma de
suas empresas, a MM Limpeza Urbana, apresentou movimentações de R$ 435 mil com
uma autoridade com prerrogativa de foro no Supremo Tribunal de Justiça ou no
Supremo Tribunal Federal, sem justificativa aparente”, diz trecho da decisão do
ministro do STF.
O ministro cita as transações entre a MM Limpeza Urbana, de José Marcos de
Moura, e a pessoa com foro ao elencar os motivos para autorizar uma nova busca e
apreensão contra o Rei do Lixo.
Na decisão, com base na representação da PF, Kassio Nunes Marques diz que José
Marcos de Moura é o “articulador político e operador de influência, responsável
por conectar os atores principais a figuras políticas de expressão e agentes
públicos”.
O empresário foi alvo da nova fase da Overclean por suspeita de obstrução de
Justiça. Informações coletadas pela PF apontam para a destruição de documentos
após as primeiras fases da operação Overclean.
Além disso, segundo a decisão, outro elemento que indica a obstrução é o fato
que o empresário ordenou que valores recebidos pela MM Limpenza fossem
utilizados antes da medidas para sequestro de bens ordenadas pela Justiça no
âmbito da Overclean.
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“Quanto a dilapidação patrimonial, a Polícia Federal sustenta, na representação,
que José Marcos Moura determinou a utilização integral dos recursos oriundos dos
contratos de sua empresa, a MM Limpeza Urbana, antes que as medidas construtivas
determinadas pela Justiça pudessem ser efetivadas”, diz a decisão de Kassio
Nunes.
Uma testemunha ouvida pela PF, que trabalha na empresa, relatou que a empresa
tem recibo regularmente valores devidos por quatro cidades baianas com quem
mantém contratos.
Os valores recebidos, disse a testemunha, é de cerca de R$ 20 milhões e está
“sendo integralmente utilizado, conforme determinação de Marcos Moura”.
Malafaia Kassio Nunes Marques oposição
[https://uploads.metroimg.com/wp-content/uploads/2024/09/06004024/kassio-nunes-marques-oposicao1.jpg]O
ministro do STF, Kassio Nunes Marques
OVERCLEAN
A investigação teve início para apurar desvios em um contrato do Departamento
Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), mas expandiu seu foco após quebras de
sigilo telemático e gravações ambientais que mostraram a atuação de um grupo de
empresas em contratos milionários firmados com o governo federal e
administrações estaduais e municipais.
Apesar de estar nas ruas há pouco tempo, a Overclean tem causado tensão entre
políticos dado seu potencial em atingir padrinhos de emendas parlamentares que
bancaram contratos milionários sob suspeita.
Como mostrou a coluna, uma citação ao deputado Elmar Nascimento (União Brasil)
fez com que o caso subisse da 1ª instância da Justiça Federal para o STF. A
investigação aponta para a relação de pelo menos cinco integrantes da cúpula
nacional do União Brasil com o caso.
Ao lado do Rei do Lixo, os irmãos Alex e Fábio Parente são apontados como
líderes do grupo investigado e foram alvos na primeira fase da operação, em
dezembro de 2024.
Parente é sócio ao lado do irmão de empresas investigadas, entre elas, a Allpha
Pavimentações. A PF encontrou R$ 50 mil em dinheiro com ele durante a busca
realizada na quinta-feira (3/4).
Como mostrou a coluna, a Allpha, via DNOCS, já recebeu R$ 67 milhões do governo
federal, do total de cerca de R$ 130 milhões em contratos assinados entre 2021 e
2024.
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