A proposta de privatização da FIFA feita por Gianni Infantino encontra resistências consideráveis. A Uefa e a Concacaf se manifestaram contra a ideia, somando juntas 90 votos entre as 211 federações membros da entidade. A inquietação cresce à medida que as duas confederações respondem a um plano que pretende transferir a gestão das competições para uma empresa privada, com implicações financeiras e esportivas significativas. O plano, se aprovado, poderá transformar os repasses feitos a cada federação de 8 milhões para 20 milhões de dólares. Infantino enfrenta a necessidade de conseguir o apoio de pelo menos 106 associadas até o dia 19 de setembro.
No cenário atual, a FIFA possui 211 federações filiadas, entre elas 54 na África, 41 na Concacaf, 47 na Ásia, 55 na Uefa, 10 na Conmebol e 13 na Oceania. A falta de apoio da Uefa e Concacaf, que representam juntos 43% do total, força Infantino a buscar apoio em outros continentes. O posicionamento da Confederação Asiática de Futebol (AFC) se torna fundamental nesse contexto, especialmente após suas críticas ao modo como a proposta foi apresentada, sem consulta prévia.
A AFC publicou uma nota oficial expressando sua insatisfação: “A AFC não foi consultada sobre a proposta e lamenta que um assunto de tamanha importância tenha se tornado público antes que a família AFC tivesse a oportunidade…”. Além disso, a Confederação Africana de Futebol (CAF) se reunirá na próxima semana para discutir sua posição, enquanto a OFC também convocou uma reunião semelhante, mostrando que a resistência é ampla. Na América do Sul, a Conmebol ainda nada se posicionou, mas a expectativa é de que a oposição interna ganhe força.
Quais as consequências da rejeição?
Com a rejeição da Uefa e Concacaf, a pressão sobre Infantino aumenta para garantir um apoio quase unânime de outras confederações. Ele precisa lidar com as questões imediatas, como a realização de reuniões entre associações nacionais rapidamente após a divulgação da proposta, que sugere criar um colégio para organizar e comercializar todas as competições da FIFA. As diversas federações debatem o impacto da proposta nas competições futuras e o que pode significar um boicote, como prometido pela Uefa, às grandes competições que têm um papel central na história do futebol.
A possibilidade de um boicote se torna ainda mais pertinente ao considerar eventos importantes, como a Copa do Mundo Feminina de 2027, a ser realizada no Brasil. O impacto de uma decisão negativa por parte das principais confederações pode comprometer não apenas o torneio, mas o futuro da própria FIFA, que enfrenta um momento crítico.
Como as federações estão se posicionando?
O clima de instabilidade gerado pela oposição das confederações impacta o planejamento da FIFA para o futuro. Com a resistência da Uefa, por exemplo, o clamor por uma discussão aberta sobre a proposta se intensifica, e as críticas se somam a um sentimento de desconfiança em relação à governança da entidade. O apoio de outras confederações pode ser vital para que Infantino não enfrente uma derrota legislativa acontecer, já que a votação apresenta um risco significativo para o seu projeto.
Tal situação reflete uma desconexão estética entre o desejo de modernização da FIFA e a percepção de interferência de interesses financeiros. O tom da nota da Uefa é claro: “Isso não é uma ‘decisão democrática’, mas uma governança baseada na intimidação…”. Essa tensão aponta para um descontentamento que pode se desdobrar em uma profunda crise institucional.
Qual é o próximo passo para Infantino?
O cenário atual exige que Infantino tenha um plano de ação efetivo e ágil para responder a essa resistência e contrabalançar a insatisfação que se instalou entre dirigentes do futebol. Dada a quantidade de membros que se manifestam contra a proposta, a FIFA deve focar na construção de um diálogo que compreenda as preocupações de todos, a fim de evitar que a situação se agrave ainda mais em um momento tão crítico como o atual.
Analistas e comentaristas esportivos já levantam o alerta sobre as consequências que poderia gerar uma falha na aprovação da proposta, como um possível afastamento das federações dissidentes e um impacto severo nas futuras competições e receitas. Os próximos dias serão decisivos para o futuro da FIFA e dos planos de Gianni Infantino, enquanto clubes e torcedores seguem na expectativa sobre como essa questão se desenrolará.





