Relançamento do álbum ‘Elis’ gera polêmica com remixagem: veja opiniões

relancamento-do-album-elis-gera-polemica-com-remixagem3A-veja-opinioes

Capa do álbum ‘Elis’, gravado em 1973 por Elis Regina (1945 – 1982) e relançado em edição remixada e remasterizada na última terça-feira, 17 de março — Foto: Divulgação

OPINIÃO

Pianista, arranjador e diretor musical do álbum lançado em 1973 por Elis Regina (1945 – 1982), Cesar Camargo Mariano expressou em rede social a insatisfação com a remixagem do álbum “Elis”. Orquestrada por João Marcelo Bôscoli, filho primogênito e herdeiro de Elis, com o engenheiro de som Ricardo Camera, a edição remixada e remasterizada do álbum “Elis” foi disponibilizada pela gravadora Universal Music na última terça-feira, 17 de março, como celebração pelos 81 anos de nascimento de Elis Regina.

“…Ouvi (a edição) com tristeza. Tristeza por ouvir todo o trabalho de meses de criação do conceito musical, dos arranjos e das execuções, dos planos de gravação e mixagem, todos estudados e muito bem pensados por nós, jogados no lixo. Estas questões, para mim, não são passiveis de alterações por terceiros. […] Não se pode mexer tecnicamente em uma obra final a este ponto, alterar os planos de mixagem, a voz, os arranjos, os timbres dos instrumentos dos músicos escolhidos a dedo, incluir instrumentos que foram rejeitados, mutilar toda uma dinâmica originalmente muito bem pensada e trabalhada. E não digo estas coisas por estar envolvido visceralmente no projeto original, mas sim pelo respeito que tenho a qualquer obra e seus criadores. Esta é a minha opinião“, conclui Mariano após expor detalhes técnicos que o descontentaram na remixagem das faixas do disco.

O protesto público de Cesar Camargo Mariano contra a remixagem do álbum “Elis” reacende o debate sobre os limites éticos da interferência alheia na obra de artistas, sobretudo os já falecidos. No caso do álbum de Elis, não há o que contestar sob o prisma jurídico, já que João Marcelo Bôscoli é um dos herdeiros de Elis e os fonogramas do referido disco, lançado originalmente pela gravadora Philips, pertencem à Universal Music, companhia fonográfica que encampou em 1999 o acervo da Philips / Polygram. Tudo foi feito com o aval da empresa Universal Music.

A questão é mesmo ética. Particularmente, defendo que um álbum possa ser remixado desde que esse álbum continue disponível no formato original, tal como foi concebido pelo artista com o arranjador e com o produtor musical. Nesse caso, a edição remixada funcionaria como uma versão alternativa do disco, sem substituir a obra original.

Se a edição original continua ao alcance dos ouvintes, não vejo problema na proposta de uma outra experiência sonora, desde que fique evidenciado que a versão remixada é tão somente uma alternativa para a fruição da obra, jamais a edição definitiva. Futuras gerações têm direito a ouvir o disco tão como ele foi concebido. E remixar um álbum é, sim, alterar a forma original. Nesse ponto técnico, Cesar Camargo Mariano tem toda a razão.

É fato que, decorridos 53 anos do lançamento do álbum “Elis”, somente Cesar Camargo Mariano pode analisar e apontar com precisão o que maculou a concepção original dos arranjos. Elis já não está aqui para se posicionar.

Seja como for, não é o caso de apontar culpados. Como diretor musical do álbum, concebido por ele ao lado de Elis Regina, Mariano tem razão na indignação. Contudo, João Marcelo Bôscoli também tem o direito de propor uma nova mixagem de álbum gravado em época de limitações técnicas. Mal nenhum há nisso. O importante, como dito, é ressaltar que se trata de uma alternativa de som, não do som definitivo que deve ser tomado como referência a partir de então. Por maiores e melhores que sejam os ganhos técnicos, a referência de qualquer álbum será sempre a edição original.

Eis, na íntegra, o texto em que Cesar Camargo Mariano expressou em rede social o descontamento com a remixagem do álbum “Elis”:

“Estou sendo procurado para dar minha opinião sobre o lançamento da nova versão remixada e remasterizada do álbum “Elis 1973”, do qual fui o diretor musical, arranjador e pianista. Na madrugada de hoje ouvi este lançamento. E respondo que ouvi com tristeza. Tristeza por ouvir todo o trabalho de meses de criação do conceito musical, dos arranjos e das execuções, dos planos de gravação e mixagem, todos estudados e muito bem pensados por nós, jogados no lixo. Estas questões, para mim, não são passiveis de alterações por terceiros.

Nada justifica a alteração no final da faixa “É com esse que eu vou”, onde o track do teclado RMI foi “arrastado” e antecipado em 4 compassos (!), prejudicando a parte final da canção que foi pensada, exaustivamente, entre mim e Elis, pois tinha um forte sentido aquele espaço que deixei em suspense no arranjo, em função da sua interpretação e da história que estava sendo contada e cantada por ela.

Na faixa “Doente, Morena” agora há DUAS guitarras(!). O arranjo final não foi concebido assim. Agora aparecem duas guitarras fazendo um ‘duelo’ atrapalhado, tirando toda a singeleza e o lirismo da interpretação, do nosso conceito final para a canção. Na faixa “Oriente”, há agora um corte súbito em sua voz, no princípio da frase “a possibilidade de ir pro Japão” que, a meu ver, resultou muito mais problemático do que qualquer deficiência na dicção da voz de Elis que pudesse haver na gravação original.

Em “Caçador de esmeraldas”, a percussão agora está exagerada, e foi incluído um tímpano que, a princípio, era para ser apenas um detalhe sutil no arranjo, criando um ambiente, mas que decidi tirar, pois estava pesado demais. Agora ele aparece ‘misteriosamente’ e bem à frente, se sobrepondo à voz de Elis e mudando todo o clima do nosso conceito final da obra. Em “É com esse que eu vou”, além do novo plano e timbragem dos instrumentos tirarem todo o clima do groove e swing intencional, agora está totalmente fora de sincronismo.

E parei por aqui…

Todos sabem que sempre fui a favor da tecnologia, quando bem utilizada. Há 22 anos, em 2004, aceitei produzir a remixagem e remasterização do Álbum “Elis & Tom” em 5.1 e DVD Áudio, novíssimas tecnologias na época, com a competência técnica dos sensíveis profissionais, Luís Paulo Serafim e Carlos Freitas, mantendo sempre o maior respeito por toda a obra original.

O álbum original ‘Elis 1973,’ que agora completa 53 anos, pode não agradar a gregos e troianos. E é assim mesmo, tudo certo. Mas agradou a quem mais importava. Os planos técnicos de gravação e mixagem foram construídos de acordo com a intenção da interpretação de Elis e, principalmente, aprovados por ela.

Não se pode mexer tecnicamente em uma obra final a este ponto, alterar os planos de mixagem, a voz, os arranjos, os timbres dos instrumentos dos músicos escolhidos a dedo, incluir instrumentos que foram rejeitados, mutilar toda uma dinâmica originalmente muito bem pensada e trabalhada. E não digo estas coisas por estar envolvido visceralmente no projeto original, mas sim pelo respeito que tenho a qualquer obra e seus criadores. Esta é a minha opinião“.

REGRAS ABSOLUTAS

TAMANHO MÍNIMO OBRIGATÓRIO: O texto completo (incluindo parágrafos e subtítulos) deve ter NO MÍNIMO 6000 CARACTERES (com espaços). Isso é essencial para criar profundidade jornalística.

PROFUNDIDADE E RIQUEZA: Cada parágrafo deve ter de 4 a 7 frases. Explore todos os ângulos da notícia. Adicione contexto histórico, social e humano. Inclua detalhes sobre as vítimas, o ambiente, as consequências. Use frases de transição: “De acordo com…”, “Os documentos revelam que…”, “Além disso…”, “O que chama atenção é…”

Subtítulo 1

Detalhamento do primeiro fato

Desdobramentos e conexões

Impactos imediatos

Subtítulo 2

Segundo fato em profundidade

Contexto e histórico

Consequências específicas

Subtítulo 3

Desfecho ou decisão

Análise e repercussão

Reflexão final e chamada para comentários