Ondas que assustaram moradores. Em Torres (RS) — Uma forte ressaca atingiu o Litoral Norte do Rio Grande do Sul na madrugada desta segunda-feira (11), provocando ondas de mais de dois metros, avanço do mar sobre a faixa de areia e danos a estruturas próximas à orla. Em Torres, o fenômeno resultou na derrubada de um quiosque na Praia da Cal e obrigou a Defesa Civil a interditar os acessos aos molhes por precaução.

O evento ocorre em meio à atuação de uma poderosa massa de ar polar, responsável por registrar temperaturas negativas e formation of geada em vários pontos do estado. Getúlio Vargas marcou o recorde de frio com -1,1°C ao amanhecer, seguido de Nonoai e Vacaria, ambas com -0,1°C. Até na capital, Porto Alegre, os termômetros chegaram a 7,8°C logo nas primeiras horas do dia. Especialistas da Climatempo explicam que a conjunção das baixas temperaturas com ventos intensos potencializou o risco de ressaca em todo o trecho costeiro do estado.

Nas cidades do litoral norte, o mar agitado alterou drasticamente o cenário habitual dos balneários. Em Torres, o estrondo das ondas chamou a atenção já durante a noite, como relataram moradores. “Nunca vi algo assim, parecia que o mar não ia parar de avançar”, diz uma comerciante local. O fenômeno se repetiu em praias conhecidas como Tramandaí e Capão da Canoa, onde a água ultrapassou limite da faixa de areia e assustou quem mora ou trabalha perto da orla. Segundo a Defesa Civil, nenhuma pessoa ficou ferida, mas o prejuízo para comerciantes de quiosques pode ser relevante nesta época de baixa temporada.

Por que a ressaca foi tão forte no Litoral Norte do RS?

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, o fenômeno se deve à combinação entre a entrada da massa polar — responsável pelo frio intenso — e ventos de alto impacto vindos do Sul. As rajadas, que ultrapassaram 60 km/h durante a noite, favoreceram o aumento do nível do mar e a formação de ondas acima da média histórica para este período.

Torres, principal cidade turística do litoral norte gaúcho, já registrou episódios semelhantes em anos anteriores, mas segundo moradores, a força das ondas deste início de semana superou expectativas. “O avanço do mar derrubou um quiosque inteiro, algo raro mesmo para quem já viu outras ressacas”, afirmou um representante da Associação de Quiosqueiros local à reportagem da DE. Os relatos de prejuízos também vieram de cidades como Tramandaí e Capão da Canoa, onde estabelecimentos foram atingidos e houve danos em parte da infraestrutura da orla.

Segundo informações da Defesa Civil, a recomendação à população é evitar a circulação próxima ao mar durante períodos de ressaca, sobretudo quando há aviso meteorológico da autoridade estadual. O órgão também reforça que o risco permanece enquanto a massa de ar polar seguir atuando na região sul do Brasil, mantendo as condições propícias para novas ocorrências semelhantes nos próximos dias.

Como foi o impacto do frio intenso nas cidades do interior do RS?

Enquanto o litoral enfrentava o desafio das ondas gigantes, cidades do interior do Rio Grande do Sul amanheceram sob temperaturas negativas e forte geada. De acordo com a Climatempo, ao menos três municípios registraram marcas abaixo de zero: Getúlio Vargas, com impressionantes -1,1°C; Nonoai e Vacaria, ambas com -0,1°C. Em São José dos Ausentes, conhecida como uma das regiões mais frias do estado, o gelo se espalhou pelos campos até o meio da manhã, dando tom invernal raro para a semana ainda em junho.

Moradores relataram dificuldade para sair de casa logo cedo, já que muitos veículos amanheceram cobertos por uma fina camada de gelo. No oeste e na serra do estado, a formação de geada também prejudicou pequenas lavouras familiares, especialmente de hortaliças, aumentando o alerta entre produtores rurais. Segundo o consultor em meteorologia Renato Luiz, ouvido pelo Diário do Estado, episódios de frio extremo não são tão comuns neste início de junho e a combinação com ressaca potencializa os transtornos para as cidades gaúchas.

No histórico recente, o Litoral Norte do RS alternou verões de intensa movimentação turística e invernos de tempestades com ressacas, mas com menor gravidade do que a registrada nesta segunda. O fato surpreendeu até autoridades locais. “Os registros mostram que desde 2013 não tínhamos ressacas tão fortes afetando simultaneamente tantas praias do litoral norte gaúcho”, destaca o chefe da Defesa Civil estadual, coronel Paulo de Lucena.

O que dizem os comerciantes e moradores afetados pela ressaca em Torres?

Comerciantes que dependem da movimentação durante o inverno, sobretudo em finais de semana e feriados, relataram apreensão diante dos estragos provocados pelo mar. “Além de assustar os moradores, a ressaca trouxe prejuízos inesperados”, pontuou o proprietário do quiosque destruído na Praia da Cal. Segundo ele, o impacto negativo vai além do reparo estrutural: “Muita gente da cidade trabalha nesse setor e uma semana como essa pode comprometer o faturamento do mês inteiro”.

Já quem reside próximo à orla em Torres afirma que as ondas avançaram durante toda a madrugada, tornando provisória qualquer iniciativa de contenção. Em grupos de mensagens, circularam imagens e vídeos do mar avançando sobre decks de madeira, bancos e calçadões. A Prefeitura se comprometeu a avaliar as estruturas na região central para evitar riscos em outras áreas frequentadas no inverno, como a Prainha e a praia Grande.

Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a vulnerabilidade da infraestrutura costeira do RS em períodos de ressaca combinada com frentes frias intensas. Segundo o especialista em oceanografia Daniel Costa, consultado pela nossa equipe, eventos desse tipo tendem a se tornar mais frequentes nos próximos invernos, exigindo planejamento urbanístico e maiores investimentos em prevenção.

Qual a previsão para os próximos dias nas cidades atingidas do RS?

Segundo a última atualização da Climatempo, o frio deve continuar intenso até, pelo menos, a quarta-feira (13), quando há previsão de ligeira elevação das temperaturas à tarde. A segunda-feira (11) e a terça-feira (12) permanecem com mínimas ao redor de -1°C nas cidades do interior e sensação térmica ainda menor nos pontos de maior altitude. No litoral, o mar segue agitado e há risco moderado para novas ressacas, especialmente nas faixas de areia de Torres, Tramandaí e Capão da Canoa. O vento sul continua predominante, com oscilações na velocidade média acima dos 40 km/h em determinados horários.

A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que o plano municipal de emergências será reavaliado ainda esta semana para adaptar as medidas preventivas ao novo cenário regional. Conforme dados fornecidos pelo portal da transparência do governo gaúcho, o investimento público em infraestrutura de contenção costeira aumentou 35% nos últimos cinco anos, mas só cobre metade das áreas consideradas prioritárias pelas autoridades locais.

O cenário ainda inspira cautela também em cidades vizinhas, como Osório e Arroio do Sal, que não registraram danos estruturais, mas monitoram o avanço da água bem de perto. As prefeituras mantêm equipes de defesa civil em sobreaviso e orientação direta para moradores e comerciantes sobre procedimentos em futuros episódios semelhantes.

A equipe do Diário do Estado esteve nas praias atingidas e conversou pessoalmente com moradores e comerciantes. Todos compartilharam preocupação, mas também elogiaram a atuação rápida das equipes de defesa civil, que isolaram áreas de risco e mantêm informações atualizadas sobre o andamento da situação. Seguiremos acompanhando os próximos desdobramentos diretamente do litoral norte do RS para informar com precisão os efeitos do frio e do avanço do mar na rotina das cidades gaúchas.