Restauração histórica: Presídio da Ilha Anchieta passa por revitalização no litoral de SP

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Palco de uma das maiores rebeliões do país, o presídio localizado na ilha passa por um processo de restauração no litoral de São Paulo. A previsão do Estado é que as obras, inicialmente programadas para terminarem em fevereiro, sejam concluídas no fim de junho deste ano.

Uma das maiores rebeliões já registradas no país, depois do Carandiru em 1992, ocorreu no presídio da Ilha Anchieta, em Ubatuba, no Litoral Norte. Tendo sido desativado oficialmente em 1955, as ruínas do presídio estão passando por uma restauração com um investimento do governo estadual de mais de R$ 4 milhões.

Com a visitação suspensa para a realização das obras, o presídio está passando por reformas em diversas áreas. Até o momento, já foram realizados estudos técnicos, projetos executivos, limpeza e recuperação das estruturas, além da implementação de escoramentos provisórios e reforços estruturais necessários, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).

A Semil informou que a restauração das ruínas, originalmente prevista para ser entregue em fevereiro deste ano, está com pouco mais de 78% concluída, de acordo com o último relatório fechado no fim de fevereiro. Uma nova atualização sobre o andamento das obras será divulgada em breve, com o novo prazo estimado para a entrega sendo até 30 de junho deste ano, com o valor da reforma atualizado para R$ 4,2 milhões.

No estágio atual da restauração, os trabalhos envolvem o restauro e proteção das paredes de um dos pavilhões das ruínas, finalização da proteção dos pisos dos pavilhões, execução do sistema de drenagem do entorno, finalização dos reforços estruturais e desmobilização da obra. Situada a 8 quilômetros do continente e a 213 quilômetros de São Paulo, a Ilha Anchieta cobra uma taxa de R$ 19 para brasileiros, R$ 28 para estrangeiros do Mercosul e R$ 37 para outros estrangeiros.

Em 1952, o presídio da Ilha Anchieta testemunhou uma das maiores rebeliões já ocorridas no país, onde 129 detentos conseguiram fugir do local. Com a segurança a cargo de 49 militares da Força Pública, responsáveis pela Ilha Anchieta, e 22 guardas de presídio, o local era alvo de relatos de torturas e negligência por parte da direção.

A rebelião teve início quando um detento desarmou um dos soldados responsáveis pela escolta de um grupo de detentos, fazendo com que o motim se espalhasse pelo presídio. Os detalhes da rebelião envolvem os presos tomando o controle da ilha, rendendo policiais e levando embarcações para fugir. Com um saldo de 25 mortos, sendo 15 detentos e 10 agentes estatais, a rebelião na Ilha Anchieta marcou a história do local.

Com a restauração em andamento, a Ilha Anchieta continua a despertar interesse histórico e turístico, mesmo após os eventos trágicos do passado. A revitalização das estruturas e a preservação da memória desse lugar emblemático representam um esforço importante na conservação do patrimônio cultural e histórico do estado de São Paulo.

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