Retorno da Petrobras à distribuição é discurso eleitoreiro, diz setor

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O setor de distribuição de combustíveis avalia que as recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seus ministros sobre o retorno da Petrobras ao segmento já integram um discurso eleitoreiro que será usado como bandeira na campanha presidencial de 2026.

A avaliação se dá porque a privatização da BR Distribuidora, concluída em 2021 durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), inclui uma cláusula de não concorrência que impede a Petrobras de atuar no mercado de distribuição até 2029 –mecanismo de proteção comercial comum em processos de desinvestimento do gênero.

Na prática, a cláusula impede a Petrobras de voltar a operar postos de combustíveis, atuar no varejo ou adquirir empresas que tenham presença relevante nesse mercado.

A cláusula limita as opções. Para retomar a atuação no setor antes do fim do prazo, seria necessário renegociar os termos do contrato com a Vibra ou buscar alternativas jurídicas, o que pode envolver custos adicionais e disputas no mercado.

As declarações dos integrantes do governo estariam mais alinhadas a ataques às políticas de Bolsonaro do que a medidas que, de fato, podem sair do papel no curto prazo.

O presidente Lula e integrantes do governo têm criticado a privatização da BR Distribuidora desde o início do 3ª mandato do petista.

Segundo o governo do petista, a venda da companhia e de outros ativos da Petrobras reduziu a capacidade do Estado de influenciar a formação de preços de combustíveis no país.

O debate voltou a ter força depois de o governo federal anunciar um pacote de medidas que custarão R$ 30 bilhões para tentar conter o impacto da alta internacional do petróleo sobre o diesel.

Para o governo, o Brasil ficaria “menos refém” do cenário internacional caso a BR Distribuidora voltasse a ser um ativo da Petrobras.