SÃO PAULO (SP) — O número de mulheres candidatas nas eleições de 2026 apresentou uma queda significativa na região de Ribeirão Preto, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em comparação com o pleito de 2022, a participação feminina diminuiu, refletindo um cenário de baixa representatividade no processo político.
Dos 46 candidatos a deputado federal na região, apenas nove são mulheres, representando cerca de 20% do total. Entre os 88 candidatos a deputado estadual, o percentual de mulheres sobe para aproximadamente 36%, com 32 candidatas. Em relação às eleições anteriores, houve uma diminuição de 7% nas candidaturas a deputado federal e de 3% entre as concorrentes a deputado estadual.
Flávia Pérez, presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), atribui essa baixa representatividade a questões históricas. “As mulheres ainda são vistas como se não fossem suficientemente capazes para exercer cargos e ocupar espaços de poder”, afirma Flávia, ressaltando que essa percepção contribui para o número reduzido de candidatas.
A legislação eleitoral brasileira, em vigor desde 1995, prevê cotas de gênero, com um mínimo de 30% de candidaturas de cada gênero nas eleições proporcionais. Segundo Flávia, apesar da lei, a cota ainda representa um desafio para aumentar a participação feminina. “Esse percentual é visto como um teto, dificultando a verdadeira inclusão das mulheres”, completa.
A advogada enfatiza que apenas garantir um número mínimo de candidaturas não assegura que as mulheres efetivamente ocupem cargos eletivos. “Precisamos talvez pensar em cotas reais para os cargos e não apenas para as candidaturas”, sugere.
Embora o número de candidatas tenha caído, as mulheres continuam a ser a maioria do eleitorado em São Paulo, representando 53% dos votantes, enquanto os homens somam 47%. A psicóloga Sofia de Paiva compartilha sua percepção sobre a falta de representatividade política feminina. “Desde meu primeiro voto, senti a importância de contribuir para a democracia. Sinto falta de mulheres na política, especialmente para discutir questões que nos afetam diretamente”, comenta.
Sofia acredita que a presença feminina é fundamental para fomentar um debate mais inclusivo, considerando que “mesmo com pautas relevantes para o público feminino, a presença de uma mulher no debate seria muito importante por conta da representatividade”.
Para mais informações sobre a situação política na região, a população pode acessar o Diário do Estado e acompanhar as atualizações.



