Ainda segundo o promotor, até a última sexta-feira (28), a solicitação não havia recebido resposta. Maria Tereza, que atuava regularmente por meio de convênios médicos antes de sua condenação, é a única dentre os quatro réus no caso que não foi presa. Os outros condenados incluem Marluci Cabrera Bellini Henares e Djalma Antônio Henares Júnior, que foram detidos em Portugal, e Agelo Bellini Neto, monitor da clínica, que está preso em Cravinhos.
Os mandados de prisão foram emitidos após o trânsito em julgado do processo, que resultou em uma condenação de 17 anos e seis meses de prisão. Defensores da médica não se pronunciaram, mas, durante as investigações, todos os réus negaram as acusações. Maria Tereza se defendeu alegando que sua atuação na clínica limitava-se à prescrição de medicamentos e que desconhecia qualquer ato de violência.
As investigações sobre a clínica começaram em agosto de 2014, após denúncias de agressões que levaram a Polícia Civil e o Ministério Público a resgatarem dez pacientes. Relatos indicaram que os internos eram submetidos a espancamentos, amarrações e castigos. Além disso, ex-pacientes mencionaram o uso de sedativos de forma inadequada, e algumas denúncias incluíram episódios de violência sexual.
O advogado Luís Henrique de Souza Fallone, um ex-interno da clínica, comparou as condições do local a um “campo de concentração”. Ele relatou ter sido agredido enquanto a médica gargalhava, evidenciando a brutalidade dos métodos utilizados na reabilitação.
A tramitação do caso foi longa, se estendendo por 12 anos, com inúmeras apelações. A condenação final e a emissão dos mandados de prisão ocorreram em junho de 2026. Marluci e Djalma, que já residiam em Portugal, foram capturados em julho e aguardam a decisão sobre seus pedidos de extradição sob custódia preventiva. O Ministério Público paulista argumenta que a soberania do julgamento pertence ao Brasil, em meio ao processo de análise das solicitações em Portugal.





