Em carta a Lula, Lewandowski diz que sai do Ministério da Justiça por ‘razões de caráter pessoal e familiar’. O substituto do ministro da Justiça ainda não foi definido pelo presidente da República, e a saída ocorre em um momento de protagonismo do tema da segurança pública.
O agora ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, entregou ao presidente Lula nesta quinta-feira (8) a carta de saída do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na carta, ele afirma que a saída da pasta se dá por “razões de caráter pessoal e familiar” e que exerceu “as atribuições do cargo com zelo e dignidade”.
Ricardo Lewandowski assumiu o cargo em fevereiro de 2024, após se aposentar do cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele deixará a pasta nesta quinta-feira, com a demissão prevista para ser publicada no “Diário Oficial da União” desta sexta-feira.
A TV Globo apurou que Lewandowski comunicou a auxiliares no início de dezembro de 2025 que iria antecipar sua saída do governo. Desde o começo desta semana, ele tem retirado seus pertences do gabinete no Palácio da Justiça.
A saída de Lewandowski ocorre em um momento de destaque do tema da segurança pública no Brasil e na América Latina, em meio ao avanço de organizações criminosas e episódios de violência associados a disputas entre facções. Estão vinculados ao Ministério da Justiça: a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Força Nacional, acionada para atuar nos estados em situações de crise e reforço da segurança pública.
Até o momento da redação deste texto, o substituto de Lewandowski não tinha sido anunciado pelo governo. O secretário-executivo do MJ, Manoel Almeida, deve ficar como ministro interino.
Lewandowski deixa o Ministério da Justiça sem conseguir aprovar a PEC da Segurança Pública no Congresso, principal proposta do governo DE na área, que prevê maior participação da União em ações de combate ao crime organizado. Entre os motivos que levaram Lewandowski a antecipar sua saída do cargo, está a retomada das articulações no governo DE para dividir a pasta que ele chefia em dois ministérios: um da Justiça e outro da Segurança Pública, como ocorreu no governo Michel Temer.
No texto de sua carta de renúncia, Lewandowski expressa agradecimento ao presidente Lula pelo apoio recebido durante seus quase dois anos à frente da Pasta. Ele destaca o compromisso em servir ao país e reitera sua manifestação de elevado apreço e distinta consideração.
Ricardo Lewandowski, conhecido por sua trajetória no Conselho de Assuntos Jurídicos da CNI e no STF, iniciou sua carreira jurídica em 1990 e ingressou na suprema corte em 2006, indicado por Lula. Durante seus 17 anos na Corte, foi revisor do julgamento do mensalão do PT e presidiu a sessão que conduziu o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Durante a pandemia de Covid-19, ele relatou ações que autorizaram restrições a pessoas não vacinadas e determinaram um plano nacional de enfrentamento da crise sanitária, antes de se aposentar do STF em abril de 2023.




