Rio de Janeiro perde mais de R$ 100 milhões devido à falta de lei sobre ICMS Educacional, prejudicando municípios

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DE deixa de receber mais de R$ 100 milhões por falta de aprovação da lei sobre ICMS Educacional

Sem a aprovação da proposta na Assembleia Legislativa, estado é o único do país fora da partilha de recursos do Fundeb ligados ao desempenho na educação. Municípios são os principais prejudicados.

DE deixa de receber mais de R$ 100 milhões por falta de aprovação da lei sobre ICMS Educacional

O estado do Rio de Janeiro deixará de receber mais de R$ 100 milhões em 2026 porque a Assembleia Legislativa (Alerj) não votou, no ano passado, o projeto de lei que regulamenta o chamado ICMS Educacional.

Sem a legislação, o DE se tornou o único estado do país desabilitado pelo Ministério da Educação a participar da divisão desses recursos, que são repassados aos municípios com base em indicadores educacionais.

O ICMS Educacional é um mecanismo previsto no novo Fundeb, aprovado pelo Congresso Nacional em 2020, inspirado em uma experiência considerada bem-sucedida no Ceará.

A regra permite que parte do imposto arrecadado pelos estados seja redistribuída aos municípios de acordo com critérios ligados à educação, como aprendizagem, evasão escolar e investimentos na rede de ensino. Cabe a cada estado aprovar uma lei própria definindo esses critérios.

PRAZO DE 2 ANOS NÃO FOI SUFICIENTE

Segundo a legislação federal, os estados tinham um prazo de dois anos para regulamentar o modelo. No entanto, cinco anos depois, o projeto nunca chegou a ser votado no plenário da Alerj.

Ainda assim, até 2025, o governo do estado vinha conseguindo negociar com a União o repasse dos recursos de forma excepcional. Esse cenário mudou após uma portaria do Ministério da Educação, que retirou o Rio da partilha por descumprimento das regras.

No início de 2025, o governo estadual chegou a enviar um projeto de lei sobre o tema à Alerj. A proposta, no entanto, só foi publicada no Diário Oficial da Casa em outubro e não avançou para votação.

De acordo com cálculos da ONG Todos Pela Educação, os municípios fluminenses vão deixar de receber, juntos, mais de R$ 100 milhões neste ano. Apesar de estarem atrelados a indicadores educacionais, os recursos podem ser usados livremente pelos municípios, inclusive em outras áreas da administração pública.

Para o gerente de políticas educacionais da entidade, Bernardo Baião, a ausência da lei tem impacto político e financeiro.

“Sob o ponto de vista político quando você não tem uma lei que incentiva a melhoria dos resultados educacionais por meio de recursos financeiros, você tira a prioridade política da educação”, afirmou.

“Sob o ponto de vista orçamentário também é bastante ruim o Rio de Janeiro é hoje um dos estados que tem maior dificuldade em termos orçamentária no país e ter acesso a um recurso do Fundeb que é uma das garantias que você precisa ter por meio do ICMS educação, é fundamental”, explicou Bernardo.

SOLUÇÃO SÓ EM 2027

O Ministério da Educação informou que o Rio de Janeiro pode voltar a se habilitar para receber os recursos a partir de 2027, desde que a lei do ICMS Educacional seja aprovada.

Um caso semelhante ocorreu em Minas Gerais, que ficou fora da partilha em 2023 até aprovar a legislação estadual e se adequar às regras no ano seguinte.

Nos últimos anos, acordos firmados entre o estado e a União garantiram repasses expressivos. Em 2025, foram R$ 100 milhões distribuídos entre 25 municípios fluminenses.

Em 2024, o valor chegou a R$ 106 milhões, destinados a 35 cidades. Com a exclusão da partilha, o estado entra em 2026 sem acesso a esses recursos.

Para a especialista em educação Claudia Costin, a perda vai além do impacto financeiro.

“O mais grave pra mim não é só a perda do dinheiro da partilha do ICMS. É que nós estamos destruindo o futuro. O Rio é o segundo PIB do Brasil. Não ter uma educação de qualidade é muito ruim, não se constrói um futuro. É muito triste.”

Após a veiculação da reportagem, a Alerj informou que pretende convocar, como prioridade, uma sessão extraordinária para votar o ICMS Educacional assim que os deputados retornarem do recesso, no início de fevereiro.

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