Fevereiro de 2025 é o mês mais seco da história do Rio, com apenas 0,6mm de chuva. Bairros como Jardim Botânico e Copacabana não registraram precipitação. A seca afeta a vegetação e intensifica o calor.
Contexto da Seca em Fevereiro de 2025
O mês de fevereiro de 2025 se tornou o mais seco da história do Rio de Janeiro, com bairros como Jardim Botânico, Copacabana e Tijuca não registrando nenhuma chuva. A média pluviométrica foi de apenas 0,6mm, muito abaixo dos 123,3mm habituais. A falta de precipitação, causada por bloqueios atmosféricos, está impactando a vegetação e não aliviando o calor intenso.
Impacto nos Bairros
Fevereiro terminará como o mês mais seco já registrado no município do Rio. Em alguns bairros, como no Jardim Botânico, não houve chuva durante o mês inteiro. A média de chuva não passou de 0,6mm, segundo o sistema Alerta Rio, da prefeitura. A menor precipitação na cidade para qualquer mês desde o início da série histórica, em 1997, foi também uma fração ínfima da média de fevereiro, que é de 123,3mm — ou 205 vezes o registrado este ano. O Brasil tem sofrido com ondas de calor e bloqueios atmosféricos, que afastam a chuva. Mas o Rio parece sob o efeito de um domo só seu. Durante o período em que até aconteceram chuvas isoladas nos demais municípios da Região Metropolitana, na capital não caiu quase nenhuma gota.
Sensação Térmica e Umidade
A falta de chuvas pode até deixar o mar com águas de Caribe, mas aumenta a sensação de calor, pois são os temporais de verão que ajudam a aliviar a temperatura. A umidade, que aumenta essa sensação, tem estado de média a alta. É forte para causar grande sufoco, mas não o suficiente para romper o bloqueio e resultar em chuva.
Declarações de Especialistas
— É a primeira vez que registramos um mês com menos de 1mm de chuva no município. Este fevereiro foi o mês mais seco de nossa série histórica, realmente impressiona — afirma a meteorologista-chefe do Alerta Rio, Raquel Franco.
Dados e Estatísticas
Dados da empresa de meteorologia e oceanografia AtmosMarine mostram que alguns bairros não receberam uma só gota de chuva durante todo o mês de fevereiro. Foi o caso até mesmo do Jardim Botânico, bairro conhecido pelos altos índices pluviométricos. Também estão na lista da chuva zero Copacabana, Tijuca, Grajaú, Barra da Tijuca, Vidigal, Rocinha e Sepetiba. Os “maiores” índices registrados pela AtmosMarine foram na Grota Funda, com míseros 3mm, e Bangu, que recebeu 2,2mm.
Comparações Históricas
Até hoje, os menores índices de chuva do município, segundo o Alerta Rio, tinham sido registrados em abril e maio do ano passado e no verão de 2014/15, quando ocorreu uma grande crise hídrica no Sudeste.
— A marca histórica de fevereiro chama mais atenção ainda porque o mês faz parte da estação chuvosa. Os meses mais secos costumam ser os de inverno, quando a baixa precipitação não incomoda tanto porque a temperatura é normalmente mais baixa — diz o diretor da AtmosMarine, o meteorologista Ronaldo Palmeira.
Condições do Mar e da Vegetação
O mar caribenho, de águas cristalinas, faz contraste com um índice de chuva que está mais para regiões de deserto. No Saara, por exemplo, o índice foi de 22mm neste fevereiro. E no Atacama, o deserto mais seco do mundo, 2mm. Além do calor, a falta d’água tem castigado a vegetação. O chão da Floresta da Tijuca está seco e os gramados dos parques da cidade, esturricados. Só não tem faltado água para abastecimento porque esta vem de fora do município, do Sistema Guandu.
Consequências para o Estado do Rio
De forma geral, tem chovido bem menos no Estado do Rio do que no vizinho São Paulo. O motivo é o já conhecido bloqueio causado por um anticiclone que estagnou sobre o Brasil e não deixa as frentes frias chegarem ao Rio.
Pesquisa e Observações
Mas esse fenômeno sozinho não explica o domo carioca. Na verdade, já há algum tempo pesquisadores do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) observam que nuvens de chuva parecem se desintegrar sobre a cidade sem despejar uma gota.
Uma explicação seria a combinação de ilha de calor urbana com a geografia complexa do Rio, frisa o professor de meteorologia da UFRJ Wallace Menezes. Ele diz que esse cenário começa a ser investigado, mas por enquanto a situação da cidade segue sob mistério.
Chuvas Isoladas e Previsões Futuras
Entre outras peculiaridades, no Rio nem as chuvas isoladas — aquelas de fim de dias quentes, não associadas a frentes frias — têm caído. Chove em todo o entorno, mas na Cidade Maravilhosa, nem uma gota. São Gonçalo e municípios da Baixada Fluminense, por exemplo, registraram chuvas isoladas nos últimos dias.
— As nuvens até se formam, mas não chega a chover — diz Raquel Franco.
Nenhum meteorologista se arrisca a prever quando a chuva virá para o Rio. O carnaval vai ser de seca. A meteorologista do Alerta Rio avisa que a primeira quinzena do mês que começa amanhã tem previsão de chuva abaixo da média. Ou seja, ainda sem as águas de março.
Pode ser que temporais isolados deem o ar da graça, mas chuvas mais consistentes mesmo, só quando alguma frente fria maior conseguir romper o bloqueio, que tem se mostrado extremamente poderoso e persistente.
Perspectivas para 2025
Este 2025, um ano sem os fenômenos El Niño ou La Niña para levar a culpa pelo clima em desequilíbrio, tem superado as piores expectativas no Brasil e no mundo. O ano mal começou e janeiro já foi o janeiro mais quente da História. Fevereiro, segundo projeções do serviço europeu do clima Copernicus, poderá figurar também entre os mais tórridos.
Irrigação no Jardim Botânico
Ao longo de fevereiro, o arboreto, a área verde do Jardim Botânico, tem sido irrigado três vezes por dia.
— A administração percebeu a diferença no estado das plantas, está tudo muito seco. Este mês, excepcionalmente, estamos molhando todo o arboreto. Às vezes, em tempo de chuva, a irrigação nem chega a ser feita — explica Marcia Faraco, diretora de Conhecimento, Ambiente e Tecnologia do Jardim Botânico.