Romeu Zema, pré-candidato do Partido Novo à Presidência, reafirmou nesta quinta-feira (16), em São Paulo, que não considera abrir mão da cabeça de chapa para ser vice em uma possível coligação, mesmo diante de especulações sobre sua aliança com o senador Flávio Bolsonaro, do PL. A declaração de Zema ocorreu durante o lançamento das diretrizes do seu futuro plano de governo, reforçando sua disposição de seguir na disputa presidencial até o fim das eleições, ponto que movimenta o cenário da Política nacional neste primeiro semestre.
Em evento realizado no centro da capital paulista, Zema protagonizou discussões importantes para os rumos da Política Brasileira, destacando propostas que, segundo o próprio, despertam receio entre parte dos atores tradicionais do Congresso Nacional. A postura do governador mineiro de manter sua candidatura independente, mesmo com pressões por alianças, aposta no diferencial de sua gestão à frente de Minas Gerais e aponta embate direto com figuras já consolidadas do centro e da direita, como Flávio Bolsonaro.
De acordo com Romeu Zema, “vou manter a pré-candidatura até o final. Porque nós temos propostas que a maioria da classe política tem pavor. Nós temos as propostas que o Brasil precisa. Entre os pré-candidatos, sou o único que já consertou as barbaridades do PT, porque assumi um estado arruinado e tenho esse diferencial”, ressaltando sua jornada no governo mineiro e a crítica aos governos anteriores, especialmente ao PT e ao ex-presidente Lula.
Plano de governo do Novo propõe privatizações e combate a privilégios
O evento “O Brasil sem intocáveis”, que contou com a presença de lideranças do Partido Novo, reuniu os principais nomes ligados à elaboração do plano de governo de Zema, o que sinaliza o compromisso de reformular práticas historicamente arraigadas no setor público nacional. Entre os destaques, Carlos da Costa, coordenador do plano econômico, afirmou que a futura gestão zema “vai privatizar tudo”, consolidando uma agenda liberal e de privatizações como centro do programa da legenda.
Uma das propostas mais repercutidas durante o lançamento foi a redução da maioridade penal para 16 anos, tema sensível nos debates de Política Brasileira e tradicionalmente abordado em votações no Congresso. A equipe de Zema também apresentou a ideia de criar uma nova categoria de legislação trabalhista, paralela à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), além de defender a integração mais ampla entre políticas para o agronegócio e meio ambiente – temas que têm peso considerável nas discussões do Governo Federal.
De acordo com os articuladores do plano do Novo, essas medidas buscam eliminar privilégios de grupos considerados “intocáveis”, especialmente os que se beneficiam de estruturas estatais, enquanto prometem estimular a economia com regras mais flexíveis. Pergunta-se: como tais reformas impactariam áreas como educação, segurança e equilíbrio fiscal a médio prazo? A resposta, segundo Zema, virá em debates abertos e transparentes ao longo do processo eleitoral.
Controvérsias sobre aumento salarial e discurso de doação
Durante o evento, um dos momentos de maior tensão foi o questionamento a Zema sobre o reajuste salarial de 300% que ele próprio aprovou para o cargo de governador de Minas Gerais em 2023. O tema gerou repercussão entre adversários e nas páginas de opinião de jornais, alimentando a disputa eleitoral e fomentando debates na Política em Goiás, onde o ajuste em salários públicos se tornou pauta recorrente.
Ao ser indagado, Zema justificou a decisão alegando que o valor integral do salário, seja ele de R$ 1, R$ 10 ou R$ 50, é sistematicamente doado para instituições de caridade, principalmente a Apae. “Nunca coloquei R$ 1 no bolso”, declarou o pré-candidato. O próprio governador ressaltou que, quando assumiu o estado, havia significativa desigualdade entre salários de secretários estaduais, e que sua gestão teria promovido maior transparência.
Em entrevista ao DE, Zema destacou ainda que, durante a gestão anterior, comandada por Fernando Pimentel (PT), havia maiores benefícios extras e conselhos remunerados. “Era mentira pra inglês ver e eu gosto de transparência”, afirmou. A narrativa do político mineiro busca se distanciar dos antigos vícios da administração pública e reforçar valores alinhados à ética, tema caro ao eleitorado do Bolsonaro e que, em anos recentes, ganhou ainda mais força após operações como a Lava Jato.
Zema, alianças no centro-direita e os próximos passos na corrida eleitoral
O discurso do governador de Minas ocorre em meio a um cenário nacional de negociações e incertezas sobre coligações de centro, centro-direita e direita, onde nomes como o de Bolsonaro e, em uma frente oposta, o de Lula, polarizam o debate eleitoral. A postura de Zema revela estratégia para consolidar um eleitorado que busca opções além dos extremos, mas sem abrir mão do protagonismo na cabeça de chapa presidencial.
Diante das movimentações do Governo Federal e das articulações no Congresso, surge a pergunta: como o Novo pretende se posicionar contra adversários experientes e estruturas partidárias robustas? Segundo líderes da legenda, a aposta está em propostas de enxugamento do Estado, discurso anticorrupção e promoção de um ambiente de negócios mais aberto e competente.
Nos bastidores do evento em São Paulo, aliados de Zema descartaram, por ora, qualquer aproximação formal com o grupo político de Flávio Bolsonaro, mas mantêm canais abertos de diálogo – movimento visto em outros estados, como relatado por observadores da Política em Goiás. O que esperar, então, para os próximos dias? O próprio Zema projeta intensificar agendas públicas e viagens a capitais estratégicas até o fim de junho, buscando ampliar visibilidade nacional e fortalecer o Novo como alternativa autônoma.
A escalada de Zema à pré-candidatura é reflexo de uma conjuntura em que a renovação dos quadros políticos é demandada por boa parte do eleitorado brasileiro. Sua trajetória empresarial e o sucesso alegado à frente do Executivo mineiro são elementos usados para atrair o público descontente não só com antigos líderes, mas também com práticas de eternização no poder. A expectativa é que outros estados repercutam os debates lançados em São Paulo, como já começou a acontecer na Política em Goiás.
A polarização entre projetos liberais e modelos mais intervencionistas deve marcar este ciclo eleitoral, colocando temas como privatizações, reformas na legislação trabalhista e políticas ambientais no centro dos debates. O posicionamento de Zema, especialmente por prometer “acabar com privilégios de ricos”, desafia antigos paradigmas e se pauta em uma crítica aberta inclusive a setores do funcionalismo tradicionalmente resistentes a mudanças estruturais.
Segundo fontes próximas ao comando de campanha, existe ainda a preocupação em lidar com possíveis questionamentos legais e judiciais, principalmente no que diz respeito a temas como salários de autoridades e reformas institucionais. A relação entre Executivo e Judiciário será observada de perto, com a atuação do STF figurando como variável decisiva para a viabilidade de partes do programa apresentado pelo Novo.
Em relação a resultados práticos, chama atenção que Minas Gerais, sob comando de Zema desde 2019, avançou em alguns indicadores de recuperação fiscal e atraiu investimentos em setores estratégicos. Sua gestão, contudo, também enfrentou críticas duras de sindicatos e opositores por agendas de privatização e cortes em áreas sociais, tema recorrente em análises políticas veiculadas nos principais portais de Política.
No evento desta quinta-feira, Zema também mencionou que importantes projetos de infraestrutura e desburocratização devem servir de exemplo para outras unidades da federação, caso seja eleito chefe do Executivo nacional. O debate sobre equilíbrio fiscal e responsabilidade administrativa é recorrente, e, segundo especialistas, pode influenciar o comportamento do eleitor nos meses que antecedem as urnas.
A condução de temas sensíveis como flexibilização de direitos trabalhistas e maior integração entre agronegócio e políticas ambientais aponta para uma eleição marcada por polarização, mas também pela busca de alternativas ao duopólio político vigente. O papel do STF em possíveis impasses institucionais será, sem dúvida, um dos eixos decisivos do segundo semestre. Vale acompanhar como novas proposições do Novo influenciarão o debate eleitoral já no início de julho, quando outras chapas deverão ser oficialmente confirmadas.

