SÃO PAULO (SP) — Em um discurso que prometeu sacudir o mercado e a política, o governador de Minas Gerais e pré-candidato do Partido Novo à Presidência, Romeu Zema, anunciou neste sábado (18) que, se eleito, privatizará a Petrobras e o Banco do Brasil. A promessa foi feita durante o 10º Encontro Nacional do partido, realizado na capital paulista, e já ecoa como um dos eixos centrais de sua campanha.
Zema não se limitou a anunciar a venda. Ele detalhou que os recursos obtidos com a alienação dessas gigantes estatais serão destinados exclusivamente a um ambicioso pacote de obras de infraestrutura. “Esse dinheiro vai virar estradas, ferrovias, hidrovias, portos pelo país inteiro”, afirmou o político aos apoiadores presentes.
A declaração foi recebida com entusiasmo pela plateia, composta por filiados e simpatizantes do Novo. O governador mineiro conectou a medida a um diagnóstico direto: “Hoje o Brasil produz como um gigante, mas ainda transporta a sua riqueza como um país atrasado”. Para ele, a venda das estatais é o primeiro passo para destravar o crescimento econômico.
O evento, que reuniu lideranças do partido em SÃO PAULO, serviu como palco para Zema detalhar a terceira missão de um eventual governo: “virar a chave do crescimento e da prosperidade”. Segundo ele, a meta é reduzir gastos públicos, diminuir a dívida e, consequentemente, baixar os juros para estimular a economia.
Privatização bilionária para turbinar o país
Zema foi categórico ao explicar o destino do dinheiro levantado com as privatizações. “Vamos começar privatizando a Petrobras e o Banco do Brasil. E não é para pagar as contas de Brasília, mas para construir o futuro do Brasil”, discursou, arrancando aplausos. O pré-candidato destacou que a venda não é um fim em si mesma, mas um meio de financiar a modernização da logística nacional.
Ele rebateu indiretamente críticas de que a venda de estatais enfraqueceria o Estado. “Não se trata de vender o patrimônio para tapar buraco. É sobre transformar ativos parados em motores de desenvolvimento”, disse à imprensa após o discurso. A menção direta a Petrobras e BB coloca Zema em rota de colisão com a política econômica atual, que mantém o controle estatal sobre ambas as empresas.
Críticas ácidas a Lula, cotas e “doutrinação”
O pré-candidato não poupou alvos. Em tom incisivo, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o que chamou de “doutrinação progressista nas escolas”. “O Brasil não aguenta mais quatro anos de Lula, mais quatro anos em que o trabalhador precisa ter dois empregos para fechar a conta”, disparou. Ele também atacou as políticas de cotas raciais, afirmando que elas “enxergam primeiro a cor da pele e só depois a cor das pessoas”.
A fala gerou reações imediatas entre os presentes, com apoiadores vibrando a cada ataque ao governo federal. Zema ainda classificou a gestão petista como uma “caricatura do atraso e da ignorância” em relação à família cristã, sinalizando uma pauta de costumes que deve ser central em sua campanha.
Segurança dura e ofensiva contra o STF
Na área da segurança, Zema prometeu endurecer o combate ao crime organizado. Ele propôs classificar facções criminosas como organizações terroristas e envolver as Forças Armadas na retomada de territórios controlados por traficantes. A pena mínima para crimes cometidos por integrantes desses grupos seria de 25 anos, sem direito a benefícios.
O pré-candidato também voltou a criticar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Zema afirmou que, se eleito, buscará construir maioria no Senado para aprovar o impeachment de Moraes. Defendeu ainda o fim das decisões monocráticas, do foro privilegiado e a proibição de parentes de ministros advogarem nos tribunais superiores. “O Judiciário precisa ser reformado, não pode continuar sendo um poder intocável”, concluiu.





