PORTO ALEGRE (RS) — A aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan foi temporariamente suspensa no Rio Grande do Sul, seguindo determinação do Ministério da Saúde anunciada nesta segunda-feira (8). A decisão nacional atinge 500 mil doses aplicadas no país, das quais 42 apresentaram reações severas e dois óbitos estão sob investigação. O estado recebeu 28 mil doses do imunizante, destinadas a profissionais de saúde, que compõem o público prioritário da campanha. O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) realiza um levantamento para confirmar quantas aplicações ocorreram e traçar o perfil dos vacinados.
A suspensão ocorre após a identificação de eventos adversos graves que não haviam sido observados durante os estudos clínicos. A pesquisa que levou à aprovação da vacina acompanhou 16 mil pessoas por cinco anos, sem registro de reações dessa magnitude. A medida integra o esforço de monitoramento do Rio Grande do Sul em relação à segurança vacinal, alinhada à orientação federal.
Investigação apura causas de reações severas
A campanha de imunização com a vacina do Butantan teve início em fevereiro deste ano em todo o país. Até o momento, 500 mil doses foram aplicadas. As 42 reações graves representam menos de 1% do total de vacinados e incluem dois óbitos que estão sob apuração. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a investigação vai analisar cada caso para identificar fatores de risco comuns. “Isso pode reorientar a estratégia de vacinação”, declarou em entrevista à imprensa.
O trabalho é conduzido pelo Instituto Butantan, com acompanhamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O objetivo é apresentar novos dados que subsidiem a avaliação de retomada da aplicação. O Ministério da Saúde reforça que a suspensão não invalida a eficácia do produto, mas exige cautela enquanto os eventos são esclarecidos.
Orientações para vacinados e continuidade de outras vacinas
O governo federal orienta que as pessoas que receberam a vacina do Butantan nos últimos 21 dias busquem acompanhamento médico. Os vacinados devem ficar atentos a sintomas como febre, dor abdominal e vômitos. A suspensão atinge exclusivamente o imunizante do Instituto Butantan. A vacina Qdenga, aplicada em duas doses para o público de 10 a 14 anos, continua disponível nos postos de saúde do estado e não sofre alterações na recomendação.
A Secretaria Estadual da Saúde acompanha as investigações e manterá a população informada sobre eventuais atualizações. Até a conclusão dos estudos, as doses do Butantan permanecerão armazenadas nas redes de saúde do Rio Grande do Sul.



