RÚSSIA CRITICA ONU E OCIDENTE: TENSÕES E SANÇÕES NA UCRÂNIA

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DE critica declarações do Secretário-Geral da ONU e política ocidental ampliam tensões em debates sobre Ucrânia e sanções

Segundo Zakharova, Guterres teria “acabado se tornando um instrumento da propaganda ocidental”

RÚSSIA CRITICA DECLARAÇÕES DO SECRETÁRIO-GERAL DA ONU E POLÍTICA OCIDENTAL AMPLIAM TENSÕES EM DEBATES SOBRE UCRÂNIA E SANÇÕES

31 de janeiro de 2026, 05:35 h

Maria Zakharova, porta-voz da Chancelaria russa (Foto: Chancelaria russa) Apoie o 247

247 – A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, fez duras críticas ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e à condução ocidental de temas ligados à Ucrânia, à segurança energética e à política de sanções. As declarações foram dadas durante uma coletiva de imprensa em Moscou, na qual a diplomata também comentou a situação na Moldávia, o caso Nord Stream e a política europeia em relação ao gás russo.

Segundo Zakharova, Guterres teria “acabado se tornando um instrumento da propaganda ocidental” ao afirmar que o direito à autodeterminação não se aplica a Donbass. Para a diplomata, a posição do chefe da ONU é uma “afirmação surpreendente e bizarra”, especialmente ao negar esse direito também à Crimeia, aponta reportagem da TASS.

NEGOCIAÇÕES EM ABU DHABI E ATAQUES A CIVIS

Ao comentar as negociações trilaterais entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia realizadas em Abu Dhabi nos dias 23 e 24 de janeiro, Zakharova afirmou que, após as reuniões, “o exército ucraniano intensificou seus ataques deliberados” contra civis. De acordo com ela, na última semana, 99 pessoas teriam sido afetadas por bombardeios e ataques de drones, com 15 mortos e 84 feridos, entre eles quatro crianças. Questionada sobre uma possível nova rodada de encontros em Abu Dhabi, a porta-voz evitou detalhes e declarou: “Prefiro não comentar sobre a próxima reunião neste momento. Faremos isso mais tarde.”

NAVEGAÇÃO MARÍTIMA E CRISE ENERGÉTICA

Zakharova também alertou que a Rússia tomará “todas as medidas ao seu alcance” caso normas legais relacionadas a navios russos sejam violadas. Sobre o petroleiro Grinch, detido pela Marinha Francesa, ela afirmou: “Quanto ao petroleiro acima mencionado, os dados de fontes abertas indicam que não existe qualquer ligação com o nosso país.” No campo político, a diplomata acusou o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, de ignorar sua responsabilidade pela crise no país. Segundo ela, Zelensky e sua “gangue” seriam responsáveis “pela deplorável situação atual na Ucrânia, incluindo a crise energética”. Zakharova lembrou que o líder ucraniano havia anunciado que não iria ao Fórum Econômico Mundial de Davos em solidariedade à população, mas mudou de posição. “Assim que surgiu a oportunidade de se encontrar com o presidente dos EUA, Zelensky imediatamente se esqueceu do sofrimento de milhões de seus compatriotas, que têm de viver sem eletricidade, água e aquecimento. E correu a toda velocidade para a Suíça em 22 de janeiro.”

DISCURSO EM DAVOS E REAÇÃO EUROPEIA

Sobre a fala de Zelensky em Davos, Zakharova foi ainda mais dura, classificando o discurso como “o delírio de um louco agressivo”. Ela afirmou ainda que a União Europeia começa a perceber a “natureza terrorista” e os “métodos bárbaros” do regime de Kiev, praticados “com a bênção de seus patrocinadores ocidentais”. De acordo com a porta-voz, “vozes realistas estão começando a ser ouvidas” em alguns países europeus.

RUSSOS DETIDOS, MOLDÁVIA E ACUSAÇÕES DE NEONAZISMO

No tema da russofobia, Zakharova exigiu que a Alemanha permita “acesso consular imediato” a um cidadão russo detido por arrecadar ajuda humanitária para Donbass. Ela também condenou a prisão do cientista Alexander Gaponenko na Letônia, classificando a sentença como um “veredicto politizado baseado em acusações falsas e fabricadas”. Sobre a Moldávia, a diplomata afirmou que a russofobia crescente está levando o país “a lugar nenhum” e com um alto custo. Já as acusações do Ministério da Cultura da Ucrânia contra bailarinos da Ópera Nacional, Natalia Matsak e Sergey Krivokon, por apresentarem O lago dos cisnes no exterior, foram descritas como um exemplo de “des-russificação neandertal”.

Zakharova também criticou a iniciativa do Comitê Olímpico da Letônia de proibir qualquer comunicação com atletas russos e bielorrussos, afirmando que se trata de um caso em que o nacionalismo é elevado “ao nível extremo do neonazismo”. “It is truly neo-Nazism when people are prohibited from communicating on grounds of nationality”, declarou.

NORD STREAM, GÁS RUSSO E IRÃ

Em relação à investigação sobre a explosão dos gasodutos Nord Stream, Zakharova disse esperar que a Polônia “cumpra suas obrigações sob a convenção” e não ofereça abrigo a suspeitos. Ela comparou a postura polonesa com a da Itália, afirmando: “We have noted how quickly Italy extradited the suspect in the terror attack to Germany. Poland, on the contrary, is seeking to hamper efforts to find the truth by providing shelter to another suspected criminal, Vladimir Zhuravlev of Ukraine.” Para Moscou, não é aceitável a versão de que “apenas ucranianos” estariam envolvidos no ataque, e a hipótese de participação de serviços secretos ocidentais “requer uma investigação adequada”.

Sobre a possível proibição do gás russo, Zakharova advertiu que, se a União Europeia não cumprir seus compromissos contratuais de longo prazo, a Rússia “usará todas as ferramentas que tem” para garantir os direitos de seus exportadores. Segundo ela, o país já vem redirecionando com sucesso suas exportações para “novos centros de crescimento econômico global, principalmente na Ásia”.

Por fim, ao abordar o Irã, a porta-voz afirmou que Moscou espera que países ocidentais revisem sua “política condenável” de sanções contra o povo iraniano e deixem de usar o tema dos direitos humanos para encobrir tentativas de mudança de regime. Zakharova disse ainda esperar que “o bom senso prevaleça” diante das previsões sobre um novo ataque ao país, ressaltando que a posição da Rússia em relação ao Irã “não mudou” e segue sendo tema central nos contatos bilaterais.

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