SALTO (SP) — Uma tragédia abalou a cidade de Salto, no interior do Estado de São Paulo, após o duplo homicídio de Eliane Quintino de Souza, de 52 anos, e Devair Bispo, de 48 anos. O casal, que estava em um relacionamento há mais de três anos, foi brutalmente assassinado a facadas na madrugada de domingo, 14 de junho, enquanto dormia em sua residência localizada no bairro Residencial Parque Laguna. A polícia local investiga o ocorrido, classificado como um crime hediondo que chocou a comunidade.
A investigação inicial apurou que as vítimas não tiveram nenhuma chance de defesa durante o ataque. O principal suspeito do crime é Mateus Bispo dos Santos, de 19 anos, filho de Devair e enteado de Eliane. Segundo informações da Polícia Militar, Mateus teria agido de forma premeditada, tendo utilizado uma faca para cometer o duplo homicídio enquanto os dois dormiam. Após o crime, o jovem tentou tirar a própria vida em um local próximo, sendo contido pela Guarda Civil Municipal (GCM).
Um elo de amor interrompido
Eliane e Devair viviam juntos em um relacionamento marcado por sinais profundos de afeto e companheirismo. De acordo com Petelin, filho de Eliane e fotógrafo, a relação entre sua mãe e Devair era plena de felicidade. “A gente era super unida, super feliz. A minha mãe era muito feliz com o Devair”, afirma Petelin, ressaltando o caráter carinhoso e trabalhador de Devair, que sempre demonstrou preocupação com a sua família. O amor e a harmonia do casal foram elevados nas redes sociais pelo filho, que agradeceu pelas memórias e pelo reconhecimento do caráter das vítimas.
O jovem, que vivia em uma relação complicada com o enteado, relatou que existiram desentendimentos entre eles. Apesar disso, a união que Eliane e Devair mantinham era admirada por todos ao seu redor. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, Petelin expressou seu desejo de que os falecidos sejam lembrados como pessoas boas que amavam um ao outro. “A vida é um sopro e a gente precisa aproveitar todos os momentos”, disse ele, refletindo sobre a fragilidade da vida e a importância de valorizar os momentos com os entes queridos.
A prisão do suspeito
Mateus, que também foi atendido por ferimentos nas mãos, se entregou às autoridades e confessou o crime, alegando estar em crise de abstinência. A equipe da GCM foi acionada e conseguiu conter o jovem, que revelou detalhes sobre a motivação do ato violento. Segundo suas declarações, ele havia trocado os celulares das vítimas por drogas em um local conhecido por tráfico de entorpecentes na cidade e tinha planos de utilizar o cartão bancário de Devair para sacar R$ 1 mil. Essa confissão e os bens subtraídos das vítimas foram de suma importância para acelerar as investigações.
A Polícia Civil tratou o caso com seriedade, uma vez que o duplo homicídio foi classificado como motivado por razões fúteis e realizado através de emboscada, além de um recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. As evidências encontradas no local do crime e a carta que pode ter sido escrita por Mateus foram encaminhadas para análise da Polícia Científica, que realiza uma investigação meticulosa para esclarecer todos os detalhes do caso.
O sepultamento e a dor da comunidade
As despedidas de Eliane e Devair foram marcadas por grande tristeza e comoção. O sepultamento de Eliane aconteceu no Cemitério Municipal de Salto, em 15 de junho, enquanto Devair foi sepultado no dia seguinte, 16 de junho, no Cemitério Municipal Parque dos Indaiás, em Indaiatuba. As cerimônias foram marcadas por homenagens de amigos, familiares e da comunidade que lamentaram a perda trágica e brutal do casal, que deixou um legado de amor e união que será sempre lembrado.
O deputado estadual e outros representantes locais expressaram suas condolências e a preocupação com a segurança na região, ressaltando a importância de medidas efetivas para prevenir a violência e proteger as famílias. A Prefeitura de Salto também se posicionou, destacando que está acompanhando o caso e oferecerá apoio psicossocial à família enlutada.
Próximos passos do caso
A prisão preventiva de Mateus já foi decretada pela Justiça, e o caso segue sob investigação detalhada pela Delegacia de Itu, onde outros desdobramentos legais são aguardados. Os representantes da lei continuarão a reunir evidências e depoimentos para garantir que o crime não fique impune. A vs afim de garantir que a memória das vítimas sirva como alerta para a sociedade sobre a violência que pode estar oculta em relações familiares, além da necessidade de tratamento adequado para aqueles que lutam contra a dependência química.
A tragédia em Salto deixou não apenas dor, mas também uma reflexão sobre a fragilidade das relações e a necessidade de apoio às famílias, além de um maior cuidado à saúde mental dos jovens em conflito. O governo do Estado de São Paulo e a sociedade esperam que esse caso se torne um marco para ações mais eficazes de prevenção à violência e suporte à saúde mental.



