Após assinar contrato emergencial com prefeitura, Sancetur recua e diz que não poderá assumir ‘plenamente’ linhas de ônibus da Transwolff
Transwolff é investigada por organização criminosa. A Prefeitura informou que deu início ao processo para uma nova licitação, que definirá o próximo concessionário.
A quatro dias de assumir a operação das linhas de ônibus da Transwolff na capital paulista, a Sancetur enviou um ofício à Prefeitura de São Paulo informando a “impossibilidade de assumir plenamente a execução do contrato emergencial” firmado com a gestão municipal, segundo nota da gestão municipal.
A prefeitura diz que “segue adotando todas as medidas necessárias para publicação do edital para concessão do serviço dos referidos lotes [D10 e D11]”.
As 133 linhas antes operadas pela Transwolff transportam 555 mil passageiros por dia. A Sancetur já vinha operando essas linhas desde que a prefeitura decretou intervenção na Transwolff. A empresa foi alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por suspeita de lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC.
A prefeitura informou na segunda-feira (26) que deu início ao processo para uma nova licitação, que definirá o próximo concessionário. E que, enquanto isso não ocorre, não haverá prejuízo para os passageiros nem para os funcionários, que terão os empregos mantidos, assim como o pagamento de salários e benefícios.
A Justiça de São Paulo proferiu duas decisões distintas em dezembro de 2025 envolvendo a empresa de ônibus Transwolff.
Em uma delas, a Vara de Crimes Tributários e Organizações Criminosas determinou a suspensão das atividades da Transwolff Transportes, investigada por organização criminosa. A decisão mantém o afastamento dos réus da gestão da companhia e autoriza a Prefeitura de São Paulo a vender antecipadamente imóveis e veículos apreendidos.
Segundo o juiz Thiago Machado, a medida é necessária para evitar a rearticulação do grupo, mesmo após a prefeitura ter decretado o fim do contrato com a empresa. O magistrado afirmou ainda que a decisão não afeta a prestação do serviço de transporte.
A Prefeitura de São Paulo informa que vai apresentar recurso para restabelecer os efeitos do decreto municipal. A decisão judicial foi tomada sem que o Município tivesse sido ouvido, o que impediu a Prefeitura de apresentar informações e documentos importantes para a elucidação dos fatos e avaliação correta do interesse público pelo Judiciário.




