São Paulo (SP) — A Avenida Paulista, um dos principais cartões-postais da capital paulista, se prepara para receber até dois megashows gratuitos por ano, após a aprovação do acordo pelo Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo. A decisão, que ocorreu nesta terça-feira (12), gerou debates acalorados entre os conselheiros, refletindo preocupações em torno da realização de eventos de grande escala na região.

O acordo foi homologado por uma margem apertada de 6 votos a 5 e busca revisar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que limitava a Avenida Paulista a apenas três eventos anuais: a Parada LGBT+, a Corrida de São Silvestre e a festa de Réveillon. Com essa nova medida, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) planeja realizar o primeiro megashow ainda no segundo semestre deste ano, expandindo a oferta cultural na cidade.

Dentre os artistas cotados para se apresentarem estão bandas internacionais de renome, como Foo Fighters, U2, Coldplay e Rolling Stones, prometendo atrair um público considerável e dinamizar a economia local.

Qual a motivação para os megashows em São Paulo?

A administração municipal justifica essa iniciativa como uma forma de democratizar o acesso à cultura e ao lazer na cidade. “Queremos garantir que a população tenha a oportunidade de assistir grandes espetáculos de forma gratuita, assim como acontece em cidades ao redor do mundo”, afirmou o secretário municipal de Justiça, André Lemos Jorge, durante a audiência sobre o assunto.

No entanto, a proposta gerou divisões entre os conselheiros do MP, que expressaram preocupações em relação à falta de estudos prélios sobre segurança, mobilidade e o impacto sonoro dos eventos na comunidade. Algumas vozes dentro do colegiado defenderam que a prefeitura deveria abrir um inquérito civil para investigar as possíveis consequências dos shows.

Conforme dados do Ministério da Justiça, a realização de eventos desse porte exige um planejamento meticuloso e a consideração de aspectos que garantam a segurança da população e a eficácia na logística de transporte público. Além disso, podem ocorrer tensões entre moradores e a administração, principalmente em relação ao barulho e à segurança durante os eventos, o que reforça a necessidade de estudos relevantes.

Como foi a discussão na votação do acordo?

A audiência que determinou a validade do acordo durou mais de quatro horas, com muitos conselheiros expressando sua preocupação sobre a repercussão dos megashows na região. A corrente favorável ao acordo argumentou que a prefeitura deve apresentar previamente medidas e estudos sobre segurança e impacto para cada evento, garantindo um acompanhamento pelo MP.

Por outro lado, os conselheiros contrários ao acordo insistiram que a falta de participação pública na elaboração do projeto é um sinal de que pontos cruciais não estão sendo levados em consideração. Eles enfatizaram a importância do debate comunitário, especialmente para ajustar o evento às necessidades locais, ratificando que a Avenida Paulista é um “cânion urbano”, onde o som reverbera com intensidade nas residências próximas.

Quais são as exigências para a viabilização dos megashows em São Paulo?

Para que os megashows sejam viáveis, a prefeitura deve cumprir uma série de exigências, que incluem a elaboração de estudos sobre a capacidade do público, planos de emergência e segurança, bem como pareceres do Corpo de Bombeiros e da CET. Além disso, deverão ser apresentados protocolos de emergência que garantam a comunicação com hospitais locais, incluindo o Santa Catarina e o HCor.

Uma das principais preocupações dos moradores gira em torno dos custos adicionais que esses eventos podem incorrer. Assim, o acordo estipula que não haverá custo algum para a cidade, com as despesas de montagem, segurança, limpeza e cachês sendo arcadas por patrocinadores ou organizadores privados. “Este é um passo necessário para a viabilidade do evento, respeitando a estrutura da cidade e a segurança da população”, afirmou o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.

Os impactos sonoros também foram um ponto de debate significativo. Estudos de impacto sonoro deverão ser realizados para limitar o volume dos shows e garantir que não transtornem os moradores da Paulista. “Um megashow pode ser uma atração incrível para turistas e paulistanos, mas deve ser gerido de maneira que respeite os direitos da comunidade”, ressalta Marcelo Sando, representante do movimento Paulista Boa Para Todos.

O que esperam os moradores da Avenida Paulista?

À medida que o planejamento para os eventos avança, muitos moradores expressaram suas preocupações em relação às consequências de realização de grandiosos shows em sua vizinhança. Além das questões de barulho, há também o temor sobre o aumento da violência e da agitação na área, considerada já saturada em termos de fluxo e mobilidade. Moradores afirmam que sem uma consultoria adequada e participação nas decisões, resultarão em consequências adversas para a comunidade.

Por outro lado, alguns moradores veem os shows como uma oportunidade única para revitalizar a cultura na Avenida Paulista e transformar a cidade em um ponto de atração internacional. “Se bem organizados, esses eventos podem por trazer grande visibilidade para São Paulo e ampliar o nosso protagonismo cultural”, disse uma residente que preferiu não se identificar.

Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia como a gestão pública deve ser capaz de equilibrar as expectativas de consumidores de cultura e as necessidades dos cidadãos que habitam a região afetada. A criação de espaços de debate e a abertura ao diálogo com a sociedade são cruciais para que essa equação funcione de maneira positiva.

A equipe do Diário do Estado segue acompanhando a situação e está em contato com representantes da prefeitura e organizadores de eventos, a fim de trazer novas informações assim que forem confirmadas.