“Se retrate”, pede diretor da Anvisa à Bolsonaro

Antonio Barra Torres emitiu nota afirmando que acusações de suspeitas de interesses escusos para liberação de vacinação de crianças podem ser motivo de investigações a pedido do presidente

O levantamento de suspeitas de interesses escusos feito pelo presidente Jair Bolsonaro em relação à recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para vacinação de crianças de 5 a 11 anos motivou a publicação de uma nota do presidente da autarquia, Antonio Barra Torres.

No texto, publicado neste sábado (08), ele pede que Bolsonaro solicite investigações de fatos suspeitos de quaisquer natureza. “Se o senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o Senhor tanto cita, se retrate”, escreveu Barra Torres.

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Ele ainda destacou que nunca levantou falso testemunho na trajetória como pessoa, profissional e integrante das Forças Armadas (Torres é médico da Marinha), que possui valores morais e caráter e ainda que nunca se apropriou do que não fosse dele.

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“Não perca tempo nem prevarique, senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa. Aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa”, pediu o presidente da Agência.

A prevaricação a que Barra Torres se refere é o crime de retardar, deixar de praticar ou praticar indevidamente ato de ofício ou praticá-lo contra disposição expressa de lei por interesse ou sentimento pessoal cometido por servidor público. A pena é detenção, de três meses a um ano e multa.

Atritos

A nota divulgada é mais uma reação às falas negacionistas e antivacina de Jair. Outro motivo de desgaste entre ambos é o passaporte vacinal para estrangeiros. Em dezembro, Barra Torres afirmou que o comportamento e posicionamento do presidente estimularam as ameaças de ameaças de morte, agressão física, violência contra servidores da Anvisa e familiares deles.

Em uma live nas redes sociais no dia 27 de dezembro, Jair Bolsonaro criticou a vacinação em crianças, afirmou que não vai imunizar a filha dele, de 11 anos, e expôs por que não demitiu Barra Torres.

“Fechou o diálogo. É impossível conversar mais ali com o presidente da Anvisa. Ele tem a opinião dele, tem mandato, e continua lá. Boa sorte para ele, tomara que ele acerte”, ressaltou. Apesar da declaração, pouco mais de uma semana depois do vídeo, Bolsonaro insinuou que a Anvisa teria algum interesse por trás da autorização.

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