RECIFE (PE) — A secretária executiva da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, foi exonerada do cargo duas semanas após ser indiciada pela Polícia Civil por forjar um ataque a tiros ocorrido em março deste ano na rodovia PE-28. A decisão foi assinada pelo prefeito Lula Cabral e publicada no Diário Oficial do município da quarta-feira (3).
A exoneração ocorre no contexto de um inquérito policial que também indiciou o motorista da caminhonete, Ewerton Eduardo, e o pai dele. Desde maio, Aline já estava afastada da função, assim como o motorista, enquanto as investigações avançavam. Em seu lugar, assumirá Penélope Regina Silva de Andrade, atual secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Política sobre Drogas, que acumulará as duas pastas, conforme informou a prefeitura.
Decisão publicada no Diário Oficial
A portaria que formalizou a saída de Aline Melo foi divulgada no Diário Oficial do Cabo de Santo Agostinho, sem detalhamento adicional sobre os motivos. O prefeito Lula Cabral, do Solidariedade, determinou a substituição de forma imediata, e Penélope Regina já acumula funções na nova estrutura. A secretária executiva exonerada estava na função desde o início da gestão, mas o caso do suposto atentado abalou a confiança no cargo, especialmente após o indiciamento pela Polícia Civil de Pernambuco.
Investigação apontou forjamento do crime
O suposto atentado ocorreu na noite de 26 de março, na PE-28. Segundo a investigação, Aline Melo seguia em uma caminhonete no sentido do litoral quando um motociclista se aproximou e disparou contra o veículo. Um dos tiros atingiu a janela traseira, na altura da cabeça da secretária. Em depoimento inicial, ela e o motorista relataram ter visto a moto tentar ultrapassar pelo acostamento antes do disparo.
No entanto, a polícia passou a desconfiar da versão após analisar imagens de câmeras de segurança. Um dos vídeos mostra um encontro de 17 segundos entre a caminhonete e o motociclista, o que contradisse a narrativa inicial. A moto usada no ataque pertence ao pai do motorista Ewerton Eduardo, o que reforçou a suspeita de que o crime foi forjado. Ambos foram autuados por denúncia falsa, e a secretária executiva foi indiciada como parte do esquema.
Defesa nega acusações e pede arquivamento
Em pronunciamento enviado aos veículos de imprensa, a defesa de Aline Melo negou que o atentado tenha sido forjado e afirmou que a polícia cometeu um “grande equívoco”. O advogado Anderson Flexa argumentou que nenhum laudo pericial conclusivo foi apresentado, como análise de trajetória ou exames técnicos, e que o inquérito carece de provas sólidas. “Aquilo que deveria estar no inquérito não está, e o que segue esse provado não tem provas”, disse ele em vídeo divulgado em maio.
A defesa expressou confiança de que o Ministério Público irá “enxergar todas essas fragilidades” e promover o arquivamento do caso. Até o momento, as investigações seguem em andamento, e a exoneração de Aline Melo representa o desfecho administrativo imediato, enquanto o processo criminal ainda tramita. O motorista Ewerton Eduardo também permanece afastado, e a prefeitura não se manifestou sobre possíveis novas medidas disciplinares.



