São Paulo (SP) — Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (8), aponta que a falta de policiamento é o maior problema da segurança pública para 20% dos moradores do estado de São Paulo. Os dados foram coletados entre 1º e 3 de julho em 71 cidades, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, ouvindo 1.608 eleitores.

A pesquisa, encomendada pelo jornal “Folha de S.Paulo”, revela um leve decréscimo na preocupação com a falta de policiamento em comparação com o levantamento anterior, de 2022, onde 24% dos entrevistados acreditavam que esse era o principal problema. Em segundo lugar na pesquisa atual, os assaltos foram citados por 11%, um aumento em relação aos 8% da pesquisa passada.

Outros fatores como a falta de segurança geral, mencionada por 7% dos entrevistados, e a impunidade, com 6%, continuam preocupando a população. Facções criminosas e o crime organizado foram mencionados por 4% dos cidadãos, refletindo a complexidade dos desafios que a segurança pública enfrenta no estado.

O que a pesquisa revela sobre a percepção da segurança em São Paulo?

Quando analisadas as categorias da segurança, a pesquisa mostra que, além da falta de policiamento, existe uma preocupação significativa com o tráfico de drogas e a violência, ambos citados por 8% dos respondentes. Questões como falta de investimento e a desvalorização dos policiais foram mencionadas por 3%, enquanto 2% dos entrevistados relataram abusos de poder por parte da polícia.

Entre os diferentes grupos demográficos, a percepção sobre a segurança apresenta variações importantes. Por exemplo, enquanto 24% dos entrevistados na faixa etária de 35 a 44 anos consideram a falta de policiamento o principal problema, apenas 14% da faixa entre 16 e 24 anos compartilha dessa opinião. Essa disparidade pode indicar diferentes níveis de exposição à criminalidade relacionadas à idade.

A pesquisa também destaca que a capital e a região metropolitana de São Paulo possuem uma taxa de preocupação maior, com 24% dos moradores localizando na falta de policiamento o principal desafio. Em contrapartida, no interior do estado, essa porcentagem é de 17%.

Como os diferentes grupos demográficos percebem a segurança pública?

Dividindo as respostas por gênero, a pesquisa indica que 22% das mulheres veem a falta de efetivo policial como o maior problema, em contraste com 18% dos homens que compartilham desse ponto de vista. Esses dados sugerem que a percepção da segurança pode ser influenciada por diferentes parâmetros sociais e experiências vividas.

Além disso, as pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2026 também mostram correlação com as preocupações apresentadas. Com uma margem de erro de 4 pontos percentuais, os pré-candidatos Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e Fernando Haddad, do PT, possuem base de apoio entre eleitores preocupados com a segurança, sendo que 19% dos eleitores de Tarcísio e 25% dos de Haddad citam a falta de policiamento como prioridade.

Para contextualizar, é crucial mencionar a trajetória política dos dois pré-candidatos. Tarcísio, atual governador, possui um histórico de articulações com a base militar e política em torno do tema segurança, enquanto Haddad tem uma forte ligação com movimentos sociais, prometendo integrar diferentes estratégias no combate à criminalidade em sua campanha.

Quais as implicações políticas das preocupações com segurança?

Acompanhando a evolução da percepção pública sobre segurança, analistas políticos sugerem que o tema deve ser central na agenda eleitoral de 2026. A segurança pública não apenas afeta diretamente a vida dos cidadãos, mas também se torna um critério vital para decidir o voto, especialmente em um estado como São Paulo, onde a segurança é um tópico de fervorosa discussão nas mesas de bar e nas redes sociais.

De acordo com observadores políticos, a capacidade dos candidatos em abordar esses desafios de forma propositiva pode determinar não apenas seus destinos eleitorais, mas também a eficiência com que conseguirão implementar políticas de segurança no futuro. Uma abordagem que una a valorização da polícia, a proteção dos cidadãos e a eficiência das leis pode se revelar uma combinação poderosa nas propostas de campanha.

Quais ações podem ser tomadas diante desse cenário crítico?

Frente a este cenário, especialistas em segurança pública propõem que o governo estadual deve considerar não apenas o aumento do efetivo policial, mas também estabelecer programas de capacitação e valorização dos profissionais de segurança. É essencial que existam investimentos em áreas que tratem do bem-estar social, a fim de diminuir as causas que levam à criminalidade e ao tráfico.

Além disso, o fortalecimento da parceria entre população e polícia, através de programas comunitários, pode gerar um ambiente de confiança que resulte em maior eficácia nas operações policiais. A criação de conselhos de segurança que integrem os cidadãos também é uma sugestão que pode ajudar a legitimar a atuação policial e a implementação de políticas públicas mais efetivas.

O engajamento da sociedade civil em diálogos sobre segurança é vital. Campanhas de conscientização e o incentivo a denúncias anônimas são formas de promover uma cultura de participação ativa na busca por soluções. É nesse sentido que a colaboração entre o governo e organizações não governamentais se torna imprescindível para a construção de um estado mais seguro e justo para todos.