SÃO PAULO (SP) — Em 2014, a seleção mexicana escolheu a cidade de Santos, no litoral de SÃO PAULO, como base para sua participação na Copa do Mundo no Brasil, uma decisão que movimentou a região e deixou marcas culturais e históricas na Baixada Santista. Agora, às vésperas da Copa de 2026, que terá abertura entre México e África do Sul, a conexão entre esses países e a área ganha novo destaque. As duas seleções se enfrentam nesta quinta-feira (11), às 16h, no Estádio Azteca, na capital mexicana, repetindo o confronto de abertura de 2010, quando a África do Sul sediou o torneio.

Hospedagem movimentou a cidade em 2014

Durante o mundial no Brasil, a delegação mexicana se instalou no Parque Balneário Hotel, localizado no bairro do Gonzaga, em Santos. Junto com a Costa Rica, os jogadores utilizaram o Centro de Treinamento Rei Pelé, pertencente ao Santos F.C., para realizar suas atividades. Embora não houvesse jogos programados na região, a simples presença dos atletas atraiu mais de 12 mil turistas, a maioria mexicanos, além de jornalistas e fãs de futebol. Bares e restaurantes locais adaptaram seus cardápios com pratos típicos do país e decoraram os estabelecimentos em clima de Copa, gerando um impacto econômico significativo na cidade.

Comunidade México 70 mantém história viva

Em São Vicente, cidade vizinha, existe a comunidade México 70, uma das maiores e mais antigas áreas vulneráveis da região. Localizada entre a Ponte dos Barreiros e a Ponte do Mar Pequeno, às margens de canais de mangue, a ocupação começou no início dos anos 1960. O nome é uma homenagem direta à conquista da Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira, que venceu o tricampeonato no México sob a liderança de Pelé. Segundo informações oficiais, a recepção calorosa que o time recebeu ao retornar ao Brasil motivou a batização do bairro vicentino, que até hoje carrega essa referência histórica.

Conexões sul-africanas com a Baixada Santista

Do outro lado do Atlântico, a África do Sul também possui laços com Santos. Em 1982, foi fundado o Santos Football Club, na Cidade do Cabo, inspirado no clube brasileiro. Conhecido como “Time do Povo”, o clube sul-africano se destacou por sua postura de inclusão durante o período do Apartheid, sendo um símbolo de resistência e identidade cultural. Curiosamente, sua única conquista nacional de primeira divisão ocorreu em 2002, mesmo ano em que o Santos do Brasil venceu o Campeonato Brasileiro, quebrando um jejum de 34 anos. Além disso, representantes diplomáticos da África do Sul visitaram Santos em 2015 e 2018 para discutir cooperações nas áreas portuária, petrolífera e de infraestrutura, como o projeto do Túnel Santos-Guarujá e o VLT, reforçando os vínculos estratégicos entre as regiões.