Sem dinheiro, turistas ficam retidos em Dubai devido ao conflito no Oriente Médio

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A advogada Nathaly Valuche foi retida no aeroporto sem aviso prévio da companhia aérea. Ela voltaria ao Rio de Janeiro via Doha, mas descobriu o cancelamento apenas ao chegar ao terminal, após receber alertas de conhecidos no Brasil. ‘A gente não conseguiu nem entrar. Ali mesmo eu tive que reservar um hotel’, conta Nathaly.

Sem dinheiro, sente até falta de seus remédios controlados, como Rivotril. ‘Tomo remédio controlado e já estou sem. Não sei como compro Rivotril aqui. Está muito difícil permanecer’, diz a advogada.

O medo de falhas na interceptação de mísseis e a pressão familiar aumentam a tensão. Nathaly comprou uma nova passagem em voo direto, pagando um valor alto, mas teme novo cancelamento e se preocupa com o filho de 12 anos que a espera. ‘Nunca vou dizer que pra mim isso aqui é normal. Eu fico em dúvida até quando os Emirados vão ser capazes de interceptar todos os mísseis. Eu não sou rica’, desabafa a advogada.

A diarista Maria Lúcia Ferreira Silva e a filha, Andréia Ferreira Santos, relatam explosões e alertas de mísseis no celular. Moradoras de Cotia (SP), elas descrevem o pânico vivido desde o último sábado (28), quando o conflito se intensificou. ‘Estamos vivendo dias de muita apreensão aqui. No sábado à tarde ouvimos barulhos muito fortes, pareciam bombas’, diz Maria Lúcia.

Os voos de retorno ao Brasil foram cancelados sucessivamente, gerando custos extras. A passagem de volta, operada pela Qatar Airways com conexão em Doha, estava marcada para segunda-feira (2), foi adiada para o dia 6 e cancelada novamente. ‘Seguimos sem uma definição concreta de quando conseguiremos retornar ao Brasil’, afirma a diarista.

O artista brasileiro Gian Gigi Spina testemunhou a interceptação de mísseis da varanda de casa. ‘Pareciam cometas, bolas de fogo descendo do céu. Vimos um míssil, que de fato caiu, ouvimos os sons e parecia tudo um sonho estranho’, relata Spina.

O governo dos Emirados Árabes Unidos afirma ter interceptado mais de mil ameaças aéreas. As autoridades locais reiteram que o país não participa da guerra, enquanto o Irã declara que seus alvos são apenas bases utilizadas pelos Estados Unidos, e não os países anfitriões.

O Ministério das Relações Exteriores monitora a situação por meio das embaixadas. O órgão afirma estar em contato com as comunidades e turistas brasileiros nos diversos países da região. As embaixadas permanecem à disposição para prestar assistência consular. O ministério reforça que emitiu alerta consular sobre a situação. O comunicado contém informações e recomendações sobre como proceder durante a atual escalada de tensões no Oriente Médio.

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