Semáforos em São Paulo: Tempo de espera para pedestres aumenta de acordo com Instituto Corrida Amiga

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Quase metade dos semáforos da cidade de São Paulo ficam abertos apenas cerca de cinco segundos de tempo de travessia para pedestres, de acordo com um levantamento do Instituto Corrida Amiga, que analisou tempos semafóricos na capital.

Segundo o estudo, 44% dos equipamentos ficam de 4 a 5 segundos liberados para atravessar a rua — um intervalo considerado insuficiente para quem não consegue andar rápido, como idosos, crianças e pessoas com deficiência.

Na Avenida Rebouças, uma das principais vias da cidade, o movimento é intenso ao meio-dia e o pedestre não tem prioridade. A dona de casa Patrícia Lima relata a dificuldade diária para atravessar a avenida. “Fecha muito rápido. Teria que ter pelo menos um minuto, mas nem isso tem”, afirma.

Situação parecida é vista no cruzamento das avenidas João Dória e Doutor Chucri Zaidan, no Jardim das Acácias, Zona Sul. Ali, segundo moradores e usuários da via, o semáforo quase não garante segurança aos pedestres.

Em um dos trechos analisados, a ciclovia termina e bicicletas, patinetes, carros e motos passam a disputar o mesmo espaço. O tempo de travessia chega a 18 segundos. À primeira vista, pode parecer suficiente, mas quando a rua está cheia, a situação se complica. Márcio, que trabalha perto do local, diz que conhece bem o problema.

No Centro da capital, na Bela Vista, em frente à Federação Espírita, a Rua Maria Paula — que integra o chamado “mini anel viário” de São Paulo e é caminho para quem segue às praças da Sé e João Mendes — atravessar em 12 segundos é arriscado a qualquer hora do dia.

Um levantamento feito pelo SP1 mostra que as queixas registradas no telefone 156 da prefeitura cresceram no último ano. Entre janeiro e setembro de 2025, foram 2.127 reclamações, número 14,23% maior do que no mesmo período de 2024.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) afirma que os tempos de travessia são definidos de acordo com a largura da via, mas que, em situações específicas, esse tempo pode ser ampliado. A companhia diz ainda que o aumento do número de faixas de pedestres também é uma possibilidade.

O levantamento do Instituto Corrida Amiga mostra que, apesar de uma leve melhora, o avanço foi pequeno. A média do tempo verde para pedestres passou de 4,7 segundos para 5,8 segundos de um ano para o outro — um ganho de cerca de um segundo, ou aproximadamente 20% a mais. Do outro lado, o tempo médio de espera caiu de dois minutos para um minuto e 38 segundos. Ainda assim, mais da metade das travessias tem espera superior a 90 segundos, e houve casos em que o pedestre ficou mais de três minutos parado aguardando o sinal abrir.

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