O Globoplay lançou a série “Quebra de Juramento – um médico no banco dos réus”, que estará disponível a partir de 8 de janeiro, abordando os bastidores da investigação envolvendo o cirurgião João Couto Neto. João é alvo de mais de cem inquéritos policiais, sendo suspeito de causar a morte de pelo menos 40 pacientes e lesões corporais em outros 108. A produção conta com três episódios que revelam detalhes inéditos do caso, destacando a atuação do médico em cirurgias por videolaparoscopia, como hérnia, vesícula e endometriose, ao longo de 19 anos de carreira no Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul.
De acordo com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, as investigações apontam que João teria abandonado práticas éticas em prol de lucro, adotando uma rotina descrita como “linha de produção” em hospitais privados. A série documental apresenta depoimentos exclusivos de familiares de potenciais vítimas, pacientes, autoridades policiais, promotores, advogados, médicos e pesquisadores, além de áudios e mensagens trocadas entre João e pacientes, juntamente com depoimentos prestados pelo cirurgião às autoridades.
“A série procura oferecer um retrato imparcial das investigações, trazendo as conclusões policiais e do Ministério Público até o momento, sem emitir juízos de valor sobre a responsabilidade do cirurgião, visto que o caso está em aberto na Justiça,” explica Clarissa Cavalcanti, produtora executiva da série. O tema da ética médica, mercantilização da saúde e desafios em responsabilizar empresas e profissionais do setor em casos de falhas na prestação de serviços é amplamente discutido na produção.
A série também aborda o crescimento de ações judiciais por danos morais e materiais na saúde, bem como o aumento do número de escolas médicas no Brasil. Thiago Guimarães, diretor e roteirista da produção, destaca a importância de discutir a precarização da relação médico-paciente e a judicialização da saúde no país, mostrando que os problemas enfrentados por João Couto Neto refletem questões estruturais mais amplas na prática médica nacional.
João Couto Neto já foi preso duas vezes durante as investigações e atualmente responde em liberdade, com a proibição de exercer a medicina. Ele é réu em dois processos, enfrentando acusações de homicídio por omissão e dolo eventual contra seis ex-pacientes. A Justiça do Rio Grande do Sul deve decidir em breve se esses casos serão levados a júri popular. A série conta com a direção de Thiago Guimarães, produção executiva de Clarissa Cavalcanti, roteiro de Thiago Guimarães e Renata Matarazzo, produção de Stephanie Lotufo e fotografia de Adriano Ferreira, estreando no Globoplay em 8 de janeiro.




