Os ritos da Sexta-feira da Paixão em Sabará mobilizaram centenas de fiéis nas ruas da cidade, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Logo ao amanhecer desta sexta-feira (3), os participantes se reuniram para acompanhar a tradicional Via Sacra da Madrugada, um dos eventos mais simbólicos da religiosidade popular em Minas Gerais.

A procissão tem início às 4h, no centro histórico de Sabará, ao som das matracas, instrumentos tradicionais que substituem os sinos durante a Semana Santa. Com cerca de três quilômetros de extensão, o trajeto percorre as ruas da cidade, indo da Igreja São Francisco de Assis até a Capela de Nosso Senhor Bom Jesus, localizada no alto do Morro da Cruz. Ao todo, são 14 estações que relembram o calvário de Jesus até a crucificação, uma tradição com mais de 150 anos na cidade.

Carregando a imagem de Nossa Senhora das Dores, os fiéis simbolizam o sofrimento de Maria ao acompanhar os últimos passos de seu filho. Além de sua importância religiosa, a Procissão da Penitência se tornou também uma manifestação cultural em Sabará, sendo registrada pela Prefeitura como patrimônio da cidade. Um dos momentos mais aguardados para a tarde é o sermão das sete palavras, que ocorrerá às 14h na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição do Carmo.

Tradição e Cultura se Entrelaçam em Sabará

O início marcante da procissão é acompanhado pelo som das matracas, que convocam os fiéis a participarem da caminhada penitencial. Francisco Dário dos Santos, matraqueiro há 42 anos e participante assíduo da procissão, destaca a importância de passar a tradição para as próximas gerações. “Nesses 3km de penitência e caminhada nós vamos tocando a matraca e puxando a procissão. É uma profissão muito antiga e que agora vamos passando para as crianças de hoje”, ressalta Chiquinho em entrevista à TV Globo.

A tradição da Via Sacra da Madrugada remonta ao século 18 e está ligada à antiga “Irmandade dos Passos”, formada pelos Barões de Sabará e Curvelo. A caminhada tem início na Igreja São Francisco de Assis, construída em 1781, e percorre as principais ruas da cidade até o topo do morro. Durante o trajeto, os fiéis rezam, entoam cânticos e pagam promessas, marcando as 14 estações que representam os momentos vividos por Jesus em sua caminhada até o calvário.

Além de Sabará, as tradições da Sexta-feira da Paixão mobilizam fiéis em diversas outras cidades históricas de Minas Gerais, como Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana e Congonhas, cada uma com sua programação especial para o feriado religioso.

Celebrações pela Região

Em Belo Horizonte, os fiéis podem participar de diversas celebrações, incluindo Via-Sacra em diferentes regiões da capital, Ação Litúrgica da Paixão e Morte do Senhor, e Procissão do Senhor Morto saindo de paróquias e santuários. Já em Ouro Preto, as atividades incluem Ação Litúrgica da Paixão na Basílica de Nossa Senhora do Pilar, celebrações em igrejas locais, e Procissão do Enterro pelas ruas do Centro Histórico.

Em Mariana, a cerimônia do Descendimento da Cruz e o Sermão do Descendimento são os destaques do dia, seguidos pela Procissão do Enterro até a Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção. Em Congonhas, a População poderá presenciar a Encenação da Paixão de Cristo na Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos.

A diversidade cultural e religiosa presente nas celebrações da Sexta-feira da Paixão reflete o profundo significado histórico e espiritual da data, unindo gerações e fortalecendo os laços comunitários em cada cidade participante. As manifestações, além de seus aspectos religiosos, também representam expressões enraizadas da cultura popular, transmitidas de geração em geração.