Shayana Sarah: a 1ª mulher do Cariri aprovada no Itamaraty aos 25 anos

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Diplomata do Cariri: jovem de 25 anos é a 1ª mulher da região aprovada no
Itamaraty

Jovem de 25 anos conquistou vaga no Itamaraty após aprovação em concurso
nacional. Ela destaca importância das cotas e da representatividade feminina e
negra.

Padrasto cumpre promessa a Padre Cícero após enteada se tornar diplomata

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Aos 25 anos, Shayana Sarah Andrade Mousinho está fazendo história: será a
primeira mulher nascida no Cariri a ingressar na carreira diplomática. Ela foi
aprovada no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), um dos mais
difíceis do Brasil, e vai trabalhar no Ministério das Relações Exteriores, o
Itamaraty.

O desafio foi grande: eram 50 vagas para cerca de 9 mil candidatos. “Quando eu
recebi a notícia eu não acreditei muito. Na hora, meu olho encheu de lágrima.
Contei para minha mãe e para todo mundo, mas eu não estava esperando, foi uma
emoção muito grande. Mas eu sei que eu não cheguei aqui por sorte, foi muito
esforço”, conta emocionada.

Formada em Direito pela Universidade Regional do Cariri (URCA), Shayana estudou
cerca de oito horas por dia durante um ano e meio. Ela também foi beneficiada
pela lei de cotas do concurso, ficando em oitavo lugar entre os 10 cotistas
negros.

“Eu me beneficiei de suas ações afirmativas. A primeira, o programa de ações
afirmativas de afrodescendentes e a segunda foi a cota para mulheres entre a
primeira e a segunda etapa, que apesar de não aprovar no concurso garante que
mais mulheres estejam na última etapa do certame porque estatisticamente as
mulheres acabam sendo eliminadas na primeira fase que é objetiva. Foi a primeira vez que foi colocada essa cota. Se não fosse por essa cota, eu não teria
conseguido”.

Nesta edição do concurso, 42% dos aprovados foram mulheres, o maior percentual
da história do certame.

Para realizar o sonho da diplomacia, Shayana precisou abrir mão de outros
projetos, como a carreira de professora substituta na URCA em Iguatu. Mesmo
assim, continuou trabalhando: neste ano, conciliou os estudos com o trabalho no
Ministério Público em Juazeiro do Norte, já que não podia se dedicar
exclusivamente ao concurso.

“Depois da graduação eu fui ser professora de Direito Internacional, aí descobri
que meu amor pelo Direito Internacional ia além da sala de aula. Desde 2022
venho pensando nesse concurso. Mas no ano passado foi que comecei a estudar mais
sério para o concurso e este ano continuei me dedicando ainda mais, abdicando de
muitos outros momentos.”

A mudança para Brasília acontece em dezembro, mas o Cariri não será esquecido,
garante Shayana.

> “Eu acredito que a política interna e externa tem que ter a cara do seu povo.
> Não é justo que a política tenha a cara apenas das capitais. Para mim é mais
> que uma honra representar o Cariri e eu vou levar comigo as minhas raízes, o
> culturalismo, o regionalismo. Vou valorizar os saberes locais, e claro, o
> Padre Cícero. O Cariri tá ganhando uma advogada do Padre Cícero lá em
> Brasília”, diz sorrindo. PROMESSA A PADRE CÍCERO

A fé também esteve presente durante o concurso e com a família. O padrasto,
Fabrício de Morais Almeida, fez uma promessa de ir a pé da casa onde a família
mora, no Crato, até o Horto do Padre Cícero, caso Shayana fosse aprovada. Ao
receber a notícia, ele ficou muito contente.

“O Padim vai me ver, e vai me ver ligeiro!”, afirmou.

A promessa foi cumprida na manhã desta quinta-feira (20). Foram cerca de 12
quilômetros de caminhada, iniciada durante a madrugada.

“Agora é só agradecer por essa conquista. Foi muita luta dela e muita fé no
Padim! Ela fez a parte dela e o Padim a dele. Aqui a gente tem muita devoção e
vamos continuar firmes e fortes com o Padre Cícero”, reforça o padrasto.

A futura diplomata também destaca a importância da graduação no Cariri. O curso
de Direito da URCA está entre os 100 melhores do Brasil no Ranking Universitário
Folha (RUF) 2025. Ela visitou o campus do qual fez parte, no Crato, e foi
recebida com muitos elogios de estudantes e professores. Eles celebraram a
conquista como inédita e inspiradora, especialmente por abrir espaço para
mulheres em um ambiente historicamente masculino.

> “Ela é uma inspiração para os nossos alunos. Essa aprovação dela é inédita.
> Ela é percussora na região e serve agora de inspiração para todos. É uma
> felicidade tê-la como ex-aluna, e que hoje vai ter essa nova carreira
> diplomática. É uma mulher fazendo parte de um grupo seleto que é composto
> geralmente por homens”, completa o professor Ulisses Olinda.

A aprovação de Shayana não é apenas uma vitória pessoal, mas um símbolo de
transformação social. Ela mostra que políticas de inclusão, dedicação e
identidade cultural podem abrir caminhos para que mulheres negras do interior
ocupem espaços tradicionalmente elitizados.

“Quando eu falo isso, eu sei que as oportunidades não são iguais para todo
mundo. Mas mesmo assim, temos que correr atrás com as armas que nós temos. Mas
temos hoje políticas que buscam democratizar o ensino, os lugares de fala para
mulheres e minorias. Quando uma pessoa entra num concurso como esse, que é
altamente elitista, não deve ser considerada exceção, mas apenas um novo
capítulo para que outras pessoas do Cariri, em especial mulheres negras, possam
mudar a cara desse tipo de concurso. Eu sei que isso é só o começo. O custo era
saber que era possível. Não desistam da educação e nem de seus sonhos. Só a
educação salva! Assistao aos vídeos mais vistos do Ceará

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