CUIABÁ (MT) — O soldado brasileiro Fernando Pereira Lisboa, natural de Sinop (MT), morreu em combate na Ucrânia contra forças russas no último fim de semana. Ele havia se mudado para o país europeu no início do ano e atuava na defesa contra o Exército russo. A causa do óbito não foi oficialmente informada.
Em contato com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a reportagem não obteve retorno até o fechamento desta edição. A notícia da morte foi divulgada pela irmã do soldado, a artista Lidia Lisboa, por meio de suas redes sociais. Em uma postagem, ela compartilhou um vídeo em que Fernando aparece entusiasmado ao relatar que havia abatido um drone russo e recebido a carcaça como “troféu de guerra”. Na gravação, ele diz: “Sinop também derruba drone, tá”. O registro, segundo a família, teria sido um dos últimos feitos pelo soldado antes de sua morte.
Alerta do governo brasileiro sobre riscos extremos
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, já havia alertado que cidadãos que se alistam para defender exércitos estrangeiros estão expostos a “risco extremo”. Em declaração pública recente, o Itamaraty reforçou que a prática não tem qualquer vínculo oficial com o Brasil e pode trazer consequências graves para quem decide se engajar em conflitos fora do país. A recomendação oficial foi que os brasileiros evitem se envolver em combates internacionais, destacando os perigos e a falta de garantias legais.
O alerta foi feito após o aumento do número de voluntários brasileiros na guerra da Ucrânia. Segundo dados oficiais divulgados, diversos cidadãos têm se alistado por diferentes motivações, como busca por remuneração ou identificação com a causa ucraniana. Há também casos de quem encara o combate como desafio pessoal, em busca de adrenalina e aventura. No perfil das redes sociais, Fernando Lisboa destacava uma foto com a seguinte legenda: “Deixei meu país para lutar por pessoas que eu nunca conheci”.
Amigos lamentam perda e reforçam perigo do conflito
Um amigo de Fernando que também está à frente dos combates, Thiago de Moraes, conhecido como “Badboy” e natural do Rio de Janeiro (RJ), lamentou a morte e prestou condolências à família. Em mensagens nas redes sociais, Thiago compartilhou momentos de missões ao lado de outros combatentes brasileiros, incluindo Fernando, e ressaltou os riscos diários enfrentados no front. O governo brasileiro, por sua vez, informa que não há apoio institucional a brasileiros que participam da guerra na Ucrânia, e reitera que a decisão de se alistar é de responsabilidade individual.
Casos como o de Fernando Lisboa reforçam o alerta do Itamaraty. Nos últimos meses, ao menos dois outros brasileiros já haviam morrido em combate na Ucrânia — um deles no Espírito Santo e outro em Minas Gerais, conforme relatos de familiares e colegas. A situação levanta debates sobre a segurança de voluntários estrangeiros em zonas de guerra e a falta de assistência consular em meio ao conflito. O soldado de Sinop, que deixa familiares no Mato Grosso, é mais uma vítima de uma guerra que já dura mais de dois anos e meio.


