SOROCABA (SP) — A percepção dos animais de estimação em relação a mudanças na rotina de seus tutores é um tema que desperta curiosidade. Embora a ciência ainda não tenha comprovado de forma contundente que cães e gatos consigam perceber a gravidez de seus donos, especialistas garantem que é possível que eles detectem essas alterações. Segundo a médica veterinária e professora da Universidade de Sorocaba (Uniso), Andrea Cristina Higa Nakaghi, os pets são extremamente sensíveis a variações fisiológicas e comportamentais, especialmente os cães, que possuem um olfato altamente desenvolvido.
A complexidade do vínculo entre tutores e seus animais pode levar a comportamentos variados durante a gestação. A maioria dos tutores que passam por essa experiência se pergunta se seus animais notarão as mudanças e como reagirão. A veterinária Andrea, por sua vez, destaca que a relação afetiva faz com que os pets busquem conforto e proximidade com suas tutoras grávidas, levando-os a adotar comportamentos típicos, como descansar a cabeça na barriga.
Comportamento Anterior e Durante a Gravidez
Um exemplo prático pode ser visto na história do casal Monique Estela Figuerêdo e Douglas Canton de Oliveira, ambos de 31 anos e residentes em Sorocaba. Durante a gestação de sua filha Manuela, os tutores não perceberam mudanças de comportamento significativas no buldogue francês Paçoca. Monique relata que o cão não interagiu com a barriga e viveu normalmente durante todo o período gestacional. Esta situação inicial levou o casal a acreditar que não haveria problemas relevantes de adaptação após o nascimento da criança.
Contudo, a dinâmica familiar mudou com a chegada de Manuela. Após o parto, o aumento do número de visitantes e a atenção voltada para a recém-nascida geraram reações inesperadas em Paçoca, que passaram a latir excessivamente e a marcar território, o que nunca havia acontecido antes. Monique menciona que esse novo comportamento a deixou preocupada, fazendo com que ela e Douglas decidissem contratar um adestrador para lidar com as crises do cão. “Procuramos um profissional para nos orientar, pois sentíamos que ele estava estressado com a mudança de rotina”, explica a engenheira.
Reconhecendo a Mudança e Estabelecendo Conexão
Com a ajuda do adestrador, o casal implementou mudanças que possibilitaram uma adaptação gradual do Paçoca à nova rotina. O cão, que antes havia sido desprezado em alguns momentos pelos visitantes, passou a desempenhar um papel protetor em relação à bebê, sempre se mantendo próximo dela. “Ele está muito mais calmo agora e costuma ficar ao nosso lado durante a amamentação”, conta Monique, descrevendo como o relacionamento entre os “irmãos” se fortaleceu.
A importância do suporte de profissionais do setor torna-se evidente ao observar o impacto que essas orientações podem ter no bem-estar tanto do animal quanto da criança. Além disso, é fundamental que os tutores estejam atentos às reações e comportamentos dos pets, especialmente aqueles que podem ser indicativos de estresse ou ansiedade.
Psicopatias e Transtornos Comportamentais
De acordo com a veterinária Andrea, animais que experienciam mudanças drásticas na rotina, como a chegada de um novo membro à família, podem desenvolver transtornos de comportamento, incluindo ansiedade de separação e estresse crônico. Ela lista uma série de sinais que os tutores devem observar, como: aumento da necessidade de contato físico, lambidas excessivas, micção inadequada, entre outros. “É imprescindível que os tutores se mantenham alertas e busquem ajuda profissional caso percebam essas alterações persistirem”, alerta.
Além desse suporte, a preparação para a chegada do bebê deve ser feita com antecedência, garantindo que as práticas habituais em relação ao pet não sejam abruptamente descontinuadas. Manter uma rotina consistente de alimentação, passeios e brincadeiras é essencial para que o animal passe por esse processo de forma tranquila.
Orientações para a Chegada do Bebê
As orientações de Andrea incluem estratégias para minimizar o impacto que a chegada do novo membro da família pode ter nos animais. Criar associações positivas entre o bebê e experiências agradáveis para o pet é um primeiro passo. “Dar carinho e petiscos na presença do bebê pode ajudar o animal a criar associações favoráveis”, recomenda a especialista. Além disso, a importância do enriquecimento ambiental para aliviar a tensão do animal não deve ser subestimada, especialmente para gatos que podem ser particularmente sensíveis a mudanças em seu habitat.
A Importância do Supervisão nos Primeiros Contatos
Nos primeiros contatos entre o bebê e os animais, a supervisão dos tutores é crucial. A veterinária ressalta a necessidade de permitir que o cão ou gato se aproximem do recém-nascido de maneira calma e gradual. “É importante que o ambiente esteja tranquilo, e que os animais possam cheirar o bebê sem pressa. A interação deve ser sempre supervisionada, evitando qualquer situação que possa causar estresse ou risco tanto para o animal quanto para o bebê”, alerta Andrea.
Assim, a preparação para a chegada de uma criança na família é uma fase que exige atenção, não apenas ao bem-estar do novo membro, mas também dos animais que já fazem parte do lar. Com o suporte adequado, é possível criar um ambiente harmônico onde todos os integrantes, humanos e animais, possam conviver em paz e equilíbrio.
Próximos Passos
Para garantir uma convivência saudável entre o bebê e os pets, recomenda-se que os tutores sigam as orientações mencionadas, sempre consultando profissionais de comportamento animal e veterinários quando necessário. O governo do Estado de São Paulo tem investido em campanhas de conscientização sobre a adoção consciente e cuidados com os animais, promovendo um ambiente mais seguro e saudável para todas as famílias. A atenção aos detalhes e a adaptação gradual são fundamentais para que essa nova fase da vida familiar seja marcada pela harmonia e pelo amor compartilhado.





