Superstições da Quaresma no interior de SP: por que não varrer a casa e outras proibições são seguidas?

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Não varrer a casa, não lavar os cabelos, não abrir a porta e nem se divertir: veja superstições ligadas à Quaresma no interior de SP

Período que marca a passagem de Jesus Cristo sendo tentado pelo demônio no deserto é um dos mais temidos por algumas pessoas, mas especialistas afirmam que crenças não têm embasamento bíblico.

Por que supersticiosos acreditam que a Quaresma é um período sombrio?

Para a Igreja Católica, a Quaresma marca os 40 dias que Jesus Cristo passou no deserto sendo tentado pelo demônio. Algumas pessoas, no entanto, acreditam que as semanas que antecedem a Páscoa, são sombrias e algo sobrenatural envolve o período.

Não há nenhum embasamento bíblico que justifique as superstições da Quaresma, mas, quem acredita, afirma que, justamente porque Jesus Cristo era perseguido pelo mal, o mundo ficou sem proteção. E são nas pequenas cidades do interior do Brasil, especialmente em São Paulo e Minas Gerais, que estas crenças são ainda mais fortes.

Os supersticiosos têm nas sextas-feiras os dias da semana de maior alerta. Da Quarta-feira de Cinzas até a Sexta-feira Santa são sete fins de semana de pura tensão. Desta sexta-feira (4) até a Páscoa, ainda restam três. A Quaresma é um portal que divide o mundo do bem e do mal. Cristo está morto e, na época da Quaresma, tudo ali simboliza ele. É como se não existisse o bem na terra. Então, o mal está rondando. Cristo morreu em uma sexta-feira e as sextas-feiras são abertura de portais. Este dia tem uma energia muito forte — Matheus Moraes é caçador de fantasmas.

Das superstições que envolvem o período estão as proibições de certas tarefas diárias sob a justificativa de que, se realizadas, virão acompanhadas do mal. Todas elas são evitadas assim que o sol se põe não só por adultos, mas pelas crianças também. A lista inclui: Não varrer a casa após, não lavar os cabelos, não abrir a porta, não espiar pela janela e espalhar sal em todas as portas da casa.

Segundo o historiador José Antônio Lages, a maioria da crendices não têm base teológica, mas os supersticiosos que seguem a lista, estão certos de que estão protegidos. “São coisas relacionadas com esse certo medo que as pessoas têm e esse medo, geralmente, é medo do demônio. Tem muita coisa sem nenhuma base teológica, nenhuma base nem na própria tradição da Igreja. Isso faz parte, inclusive, de um certo folclore”.

O historiador afirma também que ainda há aqueles que evitam sorrir ou se divertir na Sexta-Feira Santa e aqueles que optam por não trabalhar no dia também.

Por que não pode? Para cada ‘não pode’ da lista há uma explicação dos supersticiosos. O fato de não se lavar os cabelos no período, por exemplo, vem da força que os fios têm. “O cabelo é a nossa força vital e os espíritos obsessores precisam dessa energia que emana dele. É a mesma coisa da unha, que não pode ser cortada à noite durante a Quaresma. Tudo que envolve alguma parte do nosso corpo, tem a ver com espíritos maus nos obsidiando no período”, diz Matheus.

Segundo ele, ao varrer a casa, a pessoa ainda manda embora os espíritos bons e deixa o ambiente, mais uma vez, sem proteção. Já o sal espalhado nas portas da casa, principalmente na de entrada, garante que os espíritos ruins não invadam o lar dos supersticiosos. Lages também conta que as superstições ainda incluem evitar qualquer tipo de divertimento e até não sorrir demais às sextas-feiras, para a alegria não chamar a atenção.

Segundo o padre Anderson Xavier Lopes, nenhuma das superstições que envolvem o período têm embasamento bíblico e, por isso, não deveriam ser seguidas. “Elas acabam fazendo parte de pessoas que falam ‘eu sou católico, mas aquele católico não praticante, aquele católico que não vai à missa todo domingo, que só tem o nome de católico. Porque o católico, de fato, sabe que não é um tempo de superstição, mas um tempo de refiguramento espiritual, onde se busca se preparar bem para celebrar a Semana Santa. Não existe embasamento bíblico”.

Ele afirma que a única orientação da Igreja Católica, e que nada tem a ver com superstição, é o fato de que a carne vermelha deve ser evitada às sextas-feiras, em especial, na Sexta-Feira Santa.

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