Quem são e como agiam suspeitos de furtar combustíveis em dutos e causar prejuízo de R$ 5 milhões à Transpetro
Operação Sangria, deflagrada nesta segunda-feira (2), mirou quadrilha que atuava em SP, MG e GO. Ao menos sete pessoas acabaram presas, e empresas foram alvo de buscas.
Operação prende suspeitos de furtar combustíveis de dutos da Transpetro
Operação prende suspeitos de furtar combustíveis de dutos da Transpetro
A Polícia Civil deu detalhes de como agia a quadrilha especializada em furtar combustíveis de dutos da Transpetro e que foi alvo da Operação Sangria, deflagrada nesta segunda-feira (2). O grupo atuava nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, e causou um prejuízo de mais de R$ 5 milhões.
Até a última atualização desta reportagem, sete dos nove mandados de prisão temporária haviam sido cumpridos. Dois suspeitos seguiam foragidos. As equipes também cumpriram 13 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de medidas de quebra de sigilo bancário, telefônico e telemático.
De acordo com o delegado André Baldochi, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto (SP), as investigações começaram em agosto de 2025, após o furto em um duto entre Ribeirão e Cravinhos (SP).
Os alvos da operação desta segunda-feira são suspeitos de atuar na soldagem dos dutos no momento dos crimes, motoristas de caminhões que transportavam os combustíveis furtados e empresas distribuidoras que adquiriam os produtos.
> “Há uma divisão de tarefas muito clara. Por ser um crime mais específico, você tem a pessoa especialista em soldar um registro junto aos dutos. Eles acessam o duto, seja cavando, seja quando o duto acaba, em algum momento, sendo exposto na terra, eles soldam o registro ali, depois vêm os motoristas com os caminhões, é acoplada uma mangueira, e com esse combustível é abastecido o caminhão, através da pressão do duto”, explica Baldochi.
Preso em operação contra furto de combustíveis em dutos — Foto: Polícia Civil
Preso em operação contra furto de combustíveis em dutos — Foto: Polícia Civil
QUEM SÃO OS ENVOLVIDOS
A Polícia Civil também divulgou nomes e a função de alguns dos suspeitos. Veja abaixo:
* Laerte Rodrigues dos Santos (preso em Artur Nogueira) – um dos líderes da quadrilha.
* Marcelo Teixeira de Gouveia (preso em Campinas) – dono de uma distribuidora em Paulínia.
* Wagner de Souza Leite (preso em Ribeirão Preto) – motorista e dono de uma transportadora.
* Wagner Silva Leite (foragido) – filho de Wagner de Souza e atuou como motorista.
* Calil Fernando Carneiro (preso em Ribeirão Preto) – já atuou como motorista, mas agora atuava na preparação do duto. Já tinha sido preso 2020 pelo mesmo tipo de crime
Eles devem responder por furto qualificado, receptação e organização criminosa. DE e a EPTV, afiliada da TV Globo, tentam localizar as defesas.
OPERAÇÃO SANGRIA
As ações da polícia foram realizadas em pelo menos sete cidades: Campinas (SP), Paulínia (SP), Leme (SP), Artur Nogueira (SP), Conchal (SP), Ribeirão Preto (SP) e Jardinópolis (SP).
Entre os mandados de busca cumpridos dois foram em empresas distribuidoras de combustíveis suspeitas de integrar a cadeia de escoamento do produto furtado. Um empresário do setor foi preso em Campinas.
Além disso, foram apreendidos aparelhos celulares e equipamentos informáticos, que serão periciados.
A operação visa atuar não só contra a subtração de combustível, mas também os consequentes danos à infraestrutura dutoviária, impactos operacionais e riscos ambientais.
> “São tipos de crime que causam enorme prejuízo à empresa, não só do combustível subtraído, mas o reparo desses dutos, esses dutos ficam parados, ou seja, há um enorme risco de desabastecimento, além dos crimes ambientais”, destaca o delegado.
Operação da Polícia Civil mira grupo suspeito de furtar combustíveis de dutos da Transpetro — Foto: Polícia Civil
Operação da Polícia Civil mira grupo suspeito de furtar combustíveis de dutos da Transpetro — Foto: Polícia Civil
O QUE DIZ A TRANSPETRO
Em nota, a Transpetro destacou ser vítima do crime de furto de petróleo e derivados em dutos e que tem como maior preocupação a “preservação da vida e a segurança das pessoas e do meio ambiente”.
Para reduzir a ocorrência desses crimes, a empresa diz que usa tecnologia que permite a rápida localização de derivações clandestinas; o trabalho de relacionamento comunitário focado na conscientização das pessoas que vivem no entorno dos ativos, para eventuais denúncias; e convênios com órgãos de segurança pública nos estados.
A companhia ainda pontuou que, entre 2024 e 2025, registrou aumento no número de ataques criminosos a dutos operados por ela nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
“A Transpetro colabora com as autoridades competentes, mantendo articulação constante com órgãos de segurança pública, como as polícias civis e militares, os Ministérios Públicos e o Disque Denúncia.”
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