Suspeitos de dar golpe de R$ 4 milhões com evento de luxo usando nome de grife são presos
A suspeita apontada como líder de um grupo de estelionatários que estava montando um evento fictício de luxo usando o nome de uma famosa grife europeia criou uma personagem portuguesa para enganar as vítimas, segundo a Polícia Civil. O suposto baile de máscaras aconteceria no Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) da OAB-GO, em Aparecida de Goiânia. Mas tudo não passava de uma farsa, segundo a delegada Lara Soares, responsável pela investigação.
A líder do grupo é Mayara Cristina Constantino Machado, de 33 anos, que se apresenta nas redes sociais como consultora de imagem e estilo. Ela e os outros integrantes do grupo foram presos na quarta-feira (18), mas a Justiça determinou que fossem soltos, na tarde de quinta-feira (19), porque considerou ilegais as prisões em flagrante, realizadas na casa deles sem mandado judicial. Os três, porém, terão que usar tornozeleira eletrônica, além de cumprir outras medidas cautelares.
Personagem fictícia e golpe bilionário
De acordo com a delegada, para convencer as vítimas de que tudo era verdade, a suspeita criou uma personagem fictícia, chamada Fran de Pierre, uma portuguesa que morava em Paris, que seria funcionária da marca francesa e responsável pelas contratações do serviço para a festa no Brasil.
“Na verdade, não existia festa nenhuma, não existia contratação nenhuma porque não existia essa pessoa”, disse Lara.
Para fazer as vítimas acreditarem que era uma festa real, Mayara criou e-mails em nome da personagem fictícia, os encaminhando para os fornecedores alvo do esquema. O grupo, atuando em duas frentes, causou um prejuízo estimado em pelo menos R$ 4 milhões aos fornecedores e convocou pessoas para a festa mediante a compra de supostas bolsas da marca.
Marido e cunhada envolvidos
Os outros integrantes do grupo são o marido de Mayara e a cunhada dela, irmã dele. Segundo a delegada, a prisão foi necessária porque as investigações apontaram para um risco real de fuga.
Mayara é paraense, mas mora em Goiânia há cerca de três anos. O marido, que recebia o dinheiro do esquema, foi servidor público federal, mas pediu exoneração do cargo. O casal está junto há cerca de oito anos. A delegada ainda investiga o envolvimento do marido no golpe.
Consultora de imagem e estilo
Mayara usava seu perfil no Instagram para abordar as vítimas, vendendo as supostas bolsas da marca e convidando-as para o evento. O perfil dela possui mais de 7 mil seguidores e a descrição inclui: “Um perfil que não foca em te ensinar a se vestir de forma elegante, mas, sim, de forma autêntica e intencional”.
Até o momento, o trio deve responder pelo crime de estelionato, mas a polícia investiga se houve outros crimes, como associação criminosa e crime contra a propriedade imaterial, relacionado a direitos autorais e industriais de uma marca.
Nota da Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás
O contrato celebrado pela Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás previa a locação do salão de festas do Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) e dos pátios de estacionamento A e B, com 350 vagas disponíveis, para evento a realizar-se no dia 21 de março de 2026, com público limitado a 400 participantes. A Casag lamenta o ocorrido e se solidariza com eventuais vítimas.



