Tancredo da Silva Pinto, conhecido como ‘o papa negro da umbanda’, é uma figura histórica fundamental no combate ao preconceito contra religiões de matriz africana, especialmente no Brasil. Sua atuação revolucionária na consolidação da umbanda como uma religião de destaque o levou a ser homenageado no Carnaval do Rio de Janeiro. Tata Tancredo, como é chamado, teve um papel crucial na transformação do culto a Iemanjá e na criação do famoso Réveillon de Copacabana.
Iemanjá, divindade reverenciada nas religiões de matriz africana como o candomblé e a umbanda, é conhecida pela sua conexão com o mar e a fertilidade. A celebração de Iemanjá em 2 de fevereiro é um exemplo do sincretismo religioso no Brasil, onde coincidem com as homenagens à Nossa Senhora dos Navegantes. Originalmente uma festividade umbandista, a celebração de Iemanjá na virada do ano na praia de Copacabana se tornou uma das maiores festas populares do país.
A atuação de Tancredo no último Réveillon carioca gerou controvérsias, especialmente entre líderes de religiões afro, que criticaram a presença de um palco gospel no evento. No entanto, o legado de Tancredo é inegável, pois foi ele quem idealizou as Flores de Iemanjá na orla de Copacabana nas décadas de 1950 e 1960, transformando a celebração em uma festa plural e aberta a todos.
O líder umbandista foi um importante articulador na luta pela liberdade religiosa e no combate ao preconceito no Brasil do século 20. Sua atuação política, cultural e religiosa foi fundamental para a resistência contra a marginalização social e a afirmação dos valores coletivos dos povos de terreiro. Por meio de eventos como as Flores de Iemanjá e a histórica gira de umbanda no Maracanã, Tancredo conquistou espaços públicos e promoveu as tradições afro-brasileiras.
Além de sua contribuição para a religiosidade afro-brasileira, Tancredo era também um sambista e compositor ativo, sendo um dos fundadores da Federação Brasileira das Escolas de Samba. Ele teve um papel fundamental na promoção do samba e na defesa da cultura negra, estabelecendo conexões entre o samba, a política e a religiosidade. Sua coragem em levar seu povo para celebrar e fazer rituais na orla de Copacabana contribuiu para transformar o Réveillon brasileiro em uma festa espiritual e mística.
A homenagem a Tata Tancredo no Carnaval do Rio em 2026 pela escola de samba Estácio de Sá é um reconhecimento da importância histórica desse líder umbandista para a cultura brasileira. Sua atuação como articulador entre diferentes camadas da sociedade e sua visão visionária na difusão e popularização do culto marcam um legado que perdura até os dias de hoje. A estátua que será instalada em sua homenagem no Rio representa um marco na preservação das tradições afro-brasileiras e na luta contra o preconceito religioso.




