Tarifaço de Trump: 52% dos brasileiros creem que favorece Flávio Bolsonaro

Tarifaço de Trump: 52% dos brasileiros creem que favorece Flávio Bolsonaro

Uma pesquisa recente do Datafolha aponta que 52% dos eleitores brasileiros acreditam que o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump ao Brasil tem como objetivo apoiar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

O levantamento revelou que 37% dos entrevistados não concordam com essa teoria, enquanto 11% se mostraram indecisos. Entre os eleitores de Flávio, 29% acreditam na hipótese do favorecimento, enquanto o número salta para 73% entre os que declaram voto no presidente Lula (PT).

O Datafolha investigou a percepção da medida entre os eleitores em um estudo realizado com 2.004 indivíduos maiores de 16 anos, nos dias 22 e 23 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No cenário eleitoral, Lula lidera o primeiro turno com 40% contra 32% de Flávio, enquanto, em uma eventual segundo turno, Lula tem 48% e Flávio 43%.

O impacto das relações entre a família Bolsonaro e o governo Trump é notável, dado que Jair Bolsonaro, o patriarca da família, já declarou sua admiração por Trump. Recentemente, ele foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A primeira edição do tarifaço foi elaborada pelo deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e foi justificada por Trump com a iminente prisão de Bolsonaro a fim de aplicar uma sobretaxa de 50% sobre produtos importados do Brasil e sanções contra figuras do governo e do Supremo Tribunal Federal.

O presidente Lula utilizou esta provocação para lançar uma campanha nacionalista que melhorou sua avaliação no governo e aproximou-o de Trump, levando à revogação das punições e tarifas. Entretanto, no dia 15 de julho, os EUA impuseram uma nova sobretaxa de 25% e, em 22 de julho, adicionaram mais 12,5% a produtos brasileiros devido a investigações sobre práticas comerciais desleais.

Flávio Bolsonaro tem procurado se distanciar do tarifaço, receoso do impacto político que Lula pode explorar. Ele já participou de uma audiência sobre o caso nos EUA, mas sua argumentação não foi bem recebida, levando a um apelido negativo nas redes sociais: “Tariflávio”.

A pesquisa do Datafolha também mostra que 74% dos entrevistados preferem que o Brasil busque soluções negociadas e não retaliações diretas aos EUA. No que tange à responsabilidade na situação, 35% consideram Lula culpado, 28% apontam Trump e 23% os irmãos Bolsonaro. Os dados sugerem que o debate está polarizado, mas muitos buscam soluções diplomáticas.

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